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Cláudia Freitas: “O boxe é muito mais do que um desporto — é uma forma de vida”

A atleta do CrossPunch fala sobre o seu percurso no Boxe, o crescimento das mulheres na modalidade e a importância de continuar a promover o desporto feminino em Portugal.

Redação
Por: Redação Fonte: Miriam Rautenberg
06/11/2025 às 17h56 Atualizada em 11/11/2025 às 12h36
Cláudia Freitas: “O boxe é muito mais do que um desporto — é uma forma de vida”
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Com três anos e meio de dedicação ao Boxe, Cláudia Freitas é um exemplo de determinação, equilíbrio e paixão. A atleta do CrossPunch encontrou na modalidade uma fonte de disciplina, força e autoconhecimento. Em entrevista, partilhou como o Boxe transformou a sua rotina, a importância da união entre mulheres no desporto e os próximos passos da sua trajetória — agora prestes a despedir-se da competição para, quem sabe, assumir o papel de treinadora.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

Início no boxe

FightNews: Como chegaram ao boxe?

Sempre senti curiosidade em praticar desportos de combate. Já treinava musculação há algum tempo no ginásio e fazia algumas aulas de bodycombat.
Em conversa com amigos e conhecidos, recomendaram-me o CrossPunch como uma boa escola para começar — com um excelente ambiente e espírito de equipa. Experimentei, adorei, e desde então pratico boxe no CrossPunch! Já lá vão três anos e meio.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: O boxe mudou alguma coisa na vossa vida? Se sim, o quê?

Sim. Tive de fazer algumas adaptações na rotina para conseguir integrar os cinco treinos de boxe por semana, conciliando com os treinos de musculação (que continuo a fazer à parte), o trabalho e a vida familiar.
Com organização e disciplina, tudo se consegue!
O apoio da família é também fundamental — e o meu marido tem sido uma peça-chave em todo este processo.

Experiência no ginásio & dinâmica feminina

FightNews: Como se sentem a treinar no vosso ginásio, onde há várias mulheres?

O CrossPunch tem um ótimo ambiente, um forte espírito de equipa e excelentes colegas — sejam homens ou mulheres. Mas gosto especialmente de estar rodeada por mulheres fortes fisicamente, e temos uma equipa feminina muito coesa e determinada, da qual tenho muito orgulho.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Acham que ter muitas mulheres na equipa faz diferença em comparação com clubes onde há apenas uma ou poucas?

Pode ser um fator de diferenciação. Como a competição é dividida por sexos, quando conseguimos replicar essas condições — tanto em peso como em género — criamos um ambiente de treino mais próximo da realidade competitiva, o que acaba por ser uma vantagem.

FightNews: Isso ajuda na motivação e na melhoria no treino diário?

Sim, sem dúvida.

FightNews: Há mais espírito de apoio ou também mais rivalidade entre vocês?

Há um forte espírito de apoio entre as atletas femininas. Somos exigentes, queremos evoluir e puxamos muito umas pelas outras — sempre com respeito e companheirismo.

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Competição & impacto

FightNews:Porque decidiram participar em competições de boxe?

Comecei por participar em competições internas na escola e fiquei com o “bichinho” da competição. Sou uma pessoa naturalmente competitiva e apaixonei-me pelo desporto e por toda a preparação que envolve competir no boxe. A preparação é dura, mas extremamente recompensadora — e acredito que nos dá muitas ferramentas úteis para a vida.

FightNews:O que acreditam que mudou em vocês desde que começaram a competir?

Sinto-me muito mais confiante. O boxe é um desporto completo e exigente, e a competição trouxe-me muitas competências, tanto físicas como mentais.
Tornei-me mais organizada, ganhei maior respeito pela condição física, pela saúde e pela alimentação.
Além disso, fiz novas amizades que se tornaram muito importantes para mim.

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Visão sobre o boxe feminino em Portugal

FightNews: Fora do vosso clube, ainda há poucas mulheres no boxe em Portugal. O que acham que poderia ser feito para mudar isso?

A partilha de testemunhos de atletas femininas pode ajudar a desmistificar a ideia de que o boxe é apenas “andar à porrada”. Muitas mulheres não experimentam porque têm essa perceção de agressividade.
Seria interessante promover mais ações conjuntas entre clubes, reunindo atletas femininas, e talvez realizar demonstrações de boxe nas escolas para aproximar a modalidade do público jovem.

FightNews:Acham importante trazer mais mulheres para o boxe? Porquê?

Sim, é muito importante — por várias razões. Mesmo sem a vertente competitiva, o boxe é uma modalidade extremamente completa: melhora a condição física, aumenta a concentração e os reflexos, fortalece a autoestima e promove o espírito de equipa.
Na vertente competitiva, é essencial termos mais mulheres para garantir atletas em todas as categorias de peso e permitir a evolução através de mais combates. Atualmente há um grande desequilíbrio entre o número de atletas masculinos e femininos. Mais atletas significam mais combates e mais progresso para todas.

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FightNews:Que medidas poderiam realmente ajudar a aumentar o número de praticantes femininas?

A presença de mais mulheres em diferentes papéis — árbitras, treinadoras, dirigentes — poderia inspirar e atrair mais público feminino para o boxe.

Outros papéis no boxe & futuro

FightNews: No boxe não existem apenas atletas – também há árbitros, treinadores, líderes de clubes e organizadores de eventos. Conseguem imaginar-se a assumir algum destes papéis no futuro?

Gosto muito da modalidade e da competição. Infelizmente, este será o meu último ano de competição, uma vez que o boxe amador tem limite de idade (40 anos). O papel de treinadora poderá ser o próximo passo — uma forma de continuar envolvida na modalidade.

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FightNews: Qual é a vossa opinião sobre o facto de ainda haver poucas mulheres nestas funções?

O boxe foi, durante muitos anos, um desporto maioritariamente masculino. Por isso, é natural que ainda existam poucas mulheres nesses cargos. Mas com o crescente interesse feminino nas mais diversas modalidades, acredito que é apenas uma questão de tempo até vermos mais mulheres em funções de liderança.

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FightNews: Como é que isso poderia ser fortalecido?

Seria importante começar cedo, fomentando o contacto com o boxe nas escolas. Lembro-me de ter experimentado judo no secundário e de ter adorado. Foi uma breve experiência, mas deu-me a oportunidade de conhecer melhor a modalidade. O mesmo poderia acontecer com o boxe — integrando-o em programas escolares, ao lado de outros desportos.

FightNews: Gostariam, após a carreira de atletas, de continuar no boxe numa função de liderança?

Sim, tenho curiosidade em assumir o papel de treinadora. Algo que vou ponderar com muito carinho após o percurso como atleta.

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Mensagem final para outras mulheres

FightNews:Que mensagem deixariam a uma rapariga ou mulher que nunca experimentou boxe?

Diria para perderem o medo e arriscarem experimentar. O boxe é um desporto muito completo, uma ótima forma de ficar em forma e uma excelente terapia para aliviar o stress do dia a dia — seja do trabalho, seja das responsabilidades familiares.

FightNews: Quais são, para vocês, as maiores vantagens de praticar boxe?

O aumento da autoestima, a melhoria da condição física, o espírito de equipa e a criação de novas amizades.
Existe um forte sentido de entreajuda no boxe, que faz toda a diferença.

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