
Os 27.º Jogos Europeus de Capoeira, realizados em Lisboa, afirmaram-se como um dos momentos mais expressivos da modalidade no espaço europeu. Marcada por participação recorde, forte presença internacional e uma programação que cruzou competição, encontro e celebração cultural, esta edição reforçou o lugar da capital portuguesa no mapa da capoeira europeia. Mais do que um evento desportivo, os Jogos revelaram a capacidade da capoeira para mobilizar comunidades, aproximar países e projetar, num mesmo espaço, a sua dimensão técnica, histórica e identitária.
Num momento em que a modalidade continua a crescer no mundo, Lisboa recebeu uma edição que, segundo a própria organização, superou expectativas em adesão, qualidade e impacto. Entre o ambiente vivido ao longo do evento, a diversidade dos participantes e a força simbólica das atividades integradas na Semana da Capoeira, esta conversa com a Fight News ajuda a perceber o significado mais amplo desta edição: não apenas enquanto competição, mas como expressão viva da expansão, visibilidade e relevância contemporânea da capoeira na Europa.
Fight News: Os 27.º Jogos Europeus de Capoeira, realizados em Lisboa, ficaram marcados por uma participação recorde. Que balanço faz desta edição?
Fazemos um balanço extremamente positivo. Esta edição superou várias expectativas, não só pelo número recorde de participantes, mas também pela qualidade técnica, organização e ambiente vivido ao longo do evento. Foi uma celebração autêntica da capoeira, marcada por energia, respeito e partilha cultural.
Fight News: O evento correspondeu às expectativas da organização ou acabou por superá-las?
Claramente superou as expectativas. Sabíamos que seria uma edição forte, mas a adesão internacional, o nível dos atletas e o feedback recebido ultrapassaram aquilo que inicialmente projetámos.
Fight News: Quais foram os maiores desafios na organização de um evento desta dimensão?
Os maiores desafios estiveram relacionados com a logística — gerir um elevado número de participantes, garantir alojamento, transportes, horários e manter a qualidade em todas as vertentes do evento. Além disso, assegurar uma experiência positiva para todos, desde atletas a mestres e público, exige um trabalho de equipa muito rigoroso.
Fight News: O número de participantes foi um dos grandes destaques desta edição. O que representa este crescimento para a capoeira na Europa?
Este crescimento demonstra claramente que a capoeira está em expansão na Europa. Mostra que há cada vez mais praticantes, mais escolas e maior interesse pela modalidade, o que fortalece toda a comunidade e abre portas a novas oportunidades.
Fight News: Sentiu uma maior diversidade internacional entre os participantes? Que importância tem isso para o desenvolvimento da modalidade?
Sim, sem dúvida. Tivemos uma presença internacional muito diversificada, o que é fundamental para o desenvolvimento da capoeira. Essa troca cultural enriquece a modalidade, promove diferentes estilos e aproxima comunidades de várias partes do mundo.
Fight News: De que forma eventos como este contribuem para a valorização da capoeira enquanto expressão cultural e desportiva?
Eventos desta dimensão mostram que a capoeira vai muito além de uma prática física — é cultura, história e identidade. Ao reunir praticantes de vários países, conseguimos dar visibilidade à capoeira como património cultural e também como modalidade desportiva em crescimento.
Fight News: Houve algum momento ou situação durante o evento que a tenha marcado de forma especial e que feedback tem recebido por parte dos atletas, mestres e participantes?
Houve vários momentos marcantes, especialmente a cerimónia de abertura com a presença dos Jovens do Hungo e Batucadeiras Panafrikanistas. O aulão e a campanha pela Paz marcaram o final do evento.
E, durante a Semana da Capoeira, sem dúvida, a ação no Castelo de São Jorge repercutiu bastante.
Fight News: Como vê o atual momento da capoeira a nível europeu e internacional? Acredita que a capoeira está a ganhar maior reconhecimento enquanto modalidade e património cultural?
Vivemos um momento muito positivo. A capoeira está a ganhar cada vez mais reconhecimento popular, tanto no plano desportivo como cultural. Porém, ainda faltam políticas públicas de incentivo e apoio para a expansão da capoeira, que hoje é, sem dúvida, uma das maiores vitrinas do Brasil no exterior.
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Fight News: Já existem planos ou novidades para a próxima edição dos Jogos Europeus de Capoeira? O que gostaria de melhorar ou implementar nas futuras edições?
Agora vamos focar no trabalho realizado aqui em Lisboa. Foram dois anos de dedicação a este grande evento, realizado sem patrocínio e apoio financeiro. Tudo pelo amor à arte capoeira.
Agora o nosso foco está no projeto Capoeira nos Parques, já no verão. É uma ação que começou na pandemia e hoje é uma grande divulgadora da capoeira aqui no centro de Lisboa.
E a edição dos Jogos Europeus do próximo ano irá para Luxemburgo, onde estaremos presentes.
Fight News: Por fim, que mensagem gostaria de deixar a todos os participantes que marcaram presença neste evento e que palavra especial deixa aos colaboradores, equipa organizadora e parceiros que ajudaram a tornar este evento possível?
Gostaria de agradecer profundamente a todos os participantes pela energia e dedicação. Um agradecimento muito especial à equipa organizadora, colaboradores e parceiros — sem eles, nada disto seria possível. E ao presidente fundador, Mestre Camisa, por inspirar e incentivar este festival.
Este evento é o resultado de um esforço coletivo e de uma paixão comum pela capoeira.
Mais do que um marco competitivo, os 27.º Jogos Europeus de Capoeira deixaram em Lisboa uma mensagem clara: a capoeira continua a crescer, a unir culturas e a afirmar-se como uma expressão viva de identidade, história e comunidade. Entre a energia dos participantes, a diversidade internacional e o envolvimento de todos os que contribuíram para o evento, ficou evidente que a modalidade atravessa um momento de expansão e reconhecimento no espaço europeu.
Num contexto marcado por desafios organizativos e pela ausência de apoios financeiros, esta edição destacou-se ainda mais pelo esforço coletivo e pela paixão que move a comunidade. Lisboa não foi apenas palco — foi ponto de encontro, partilha e projeção de futuro.
Com o olhar já voltado para novas iniciativas, como o projeto Capoeira nos Parques, e para a próxima edição no Luxemburgo, os Jogos Europeus de Capoeira reforçam o seu papel enquanto motor de crescimento da modalidade. O legado desta edição permanece não só nos resultados, mas sobretudo nas ligações criadas, na cultura partilhada e na certeza de que a capoeira continua a ganhar espaço, voz e relevância além-fronteiras.