Quarta, 24 de Junho de 2026
18°C 22°C
Cascais, 11
Publicidade

Beatriz Almeida: “O Boxe trouxe-me força, foco e uma nova forma de ver a vida”

Atleta mais experiente do Boxe feminino da Crosspunch fala sobre a sua trajetória, o crescimento da modalidade entre as mulheres e o poder transformador do desporto.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
07/11/2025 às 18h43 Atualizada em 15/11/2025 às 11h50
Beatriz Almeida: “O Boxe trouxe-me força, foco e uma nova forma de ver a vida”
Instagram

Beatriz Almeida é uma das figuras mais experientes do Boxe feminino da Crosspunch e um dos rostos da geração de atletas que estão a transformar o panorama da modalidade feminina em Portugal. Determinada, disciplinada e apaixonada pelo desporto, Beatriz vê no Boxe mais do que competição — uma forma de crescimento pessoal e de superação.

Nesta conversa, a atleta fala sobre as origens da sua jornada, os desafios, o impacto do Boxe na sua vida e o papel fundamental das mulheres neste universo em expansão.

Imagem Instagram

FightNews: Como chegaste ao Boxe?

Beatriz Almeida: Nunca tinha ponderado, sequer, o Boxe. Acho que na realidade nunca tinha ouvido falar em Portugal, muito menos para mulheres. Sempre fiz desporto, os meus pais sempre me passaram esse valor tão importante. Estive na ginástica dois anos, mas nunca senti aquela ligação com o desporto, não puxava por mim. Queria mudar, mas não sabia para quê.
A minha mãe deu-me uma semana para eu escolher. Ao fim dessa semana eu ainda não me tinha decidido, então basicamente obrigou-me a experimentar Boxe com a minha tia, que na altura andava no Boavista. Desde aí, já passaram quase 10 anos, e não largo tão cedo.

Imagem Instagram

FightNews: O Boxe mudou alguma coisa na tua vida? Se sim, o quê?

Beatriz Almeida: O Boxe tem vindo a moldar a minha vida. Envolve tantos aspetos que é inevitável mudar alguns. É preciso ter um foco e determinação que não se deixem influenciar por opiniões e comentários de outras pessoas. Às vezes, ter audição seletiva e filtrar o que ouvimos é a solução para o nosso bem-estar.
A organização do tempo é essencial. Quer na altura em que estava no secundário, na faculdade, e agora no estágio, é preciso gerir prioridades e fazer escolhas que noutra circunstância não seriam necessárias. São mudanças que acabam por surgir de forma natural e que na rotina do dia a dia se tornam a normalidade.

FightNews: Como é treinar num ginásio onde há várias mulheres?

Beatriz Almeida: Não há melhor! Estar rodeada de colegas e amigas que me fazem ser melhor atleta não tem preço. Todas sabemos pelo que as outras estão a passar, o que torna mais fácil ajudarmo-nos umas às outras.
E fico ainda mais contente por ser um ginásio tão representado por nós, mulheres. Gosto da ideia de desmistificar meninas a fazerem um desporto “violento”.

FightNews: Achas que ter muitas mulheres na equipa faz diferença em relação a clubes onde há poucas?

Beatriz Almeida: 100%. Não só pelo treino, que acaba por ser mais adaptado à nossa realidade, mas também pelo apoio que conseguimos dar umas às outras. Todos os nossos colegas de equipa têm valor nos treinos — os mais iniciados, os mais novos, os mais experientes, os mais pesados — mas as minhas meninas têm aquela dinâmica e intensidade diferente.

Imagem Instagram

FightNews: Isso ajuda na motivação e na melhoria no treino diário?

Beatriz Almeida: Tenho a certeza que somos as maiores apoiadoras umas das outras. Eu puxo por uma, a outra puxa pela outra, e assim é que vamos evoluindo a cada treino.

FightNews: Há mais espírito de apoio ou também alguma rivalidade entre vocês?

Beatriz Almeida: A única competição é connosco próprias, com as nossas versões diferentes. Entre nós não há nada para além de apoio e motivação. A rivalidade deixamos para cima do ringue.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Porque decidiste participar em competições de Boxe?

Beatriz Almeida: Foram muitos anos antes de finalmente decidir participar em competições. Muitos anos de treinos e muitos anos a ouvir o Gonçalo a dizer “Tiz, o que achas?” ou “Tiz, estás pronta?”.
Decidi começar aos poucos. Participei numa competição interna da Crosspunch e foi aí que comecei a perceber que se calhar estava a ficar mais confiante. Mais uma edição passou e finalmente ganhei aquele bichinho de experimentar a sério. A partir daí, a verdadeira preparação começou.

Imagem instagram

FightNews: O que achas que mudou em ti desde que começaste a competir?

Beatriz Almeida: Estou muito, muito mais confiante em mim própria! Sinto que consigo fazer o que eu quiser, em qualquer área da minha vida. Ajudou-me a mudar a minha perspetiva sobre mim mesma. Sou sim forte, sou sim capaz, e consigo sim fazer tudo.

FightNews: Fora do vosso clube, ainda há poucas mulheres no Boxe em Portugal. O que achas que poderia ser feito para mudar isso?

Beatriz Almeida: Acho que muitas mulheres ainda associam o Boxe a um desporto masculino, e esse é o maior desafio e limitação para o Boxe feminino crescer em Portugal. O mais importante é dar visibilidade ao desporto e mostrar que o Boxe não tem género. Só é preciso vontade de aprender e de crescer e acreditar que podemos fazer coisas novas e diferentes.

Imagem instagram

FightNews: Achas importante trazer mais mulheres para o Boxe? Porquê?

Beatriz Almeida: Mais mulheres no Boxe só enriqueceriam a modalidade. Não há nada mais importante do que isso. Não só ajudaria a diminuir o estigma de mulheres em desportos de combate, como também traria novas ferramentas para as atletas já presentes na modalidade.

FightNews: Que medidas poderiam ajudar a aumentar o número de praticantes femininas?

Beatriz Almeida: Nunca tinha pensado neste assunto, por acaso. Pensando por mim, e no que me poderia ter feito querer juntar-me ao Boxe, acho que poderia ser interessante realizar visitas a escolas, com demonstrações e treinos iniciais. Seria uma dinâmica simples e envolvente que não só traria reconhecimento ao desporto, como a possibilidade de aumentar o número de praticantes.

Imagem Instagram

FightNews: No Boxe, não existem apenas atletas — também há árbitros, treinadores, líderes de clubes e organizadores de eventos. Vês-te um dia num desses papéis?

Beatriz Almeida: Para já, ainda sinto que tenho muito para dar no Boxe amador como atleta. Paralelamente, acabei agora a licenciatura e estou a começar a minha carreira profissional.
Gosto de partilhar o desporto e de espalhar conhecimento. Não tenho planos, para já, de mudar para uma função de liderança no Boxe, mas no futuro, nunca se sabe.

FightNews: Que mensagem deixarias a uma rapariga ou mulher que nunca experimentou Boxe?

Beatriz Almeida: Experimentar não custa. O Boxe tem aquele brilho que te pode surpreender. O processo de aprender é divertido. Vais crescer e sentir-te forte. Quebra normas e sê diferente. Conseguimos tudo. Tu, consegues tudo.

Imagem Instagram

FightNews: Quais são, para ti, as maiores vantagens de praticar Boxe?

Beatriz Almeida: O Boxe trouxe-me, e traz-me, muita coisa boa — física e mental. Desenvolvi a minha coordenação e atenção, melhorei o meu condicionamento físico e ganhei um sítio onde posso descarregar qualquer stress ou preocupação que tenha.
O Boxe ensina disciplina, respeito e autocontrolo. É sobre superar limites, ganhar confiança e descobrir uma versão mais forte de nós mesmos.

Com quase uma década de dedicação à modalidade, Beatriz Almeida representa a força, a resiliência e a paixão que impulsionam o Boxe feminino em Portugal. No ringue ou fora dele, é um exemplo de determinação e inspiração para todas as mulheres que desejam quebrar barreiras e provar que o desporto — e o sucesso — não têm género.

Imagem Instagram

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias