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Jogos Europeus e Euro-Brasileiros 2026: maturidade, legado e responsabilidade cultural

Professora Minnie, organizadora do evento, faz o balanço da edição histórica de 2025 e antecipa os desafios e os valores da 27.ª edição, que volta a realizar-se em Lisboa.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
06/01/2026 às 08h27 Atualizada em 07/01/2026 às 17h22
Jogos Europeus e Euro-Brasileiros 2026: maturidade, legado e responsabilidade cultural
Arte Gráfica e identidade visual : Fernando Genuma

Após uma 26.ª edição amplamente reconhecida como um sucesso absoluto, os Jogos Europeus e Euro-Brasileiros afirmaram-se como um dos momentos mais relevantes da Abadá-Capoeira no continente europeu. Em entrevista, a professora Minnie, organizadora do evento, faz um balanço profundo da edição de 2025 e partilha a sua visão estratégica, cultural e humana para a 27.ª edição, marcada para Abril, novamente em Lisboa.

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FightNews: A 26.ª edição dos Jogos Europeus e Euro-Brasileiros, realizada em 2025, foi amplamente reconhecida como um sucesso absoluto. Que balanço fazem dessa edição histórica e o que ela revelou sobre o momento atual da Abadá-Capoeira na Europa?

A 26.ª edição foi, sem dúvida, um marco histórico. O elevado número de participantes, a diversidade de países representados e a intensidade cultural do evento demonstraram que a Abadá-Capoeira vive um momento de maturidade e, principalmente, de consistente renovação na Europa. Mais do que números, revelou-se uma comunidade coesa, consciente das suas raízes e confiante na sua capacidade de dialogar com diferentes contextos culturais. Foi a confirmação de que a Abadá-Capoeira na Europa não é apenas uma extensão do Brasil, mas um território vivo de criação, identidade e responsabilidade cultural.

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FightNews: Partindo desse resultado tão forte em 2025, o que essa edição bem-sucedida mudou na forma de pensar e projetar o evento para 2026?

O sucesso de 2025 trouxe-nos, na realidade, uma grande responsabilidade. A edição de 2026 é pensada com ainda mais atenção ao detalhe, à qualidade da experiência e ao contacto entre os capoeiristas. Verificámos que as pessoas procuram profundidade nos conteúdos, não apenas o trabalho físico. Isso levou-nos a reforçar a equipa de convidados que ministrarão as aulas, projetando um evento mais consistente e alinhado com os valores da Abadá-Capoeira.

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FightNews: Que tipo de crescimento desejam ver materializado nesta 27.ª edição: simbólico, cultural ou estrutural?

Idealmente, os três. No plano simbólico, queremos consolidar o reconhecimento da capoeira como património vivo e linguagem universal. Culturalmente, desejamos ampliar o diálogo com outras expressões artísticas e comunidades locais. Estruturalmente, pretendemos fortalecer redes, melhorar condições de acolhimento e deixar bases sólidas para futuras edições. O crescimento que buscamos é integrado e com sentido.

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FightNews: Que valores centrais a edição de 2026 pretende reforçar num contexto europeu cada vez mais diverso e multicultural?

A edição de 2026 reforça valores como respeito, ancestralidade, inclusão, disciplina e escuta. Num contexto europeu diverso, a capoeira afirma-se como espaço de encontro, onde as diferenças não são apagadas, mas celebradas. Queremos reforçar a ideia de unidade, responsabilidade coletiva e transmissão consciente do conhecimento.

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FightNews: Em termos de programação, o que o público pode esperar de novas experiências ou aprofundamentos em 2026?

O público pode esperar um maior equilíbrio entre competição, formação e vivência cultural. Haverá aprofundamento técnico nas competições, treinos ainda mais contextualizados, formações que abordam não apenas o corpo, mas também a história e a musicalidade, além de atividades culturais paralelas que aproximam a capoeira de outras artes da mesma raiz afro-indígena-brasileira. E, claro, muitas rodas ao longo de todo o evento.

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FightNews: Lisboa volta a acolher o evento em 2026. Como pretendem aprofundar a relação entre a cidade e a presença da capoeira durante o festival?

Lisboa é, literalmente, um enorme palco cultural. A nossa intenção é ocupar a cidade de forma sensível e respeitosa, criando pontes com os seus espaços históricos, culturais e comunitários. A capoeira dialoga naturalmente com a história de Lisboa — uma cidade de encontros, migrações e resistência — e queremos que essa relação seja visível e sentida durante todo o festival.

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FightNews:Qual será o papel estratégico do Armazém Cultural de Lisboa na edição de 2026?

O Armazém Cultural é um território de resistência e criação. Em 2026, terá um papel central não só como espaço físico de atividades, mas como polo de articulação cultural, preparação e legado. É ali que muitas ideias ganham corpo, onde a capoeira se cruza com outras linguagens e onde se constrói memória para além do evento.

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FightNews: Estão previstas evoluções ou ajustes no formato competitivo para 2026?

Sim, sempre com muito cuidado. A competição na Abadá-Capoeira não é um fim em si mesma, mas um meio de expressão. Para 2026, pela primeira vez, os Jogos Europeus serão abertos a todos os integrantes da Abadá-Capoeira, de qualquer parte do mundo. Serão duas competições paralelas, onde os capoeiristas brasileiros disputarão os Jogos Euro-Brasileiros e os capoeiristas de outras nacionalidades participarão nos Jogos Europeus.

FightNews:Que legado a 27.ª edição pretende deixar para a capoeira na Europa e para as próximas gerações?

Queremos deixar um legado de consciência cultural, organização sólida e inspiração. Que as próximas gerações encontrem estruturas mais fortes, referências éticas bem definidas e a certeza de que é possível crescer sem perder a essência. O maior legado é mostrar que a capoeira pode evoluir com responsabilidade e profundidade.

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FightNews:Num plano mais pessoal: o que significa liderar a 27.ª edição num momento de tanta afirmação da capoeira?

Liderar esta edição é uma honra e uma grande responsabilidade. Significa cuidar de um legado construído por muitas mãos e muitas histórias. É estar ao serviço da capoeira, alinhada com a nossa Escola Abadá-Capoeira e com os valores que nos trouxeram até aqui. Num momento de grande visibilidade, liderar é, acima de tudo, saber escutar, preservar e projetar com humildade e visão. Agradecemos, em especial, ao Mestre Camisa pela oportunidade e confiança.

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