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CrossPunch regressa ao Golden Girl Championship com ambição renovada

Gonçalo Pinto analisa a participação de quatro atletas da CrossPunch que competem no Golden Girl, na Suécia

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
29/01/2026 às 13h08 Atualizada em 30/01/2026 às 18h53
CrossPunch regressa ao Golden Girl Championship com ambição renovada
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O Golden Girl Championship é um dos torneios internacionais mais prestigiados do Boxe feminino, reunindo anualmente centenas de atletas de todo o mundo em Borås, na Suécia. Em 2026, a equipa portuguesa CrossPunch volta a marcar presença nesta competição de elite, dois anos depois da sua primeira participação. Em entrevista, Gonçalo Pinto, líder e treinador da equipa, fala sobre o significado deste regresso, a evolução das atletas, os desafios do torneio e a ambição de levar o projecto cada vez mais longe no panorama internacional.

FightNews: O CrossPunch vai marcar presença no The Golden Girl Championship, considerado o maior torneio de boxe feminino do mundo. O que representa este momento para todos vocês?

O CrossPunch vai estar presente num dos maiores torneios de Boxe feminino do mundo, se não o maior, com cerca de 500 mulheres em competição. Há dois anos estivemos lá também, em 2023, e as minhas atletas estavam muito verdes. A Sofia estava a estrear-se, a Giovana salvou dois combates e a Beatriz, que já tinha alguns, penso que cerca de 10 combates. Estávamos todos muito verdes. Eu próprio, como treinador a começar, estava muito nervoso, era a minha primeira competição internacional.

Chegámos lá e perdemos os três combates logo na primeira ronda. Para mim, como treinador, foi uma facada. Para elas, como atletas, também foi uma surpresa, porque não sabíamos bem contra quem iríamos lutar. Mas conseguimos dar a volta a isso. Fomos sparring, elas cresceram imenso nesse torneio. Desde então, temos vindo a fazer grandes provas e a nossa prestação aumentou bastante.

Voltar agora à Suécia, dois anos depois, com muito mais combates, tanto elas como atletas como eu enquanto treinador, com mais estudo e uma abordagem ao treino completamente diferente, vai ser espectacular. Estou super entusiasmado e bastante confiante. Duas das quatro atletas vão lutar pelo título da Golden Girl, a Beatriz e a Sofia, já no escalão Elite, porque têm mais de 15 combates. Estamos a treinar muito. As quatro fazem cerca de 11 treinos por semana. Todas têm a sua vida profissional ou académica, o que exige uma grande organização e compromisso. Vai ser espectacular.

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FightNews: Ir competir à Suécia, entre 30 de janeiro e 1 de fevereiro, num palco com esta dimensão internacional, era um objectivo traçado há muito tempo?

Estar neste palco internacional é um grande objectivo de início de época. Todos os anos sentamo-nos, eu peço que me indiquem os seus objectivos individuais e depois traço os objectivos colectivos da equipa. Este é um dos grandes objectivos da época.

É curioso começar logo com a maior meta, mas é fruto de um trabalho contínuo. Vamos encontrar categorias com cerca de 20 adversárias, algo completamente fora do comum para nós. Estamos habituados a campeonatos nacionais com duas ou quatro adversárias. Aqui, temos de esperar pelo sorteio, ver quem nos calha e só depois fazer o estudo. É um enorme desafio e tenho a certeza de que a equipa vai crescer muito. O meu objectivo principal é aprender, crescer e absorver tudo: atletas, estilos, aquecimentos, abordagens dos treinadores. Se der para ganhar, excelente. Vamos para ganhar, mas há vários objectivos envolvidos e estou muito entusiasmado.

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FightNews:Enquanto treinador e líder da equipa, o que sente ao ver o CrossPunch representado neste torneio de elite do boxe feminino?

Sinto um orgulho gigante. Fui atleta de desportos de combate, fiz cerca de 100 combates. Hoje, ver as minhas meninas do CrossPunch a conquistar títulos e a serem faladas em todo o lado emociona-me muito. Ver o símbolo do CrossPunch ao peito delas, ver os braços levantados no final do combate, ver o esforço diário que fazem para nos representar, deixa-me extremamente orgulhoso.

Quando subirem ao ringue para disputar combates com algumas das melhores atletas do mundo, vou estar emocionado, nervoso, feliz, mas acima de tudo muito orgulhoso. Isto não é só dizer o que queremos ser, é trabalhar todos os dias para lá chegar. E elas trabalham diariamente para estar ali.

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FightNews:A CrossPunch terá a presença de quatro atletas. O que pode destacar do percurso e da evolução de cada uma delas?

A Pia é a mais nova. Tem apenas dois combates, 17 anos, e é um diamante em bruto. Tem um talento acima da média e venceu o último torneio internacional em que participou, o Braga Open Boxing. Vai ganhar aqui a experiência que as outras tiveram em 2023.

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A Giovana ainda compete no escalão B. É uma força da natureza, nasceu para lutar Boxe. Tem um talento enorme, anda sempre para a frente, é um verdadeiro trator. É a actual campeã nacional -57kg e promete combates de cortar a respiração.

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A Sofia vem numa série de vitórias impressionante. No último Campeonato Nacional venceu uma atleta que era campeã há 10 anos consecutivos, a Rita Soares, depois de no ano anterior termos perdido para ela. Foi um momento muito emotivo. Está invicta há mais de um ano, em combates de alto nível.

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A Beatriz é a minha primeira atleta. Teve uma paragem de seis meses por Erasmus e está agora a retomar em grande. É extremamente dedicada, nunca entra num combate para não dar tudo. Estou muito orgulhoso da evolução das quatro.

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FightNews:Que valores sente que estas atletas vão levar para dentro do ringue na Suécia?

Valores são fundamentais. Disciplina, humildade e dedicação. Isso é transversal a tudo no Boxe e na vida.

FightNews:Que tipo de desafios espera encontrar no Golden Girl Championship?

Esperamos encontrar as melhores atletas do mundo. Há dez anos assistíamos da bancada; agora vamos estar no ringue com elas. Queremos disputar o título, absorver cada detalhe, cada experiência. É um torneio que faz crescer muito.

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FightNews:Mais do que os resultados, o que considera fundamental que as atletas retirem desta experiência?

Quero que saiam mais maduras, mais experientes. Um combate aqui equivale a 20 ou 30 noutros contextos. Quero que, depois disto, qualquer torneio menor seja confortável para elas. O meu objectivo é elevar tanto o nível que o campeonato nacional pareça pequeno.

FightNews:Esta participação pode abrir portas para novas oportunidades internacionais?

O meu sonho como treinador é levar uma atleta aos Jogos Olímpicos. Acredito que este é o caminho: lutar com as melhores, aprender com os melhores treinadores e crescer. Esta presença é fundamental para afirmar o projecto, elas e também o meu nome no Boxe português.

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FightNews:Para terminar, que mensagem deixa a quem acompanha e apoia o projecto CrossPunch?

Quero agradecer a todos os que nos seguem. Este é um desporto com pouca visibilidade em Portugal. Os atletas sacrificam-se muito e o reconhecimento é escasso. Cada like, cada mensagem, cada aplauso é extremamente gratificante. Obrigado a todos os que nos apoiam. Esperamos estar à altura do vosso carinho.

E obrigado ao Fight News por dar voz a esta modalidade tão injustamente esquecida. Vocês fazem um trabalho fundamental.

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