
A Portimão Box Cup tem vindo a afirmar-se como um dos eventos mais relevantes do calendário nacional e internacional de Boxe. O torneio, que nasceu de uma ideia ambiciosa, é hoje uma referência pela sua dimensão, organização e capacidade de atrair atletas de diferentes países e níveis competitivos.
Nesta entrevista, André Reis, responsável e organizador do evento, partilha a evolução do projeto, os desafios enfrentados e a visão para o futuro daquele que já é um dos maiores palcos do Boxe na europa.

Imagem Instagram Portimão Box Cup
FightNews: A Portimão Box Cup nasceu de uma leitura muito clara do potencial da região. Hoje, sente que já alcançou a visão inicial?
Quando comecei a ir a torneios com os meus atletas ficava sempre com aquele bichinho de “e se fizesse um torneio em Portimão…”. O potencial da cidade era claro, mas dar forma e dimensão a esta ideia foi o desafio.
Quando decidi avançar e passar das ideias para a ação, conseguir um pavilhão, montar um ringue e ter inscrições suficientes para haver a primeira edição da Portimão Box Cup foi uma sensação indescritível. Aqueles 100 atletas, as primeiras equipas a acreditar neste projeto, farão sempre parte da história do torneio e, curiosamente, existem equipas que ano após ano não perdem uma edição.
O feedback de quem vem ao torneio, o passa-a-palavra, fez com que o projeto fosse obrigado a crescer ano após ano, mas queríamos fazê-lo de forma sustentada, inovando todos os anos em algum detalhe. A visão é a mesma desde o primeiro dia: como posso fazer um torneio cada vez com mais qualidade, rigor e que seja uma forma de apresentar o Boxe, a Nobre Arte, a novos e potenciais atletas.
FightNews: Que decisões estratégicas foram fundamentais para o crescimento do evento sem perder qualidade?
Desde a primeira edição que a Portimão Box Cup é para todos os escalões, permitindo manter as linhas do torneio para todos os grupos etários, para as equipas trazerem as famílias, desde as crianças até aos adultos experientes. Assim, as equipas podem vir todas!
As famílias muitas vezes acompanham a equipa e aproveitam para desfrutar da cidade, fazer turismo na época baixa, para além dos dias oficiais do torneio. Isso fez com que a comunidade reconhecesse a importância do evento, que traz mais de 3 mil pessoas num fim de semana de maio, impulsionando a economia local.
Ao longo das edições mudámos de localização para um pavilhão maior, aumentámos o número de ringues e fomos pioneiros na criação de uma plataforma de registo de atletas e eventos de Boxe. Tomámos decisões para garantir que as equipas chegam, fazem a acreditação de forma rápida, que a pesagem decorre com fluidez e que os combates acontecem sem atrasos.
Quisemos primar pela qualidade e passar de 100 atletas para 1200 demorou 5 anos. De 1 ringue para 6 ringues mostra bem a preocupação em dar condições e reduzir tempos de espera.
FightNews: Que princípios são inegociáveis para garantir o rigor competitivo?
Existem várias questões que podem comprometer o rigor competitivo. A primeira é a transparência na experiência dos atletas. Quando se chega ao nível de elite isso não é problema, mas para um atleta iniciante pode haver grandes diferenças.
Para minimizar isso, temos três níveis de experiência dentro de cada escalão. Existe a obrigação de apresentar prova do número de combates e todos os atletas têm de apresentar autorizações das suas associações ou federações.
A segunda grande questão é a arbitragem. Boas decisões fazem os atletas sentirem-se respeitados. Todos os anos trazemos árbitros internacionais reconhecidos pelo seu rigor, muitos dos quais aproveitam para desfrutar do Algarve.
FightNews:Qual a importância de manter um evento que junta formação e elite?
O Boxe começa exatamente nos mais jovens. O futuro da modalidade está na formação e em Portugal ainda existe algum estigma de que é violento. Felizmente essa imagem está a mudar.
Noutros países existe boxe de formação que ensina técnica desde cedo. França, Inglaterra e Espanha são exemplos onde os jovens chegam com muitos combates acumulados.
A Portimão Box Cup não vai mudar de identidade. Queremos juntar todos os escalões e temos orgulho em ser o primeiro torneio de muitos atletas. Este ano abrimos aos benjamins a pedido das equipas.
No futuro, não fechamos portas a uma edição exclusiva para elites, seleções ou até feminina, mas sem descurar o evento principal.
FightNews:Que expectativas tem para esta edição?
Continuamos a crescer ano após ano e isso traz responsabilidade. Queremos manter o rigor, a qualidade e a proximidade que nos caracteriza.
Queremos que os atletas sintam a intensidade do torneio, evoluam e ao mesmo tempo desfrutem da experiência.
FightNews:Que novidades traz esta edição?
Este ano introduzimos mais um ringue, passando a seis no total. Apostámos numa melhoria da zona de aquecimento e sparring.
Vamos continuar a transmitir os combates gratuitamente, algo que fazemos desde a primeira edição.
Também vamos inovar na parte menos visível: o staff, essencial para o funcionamento do evento. A exigência do público faz-nos procurar constantemente novas soluções.
FightNews:Que impacto pode o torneio ter no Boxe português?
Portugal tem mostrado que é dos melhores organizadores de eventos de Boxe da Europa. Estamos cada vez mais no radar de países com tradição.
A Portimão Box Cup mostra que há qualidade, rigor e crescimento. O torneio permite aos atletas portugueses competir com os melhores, com diferentes estilos e intensidades.
Este ano, as equipas portuguesas perceberam a dimensão do evento: passámos de 10 para 33 equipas.
FightNews:Que mensagem deixa aos participantes e ao público?
Aos que não podem vir, acompanhem a transmissão dos combates. Ao público e aos participantes, simplesmente desfrutem. Trabalhamos o ano todo para vos dar o melhor torneio de sempre!

A Portimão Box Cup é hoje muito mais do que um torneio: é uma plataforma de crescimento, inclusão e afirmação do Boxe em Portugal. Com uma visão clara, foco na qualidade e aposta na formação, André Reis tem conseguido transformar uma ideia num evento de referência internacional.
O futuro promete ainda mais inovação e expansão, mas sem perder a essência que tornou o torneio único: paixão pela modalidade, rigor organizativo e uma experiência marcante para atletas e público.








