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O país dos suplementos: metade dos portugueses já consome regularmente

Um retrato dos hábitos, motivações e gastos dos portugueses com suplementos alimentares.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação FightNews
12/01/2026 às 13h23 Atualizada em 17/01/2026 às 11h00
O país dos suplementos: metade dos portugueses já consome regularmente

O consumo de suplementos alimentares em Portugal tornou-se um hábito regular para uma parte significativa da população. Segundo um inquérito recente da DECO PROteste em colaboração com o grupo Euroconsumers, um em cada dois portugueses tomou suplementos alimentares nos últimos dois anos, refletindo uma mudança clara nos comportamentos de saúde, bem-estar e prática desportiva.

O estudo, realizado em maio de 2025, reuniu 3.990 respostas válidas, das quais 938 em Portugal, permitindo analisar padrões de consumo, motivações, níveis de satisfação e fontes de informação dos consumidores.

Que suplementos os portugueses mais consomem

Os dados revelam que os suplementos mais utilizados são sobretudo aqueles associados à manutenção da saúde geral:

  • Vitaminas (B, C, D…) — 89%

  • Proteínas — 48%

  • Minerais (cálcio, ferro, magnésio…) — 41%

  • Ácidos gordos essenciais (ómega-3, óleo de peixe) — 37%

  • Probióticos — 36%

  • Extratos de plantas — 24%

  • Aminoácidos — 23%

As vitaminas surgem como líderes absolutas, enquanto as proteínas continuam fortemente ligadas à prática desportiva e ao treino regular.

Motivações: bem-estar antes da performance

Contrariamente à perceção de que a suplementação está associada apenas ao desporto de alto rendimento, o estudo mostra um padrão diferente. As principais razões apontadas pelos consumidores são:

  • Aumentar vitalidade e energia — 62%

  • Compensar carências vitamínicas — 58%

  • Reforçar o sistema imunitário — 52%

  • Compensar carências minerais — 41%

  • Melhorar o desempenho desportivo — 30%

Outros motivos incluem controlo do stress, questões estéticas, perda de peso e melhoria do sono, o que confirma que a suplementação é usada maioritariamente como apoio ao estilo de vida quotidiano.

Onde compram e quanto gastam

A compra continua a privilegiar os canais físicos, com 69% dos consumidores a adquirir suplementos em farmácias ou supermercados, embora a compra online tenha um peso crescente.

O gasto médio anual ronda os 120 euros, com uma distribuição bastante equilibrada entre consumidores ocasionais e utilizadores regulares. Cerca de 14% afirmam gastar mais de 200 euros por ano, o que confirma que a suplementação deixou de ser um consumo pontual.

Satisfação elevada, mas preço é o ponto crítico

A maioria dos consumidores declara estar globalmente satisfeita com os suplementos que utiliza:

  • 59% indicam elevada satisfação global

  • 73% referem ausência de efeitos secundários

  • 55% estão satisfeitos com a duração dos tratamentos

O papel da suplementação entre desportistas

No entanto, o preço surge como o principal fator de insatisfação, sendo o único indicador onde a avaliação negativa tem peso relevante.

A suplementação alimentar tem uma presença relevante no universo desportivo em Portugal, sobretudo entre praticantes regulares de exercício físico e atletas amadores.

Segundo o inquérito da DECO PROteste:

  • 30% dos consumidores recorrem a suplementos com o objetivo de melhorar o desempenho desportivo

  • 48% dos inquiridos consumiram proteínas, um dos produtos mais associados ao treino e à recuperação muscular

  • 23% recorreram a aminoácidos, frequentemente ligados à resistência, força e recuperação

  • Minerais como magnésio, cálcio e ferro surgem entre os mais utilizados para prevenir fadiga e compensar perdas associadas ao esforço físico

Apesar destes números, o estudo indica que uma parte significativa dos desportistas consome suplementos sem um plano nutricional estruturado, muitas vezes baseando-se em informação online ou recomendações informais. Especialistas alertam que, no contexto desportivo, a suplementação deve ser ajustada ao tipo de treino, intensidade, frequência e necessidades individuais, sob risco de consumo excessivo ou ineficaz.

Quem recomenda… e onde se informam

O estudo revela um dado aparentemente positivo: 63% dos consumidores iniciaram a suplementação por recomendação de um profissional de saúde (médico, farmacêutico ou nutricionista).

Contudo, quando analisadas as fontes de informação, surgem sinais de alerta:

  • Internet — 57%

  • Farmacêutico — 39%

  • Nutricionista — 25%

  • Redes sociais e influencers — 14%

Este desfasamento sugere que, apesar da recomendação inicial ser profissional, a consolidação das decisões e expectativas acontece frequentemente através de conteúdos digitais nem sempre validados cientificamente.

 

Um mercado em crescimento que exige mais literacia

Para Joel Santos, responsável pela Nutriforma, estes dados refletem uma realidade que o setor acompanha de perto:

“Os números mostram que os portugueses estão mais atentos à saúde e dispostos a investir nela. O desafio não é o consumo em si, mas a qualidade da informação que chega ao consumidor. Suplementos não substituem uma alimentação equilibrada e devem ser usados com critério, adequados às necessidades reais de cada pessoa.”

Segundo o responsável, a crescente procura reforça a importância de educação nutricional, transparência na rotulagem e orientação adequada, sobretudo num mercado cada vez mais diversificado.

Um retrato claro do consumidor português

O inquérito traça o perfil de um consumidor interessado, ativo e atento à saúde, mas que ainda enfrenta dificuldades em distinguir informação credível de promessas excessivas.

O crescimento do mercado de suplementos alimentares em Portugal é evidente. A questão que se coloca, agora, não é se os portugueses vão continuar a consumir, mas como vão fazê-lo e com que nível de informação.

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