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Escola Tradicional de Artes Marciais & Curativas: 25 Anos de História e Evolução

Uma história de paixão, dedicação e transformação através da Escola Tradicional de Artes Marciais & Curativas

Redação
Por: Redação Fonte: ETAMC
17/06/2024 às 09h39 Atualizada em 05/08/2024 às 22h17
Escola Tradicional de Artes Marciais & Curativas: 25 Anos de História e Evolução
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FightNews Entrevista hoje Nuno Gonçalo ferreira Nunes, fundador da Escola Tradicional de Artes Marciais & Curativas.

Nuno fez uma reflexão sobre os desafios, sucessos e o impacto da sua escola na comunidade ao longo da trajetória de 25 anos de inovação e compromisso com a comunidade de Benavente.

FightNews: Fale-nos um pouco sobre quem é o Nuno Nunes?

Nuno Nunes: O meu nome é Nuno Gonçalo Ferreira Nunes, sou natural de Salvaterra de Magos, onde comecei a praticar Artes Marciais, mais propriamente Judo, com 5 anos de idade. Tenho 46 anos feitos no passado dia 3 de Junho, dos quais 41 foram a praticar artes marciais.

FightNews: Fale-nos um pouco de como surgiu a ideia da Escola Tradicional de Artes Marciais & Curativas? Qual foi a motivação para fundar a escola há 25 anos?

Nuno Nunes: Comecei a dar aulas em 1997, ainda com cinto castanho. O responsável pela escola era o meu Instrutor da altura, Sensei Artur Pinto. No Verão de 1998 fiz o meu exame para Cinto Negro e fui graduado pelo Mestre Miguel Rivas e pelo Professor Pedro Porém. Em Setembro desse ano, portanto, na época desportiva 98/99, voltei a dar aulas, mas já sobre a minha responsabilidade. A coletividade à qual me associei para usufruir de um espaço público pediu-me um nome para a Escola e como estava no primeiro ano de Medicina Chinesa e tinha uma visão multifacetada das artes marciais, graças à influência e exemplo do Professor Pedro Porém, optei por um nome que fosse abrangente e não me limitasse no futuro, surgiu o nome Escola Tradicional de Artes Marciais & Curativas.   

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FightNews: Pode-nos falar um pouco sobre a história da escola e como ela evoluiu ao longo dos anos?

Nuno Nunes: Na minha opinião, os anos 90 e os inícios dos anos 2000, viveu-se no nosso país, um grande boom de representações marciais. Ou seja, com a evolução da internet e a facilidade de viajarmos, começou a haver várias artes marciais com representação em Portugal, que até então, não se tinha visto para além do Judo, Karate, Kung Fu, Taekwondo, Muay Thai e poucos mais. Com esta nova realidade, vieram uma série de políticas associadas que juntamente com a minha tenra idade e inexperiência, não tive como não me ver envolvido em algumas situações que colmataram com a minha escolha de ficar sozinho no início de 2000. Nessa altura, cansado de políticas e lutas de poder, iniciei uma procura por algo que fosse mais genuíno. Em 2004, num estágio em Espanha, encontrei, aquele que até hoje é o meu Mestre e Mentor, o Soke George Lim, Hawaii Kenpo & Kajukenbo. A partir daí, foi toda uma construção desse legado e dessa representação. De 2004 até hoje, já passamos por várias fases. A primeira fase foi sem dúvida o vislumbre, onde tudo o que a Escola do meu Mestre fazia foi copiado na íntegra, o que deu os seus frutos e vivemos uma época de grande crescimento, onde era tudo novo e extremamente eficaz na retenção de alunos e florescimento das escolas. Depois com o passar dos anos e com mais maturidade, começamos a entender a nossa própria identidade dentro do sistema e começamos a fazer alterações, a experimentar novos caminhos. Quando encontramos o caminho atual e aquele com que mais nos identificamos, houve uma mudança grande, tendo havido naturalmente uma retração e ruptura com muitos dos que nos acompanharam durante anos. Fizemos o possível por apoiar todas essas pessoas no seu novo caminho e por manter todas as relações pessoais intactas. Umas conseguimos, outras falhámos, mas aprendemos com todas e seguimos seguros de que estamos no nosso caminho. Todo este processo foi sempre respeitado e apoiado pelo nosso Mestre e Mentor, o que nos deu um apoio e segurança fundamental. Atualmente, reconstruímos uma base forte e estamos a iniciar um novo processo de renascimento, com outra calma, com outra tranquilidade e maturidade, e já sem grandes ilusões.

FightNews: Quais são as principais artes marciais e práticas curativas que a escola ensina?

Nuno Nunes: O Kajukenbo é uma arte marcial havaiana que surge da junção de várias outras práticas: Karate, Judo e Ju-jutsu, Kenpo e Boxe chinês e ocidental. Baseado nesse mesmo princípio, adaptamos o conceito, seguindo os mesmos princípios, ou seja, saímos da especificidade para a generalidade, adaptando às necessidades dos dias de hoje. Assim sendo, o Karate, o Kenpo e o Boxe transformaram-se em STRIKING, o Judo e o Ju-jutsu, transformaram-se em CLINCH e GRAPPLING e adicionamos as WEAPONS, que apesar de não estar no nome original, sempre fizeram parte do treino do Kajukenbo, especialmente a influência filipina. Assim sendo, o nosso Kajukenbo transformou-se num 4 S.L.A.P. Conceptual System. "4" que se refere às 4 áreas de trabalho. O "S" de striking,"L" de clinch, "A" de grappling e "P" de weapons. Esta nossa abordagem, não tem a pretensão de ser uma "nova arte marcial" um "estilo próprio", nada disso, apenas um sistema conceptual de treino de várias artes marciais. Temos a nossa base: Hawaii Kenpo e Kajukenbo, mas estamos sempre em formação contínua, na busca de mais conhecimento para integrar, sem limitações. Fazendo jus à célebre frase do Bruce Lee: "Absorve o que for útil, rejeita o que for inútil. Acrescenta o que é especificamente teu. O Homem criador individual, é sempre mais importante que qualquer estilo ou sistema estabelecido." Com tudo isto, hoje em dia integramos elementos de várias artes marciais nas nossas aulas e currículos, inclusive, nos últimos anos, temos dedicado algum tempo ao estudo e ensino do Kung Do, uma arte marcial recente, desenvolvida em Portugal, e que para além de outras coisas, nos dá uma excelente plataforma competitiva, que nos permite aplicar a nossa visão marcial. Apesar de olharmos para as artes marciais por si só como uma arte que pode ser terapêutica e curativa, temos também aulas de Yoga, Pilates e Inner Balance, que é a nossa abordagem própria e particular das artes orientais de desenvolvimento interno, como o Qi Gong, o Nei Gong e a Meditação.

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FightNews: Quais são os princípios e valores fundamentais que a escola promove?

Nuno Nunes: A nossa Missão: Mudar o mundo, uma pessoa de cada vez.

Porque acreditamos que o todo é composto pela soma das partes e cada um de nós tem de fazer o seu trabalho interno, para que possa haver uma mudança global.

A nossa Visão: Criar pessoas confiantes e independentes o suficiente para lutarem pelos seus sonhos.

Porque acreditamos que se as pessoas conseguirem lutar pelos seus sonhos o mundo será melhor e que a confiança (autoestima) e a independência (física e emocional) são fundamentais para que isso possa acontecer.

Os nossos Valores: Individualidade, qualidade, confiança, independência, compromisso e compaixão.

Porque sem individualidade não nos conhecemos, porque sem qualidade (rigor) não exploramos o nosso potencial, porque sem compromisso não temos consistência nem resiliência e porque sem compaixão não somos verdadeiramente humanos.

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FightNews: Como a escola tem influenciado a comunidade de Benavente ao longo dos últimos 25 anos?

Nuno Nunes: Num estudo realizado há cerca de 5 anos pela Câmara Municipal de Benavente, a nossa arte marcial era a 3ª atividade extracurricular mais praticada no concelho de Benavente, atrás apenas do futebol e do andebol (uma atividade com bastante tradição local). Desta forma, entendemos que temos uma grande responsabilidade e influência na formação dos jovens da nossa comunidade. Para além disso, como nunca quisemos ser subsídio dependentes e seguindo o espírito inicial que deu origem ao nome da escola, abrimos em 2007 um Centro Terapêutico de medicinas alternativas e complementares que não só serve de sustento para as actividades marciais, como tem vindo a ter um impacto significativo na oferta médica do concelho.   

FightNews: Quais são as principais diferenças entre os métodos de ensino da vossa escola e os de outras escolas de artes marciais?

Nuno Nunes: Como é lógico, não conheço todos os métodos de todas as escolas, portanto não sei se é diferente ou não é, mas posso dizer que seguimos um método de ensino circular, e não um método de progressão linear mais comum. O nosso currículo técnico não é fechado, mas sim aberto, em constante evolução e adaptação. Não acreditamos em técnicas de "cinto branco" e técnicas de "cinto negro", acreditamos que existem técnicas feitas ao nível de cinto branco e ao nível de cinto negro, o que é um paradigma bastante diferente. Focamos o nosso ensino em conceitos e princípios e não em técnicas! Trabalhamos do funcional para o técnico e não o oposto! O técnico serve o funcional...sempre! Não dividimos as aulas por grupos de cintos e de conhecimento, todos treinam com todos. Usamos cintos apenas nas classes mais novas, há muito que também abandonámos essa visão mais tradicional, temos outros métodos de avaliação e reconhecimento. Uma vez mais, não sei se é diferente dos outros ou não, mas nós trabalhamos desta forma e estamos muito satisfeitos com os resultados. Temos um termo de comparação com o que fizemos no passado e temos vindo a aperfeiçoar o método.

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FightNews: Como são estruturadas as aulas e os treinos?

Nuno Nunes: Acho que acabei por responder um pouco a essa pergunta na resposta anterior, mas posso acrescentar que seguimos ciclos de ensino, de cada um dos temas: Striking, Clinch, Grappling e Weapons. Juntamente com isso, temos os chamados ciclos de integração, onde juntamos as valências aprendidas em cada microciclo, num macrociclo de evolução e compreensão da arte. Quando se treina de forma multidisciplinar como nós, a cola é muito importante!!! As artes foram criadas num contexto específico e a dificuldade não é treinar Muay Thai, Wrestling e Ju-jutsu, isso é fácil. A dificuldade está na forma eficaz ou não, de como se transita de uma distância para a outra, sem perder a eficácia funcional. Na nossa escola não é importante manter a identidade das artes em separado. Ou seja, não temos como objectivo preservar os elementos que retiramos das artes em específico, nada contra quem o faz com todo o valor e mérito, apenas temos um foco diferente: a integração dos conceitos na procura de uma maior funcionalidade, tanto para a competição como para a defesa pessoal. 

FightNews: Que tipo de programas ou cursos especiais a escola oferece para diferentes faixas etárias e níveis de habilidade?

Nuno Nunes: Não trabalhamos com programas ou cursos, por assim dizer. Somos uma escola, que está aberta 6 dias da semana e damos aulas regulares. O nosso intuito é ter alunos comprometidos em aprender a totalidade daquilo que ensinamos. Olhamos para esta nossa forma como um estilo de vida, uma filosofia de encarar o dia-a-dia, pelo que não temos interesse em ter alunos a fazer um programa de 6 meses e depois a sair para fazer outra coisa. Olhamos para a sustentabilidade e para a aprendizagem contínua. Temos alunos que estão connosco desde o início desta caminhada. Oferecemos aulas a partir dos 6 anos de idade até aos 60. Os currículos são diferentes para as diferentes faixas etárias, devidamente adaptados aos objetivos de cada idade, não apenas técnicos, mas físicos e cognitivos também. Temos também uma classe específica para competição, onde oferecemos um nível de treino mais elevado, tanto ao nível técnico como físico. No entanto, no geral, gostamos de nos identificar como uma escola pensada para lutadores, mas aberta a todos...

Para além das artes marciais temos igualmente aulas de Pilates, Yoga, Inner Balance e Hula, a Dança tradicional havaiana.

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FightNews: Quais são os planos futuros para a escola, há planos para expandir ou introduzir novas disciplinas e práticas?

Nuno Nunes: Tal como já referi, a escola tem vindo a passar por várias fases. Neste momento, estamos a entrar numa nova fase de crescimento. Actualmente a escola conta apenas com duas localizações: Benavente e Bucelas, sendo que existem alunos meus a dar aulas por sua própria conta, que se mantêm de alguma forma ligados à ETAMC, nomeadamente em Fazendas de Almeirim, Salvaterra de Magos e São Brás de Alportel. Mas a ETAMC em si tem planos para nos próximos anos, expandir para outros pontos do país e não só. Temos neste momento um representante no Brasil e em Viena de Áustria. Estamos neste momento à procura de pessoas com vontade de trabalhar connosco e que demonstrem ter a personalidade que procuramos. Tal como nas empresas, as escolas de artes marciais costumam recrutar pelas capacidades técnicas e despedir pela personalidade. Na ETAMC procuramos pessoas boas, que se identifiquem como o projecto e que estejam dispostas a aprender. As capacidades técnicas nós ensinamos...

FightNews: Para finalizar, que conselho daria a alguém que está a considerar iniciar-se nas artes marciais e práticas curativas?

Nuno Nunes: Que comecem o quanto antes! Mas que sejam cuidadosos na escolha que vão fazer. Tentem entender a escola e não apenas a arte marcial. Nem todas as escolas de artes marciais são iguais. É preciso haver uma sintonia com o ambiente, com os valores, com os princípios. Não tenham medo de fazer perguntas, sobre a história, sobre até a certificação dos instrutores. Mas comecem o quanto antes... 

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Marcia Lomardo Há 2 anos CascaisMuito bom!
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