
Num contexto em que os desportos de combate em Portugal continuam a crescer em visibilidade, profissionalização e número de praticantes, a questão da segurança dos atletas ganha cada vez mais relevância. Daniel Ferreira, responsável pela Ximpact Proteções Dentárias, tem sido uma das vozes ativas na promoção da prevenção de lesões, particularmente no que diz respeito ao uso de proteções dentárias feitas à medida.
Com um trabalho consolidado junto de clubes, atletas e eventos, a Ximpact posiciona-se não apenas como fornecedora de equipamento, mas como agente educativo dentro do ecossistema desportivo. Entre inovação tecnológica, como o desenvolvimento digital e a integração de sensores, e a necessidade de maior consciencialização por parte de federações e praticantes, Daniel Ferreira traça um retrato claro do estado atual do setor.
Nesta entrevista à Fight News, abordamos a evolução da empresa, os desafios do mercado e o papel fundamental da prevenção no futuro dos desportos de combate, como Boxe, Kickboxing, Muay Thai, Jiu Jitsu, kempo e MMA em Portugal.

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FightNews: Para quem ainda não conhece a Ximpact, como descreveria a missão da empresa no mercado das proteções dentárias?
A missão da X-Impact no mercado das proteções dentárias é de prevenção. O que nós fazemos é dar informação a clubes, atletas, treinadores e partes administrativas responsáveis sobre como podem prevenir traumas que são inevitáveis caso não se tenha uma proteção feita à medida. Depois, é dar informação da diferença que existe entre uma proteção feita à medida — onde se tira o molde da boca e se constrói uma proteção sobre esse molde — relativamente às proteções que se compram no mercado ou na internet. Muitas vezes até podem contribuir para o trauma exatamente por não ficarem bem ajustadas. Portanto, a nossa grande diferenciação é mostrar porque é que as proteções feitas à medida são superiores. Não só pelo ajuste, mas porque ajudam na respiração, não impactam a performance e permitem ao atleta falar sem estar sempre a retirar a proteção. A missão da X-Impact é informar e trabalhar na prevenção.
FightNews: O que diferencia a Ximpact das restantes opções disponíveis em Portugal e como tem sido o crescimento da empresa desde a sua criação até ao momento?
A grande diferenciação da X-Impact relativamente a outras opções em Portugal, como lojas de desporto, é o trabalho contínuo de desenvolvimento do produto para ir ao encontro das necessidades dos atletas. Trabalhamos para atletas amadores, profissionais e equipas. Criamos proteções duráveis, que não se deformam e que se adaptam ao desporto praticado. Isso tem permitido um crescimento consistente, impulsionado pela qualidade e pela capacidade de adaptação ao mercado.
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FightNews: Quais são os principais objetivos da Ximpact para 2026?
Em 2026 queremos crescer, mas acima de tudo apostar na educação. Em Portugal ainda existe falta de literacia na prevenção. Queremos estar mais próximos de clubes, atletas, treinadores, pais e escolas, para transmitir informação desde cedo. Trabalhar com os mais jovens permitirá criar uma base sólida para o futuro, onde a utilização de proteções feitas à medida seja algo natural e no futuro ter menos resistência e mais uso por parte dos atletas e do ecossistema da luta.
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FightNews: Há novos produtos ou inovações previstos para esta nova época?
Estamos a focar-nos na digitalização do processo, com moldes feitos por scanner, desenho em computador e impressão 3D. Já utilizamos esta tecnologia, mas ainda não atingiu o nível de qualidade desejado. Queremos evoluir esse processo. Também estamos a estudar a integração de chips nas proteções, mas ainda numa fase inicial. O foco imediato será a melhoria do processo digital.
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FightNews: Que iniciativas estão planeadas para esta época desportiva? Pretendem reforçar parcerias com equipas, eventos ou atletas?
Queremos reforçar parcerias com equipas e estar mais presentes no terreno. Participámos recentemente no Youth Rugby Festival, com cerca de 3 mil atletas. Este ano queremos continuar a marcar presença em eventos e convidamos equipas a contactarem-nos. Também pretendemos estar presentes em eventos como a Power Expo, no Porto.
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FightNews: Como analisa o momento atual dos desportos de combate em Portugal?
Os eventos têm-se tornado mais profissionais, com maior qualidade e mais público. Isso traz responsabilidade e crescimento. Temos atletas a destacar-se internacionalmente, como é o caso da Jacqueline Cavalcanti, atleta Top 10 do UFC e que trabalha connosco já há muito tempo. Acredito que Portugal está num bom caminho.


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FightNews: Como vê o hábito dos atletas portugueses no uso de proteções dentárias?
Infelizmente ainda há muitos atletas, seja amadores, seja profissionais, pais, dirigentes e treinadores, que acham que as proteções dentárias são indiferentes, sejam as compradas numa loja ou feitas à medida. E, realmente, muitas vezes só percebem que não são iguais quando já aconteceu um acidente, um trauma ou uma lesão.
Infelizmente ainda há muita gente que acha que uma proteção feita à medida tem um custo muito elevado, o que não é a realidade. E realmente acho que ainda há muito trabalho nesta parte de os atletas perceberem que, tal como usam umas chuteiras, umas luvas de boxe ou um capacete, a proteção dentária é algo que deveria ser considerado para garantir a máxima proteção, ajudando a prevenir ou minimizar traumas.
Ainda existe resistência. Muitos só percebem a importância após uma lesão. Há também a ideia errada de que proteções feitas à medida são caras. Falta consciencialização e, em muitos casos, obrigatoriedade e informação por parte dos responsáveis pelas modalidades.

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FightNews: Quais são os principais desafios para uma empresa como a Ximpact neste setor?
O maior desafio é a consistência e a necessidade constante de educar. Não basta produzir, é preciso informar continuamente atletas, clubes e dirigentes. Acima de tudo, trabalhar muito a partilha de informação com os pais, com os dirigentes, com os clubes e com os atletas, porque essa é a parte mais difícil num negócio como o nosso, onde temos de estar sempre a educar, sempre a informar, ir atrás das pessoas, porque as estruturas mudam, há uma evolução, os atletas mais novos passam de juvenis para seniores, e então é necessário estar constantemente presente, a partilhar informação sobre o porquê de utilizarem proteções.
Portanto, diria que a consistência neste setor é a parte mais difícil, exatamente porque não é só construir a proteção feita à medida, mas também todo um trabalho de base na partilha e transmissão de informação, para que as pessoas percebam por que razão devem utilizar proteções feitas à medida, em vez das proteções compradas em qualquer lado, seja na internet ou em lojas de desporto.

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FightNews: O que ainda falta para que o uso de proteções dentárias seja visto como algo indispensável?
Falta consciencialização por parte das federações e estruturas. A prevenção deveria ser obrigatória em muitos desportos. Uma proteção feita à medida pode reduzir significativamente os traumas. Falta explicar o porquê de se dever usar uma proteção feita à medida, o que se pode ganhar ao utilizá-la e o que se pode perder por não a usar. Explicar que a forma mais simples de prevenir ou reduzir a gravidade dos traumas é através da utilização de uma proteção feita à medida. E que isso pode significar uma grande poupança financeira — não só para os pais e atletas, mas também para seguros e clubes, que podem ficar privados de um atleta durante meses devido a acidentes.

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FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de deixar à comunidade dos desportos de combate em Portugal?
Deixo uma mensagem de união. Os desportos de combate estão a crescer e devem trabalhar em conjunto. A minha recomendação é clara: não descurem as proteções dentárias.
Gostaria também de deixar uma mensagem relativamente à importância da proteção dentária: com uma proteção feita à medida, conseguimos prevenir traumas facilmente. Conseguimos reduzir muito o risco de lesões em treinos, combates e competições, evitando custos elevados com tratamentos e problemas futuros.
Portanto, a minha recomendação é não descuidarem as vossas proteções. Estar prevenido é evitar muitos problemas no futuro, e acredito que essa é a parte mais importante.

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