
O consumo de suplementos alimentares em Portugal tornou-se um hábito regular para uma parte significativa da população. Segundo um inquérito recente da DECO PROteste em colaboração com o grupo Euroconsumers, um em cada dois portugueses tomou suplementos alimentares nos últimos dois anos, refletindo uma mudança clara nos comportamentos de saúde, bem-estar e prática desportiva.
O estudo, realizado em maio de 2025, reuniu 3.990 respostas válidas, das quais 938 em Portugal, permitindo analisar padrões de consumo, motivações, níveis de satisfação e fontes de informação dos consumidores.
Os dados revelam que os suplementos mais utilizados são sobretudo aqueles associados à manutenção da saúde geral:
Vitaminas (B, C, D…) — 89%
Proteínas — 48%
Minerais (cálcio, ferro, magnésio…) — 41%
Ácidos gordos essenciais (ómega-3, óleo de peixe) — 37%
Probióticos — 36%
Extratos de plantas — 24%
Aminoácidos — 23%
As vitaminas surgem como líderes absolutas, enquanto as proteínas continuam fortemente ligadas à prática desportiva e ao treino regular.
Contrariamente à perceção de que a suplementação está associada apenas ao desporto de alto rendimento, o estudo mostra um padrão diferente. As principais razões apontadas pelos consumidores são:
Aumentar vitalidade e energia — 62%
Compensar carências vitamínicas — 58%
Reforçar o sistema imunitário — 52%
Compensar carências minerais — 41%
Melhorar o desempenho desportivo — 30%
Outros motivos incluem controlo do stress, questões estéticas, perda de peso e melhoria do sono, o que confirma que a suplementação é usada maioritariamente como apoio ao estilo de vida quotidiano.
A compra continua a privilegiar os canais físicos, com 69% dos consumidores a adquirir suplementos em farmácias ou supermercados, embora a compra online tenha um peso crescente.
O gasto médio anual ronda os 120 euros, com uma distribuição bastante equilibrada entre consumidores ocasionais e utilizadores regulares. Cerca de 14% afirmam gastar mais de 200 euros por ano, o que confirma que a suplementação deixou de ser um consumo pontual.
A maioria dos consumidores declara estar globalmente satisfeita com os suplementos que utiliza:
59% indicam elevada satisfação global
73% referem ausência de efeitos secundários
55% estão satisfeitos com a duração dos tratamentos
No entanto, o preço surge como o principal fator de insatisfação, sendo o único indicador onde a avaliação negativa tem peso relevante.
A suplementação alimentar tem uma presença relevante no universo desportivo em Portugal, sobretudo entre praticantes regulares de exercício físico e atletas amadores.
Segundo o inquérito da DECO PROteste:
30% dos consumidores recorrem a suplementos com o objetivo de melhorar o desempenho desportivo
48% dos inquiridos consumiram proteínas, um dos produtos mais associados ao treino e à recuperação muscular
23% recorreram a aminoácidos, frequentemente ligados à resistência, força e recuperação
Minerais como magnésio, cálcio e ferro surgem entre os mais utilizados para prevenir fadiga e compensar perdas associadas ao esforço físico
Apesar destes números, o estudo indica que uma parte significativa dos desportistas consome suplementos sem um plano nutricional estruturado, muitas vezes baseando-se em informação online ou recomendações informais. Especialistas alertam que, no contexto desportivo, a suplementação deve ser ajustada ao tipo de treino, intensidade, frequência e necessidades individuais, sob risco de consumo excessivo ou ineficaz.
O estudo revela um dado aparentemente positivo: 63% dos consumidores iniciaram a suplementação por recomendação de um profissional de saúde (médico, farmacêutico ou nutricionista).
Contudo, quando analisadas as fontes de informação, surgem sinais de alerta:
Internet — 57%
Farmacêutico — 39%
Nutricionista — 25%
Redes sociais e influencers — 14%
Este desfasamento sugere que, apesar da recomendação inicial ser profissional, a consolidação das decisões e expectativas acontece frequentemente através de conteúdos digitais nem sempre validados cientificamente.
Para Joel Santos, responsável pela Nutriforma, estes dados refletem uma realidade que o setor acompanha de perto:
“Os números mostram que os portugueses estão mais atentos à saúde e dispostos a investir nela. O desafio não é o consumo em si, mas a qualidade da informação que chega ao consumidor. Suplementos não substituem uma alimentação equilibrada e devem ser usados com critério, adequados às necessidades reais de cada pessoa.”
Segundo o responsável, a crescente procura reforça a importância de educação nutricional, transparência na rotulagem e orientação adequada, sobretudo num mercado cada vez mais diversificado.
O inquérito traça o perfil de um consumidor interessado, ativo e atento à saúde, mas que ainda enfrenta dificuldades em distinguir informação credível de promessas excessivas.
O crescimento do mercado de suplementos alimentares em Portugal é evidente. A questão que se coloca, agora, não é se os portugueses vão continuar a consumir, mas como vão fazê-lo e com que nível de informação.