
Salvador Guerreiro escreveu o seu nome na história das artes marciais ao conquistar a medalha de ouro no 10° Campeonato Mundial de Kung Fu Tradicional, realizado na China — o berço desta ancestral disciplina. A vitória representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um marco para o Kung-fu português, demonstrando o nível de excelência e dedicação dos atletas nacionais.
De regresso a casa, Salvador que representa a equipa Espaço Reaj, partilhou connosco as suas emoções, reflexões e objetivos futuros nesta conversa inspiradora.
FightNews: Salvador, em primeiro lugar, parabéns pela medalha de ouro! Como descreves a sensação de subir ao pódio e ouvir o nome de Portugal num Campeonato do Mundo de Kung-fu Tradicional?
Salvador Guerreiro: Obrigado! Ser campeão do mundo é uma sensação incrível, difícil de descrever por completo. É o resultado de muito trabalho, dedicação e superação. Quando percebi que tinha conquistado o ouro, senti uma mistura de alegria, alívio e orgulho. Todo o esforço, as horas de treino e os sacrifícios valeram a pena. É um sonho realizado e uma motivação enorme para continuar a evoluir.

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FightNews: O Campeonato decorreu na China, berço do Kung-fu Tradicional. O que significou para ti competir e vencer num palco com tanta história e simbolismo para as artes marciais?
Salvador Guerreiro: Competir e vencer na China teve um significado muito especial. É o coração do Kung-fu Tradicional, um lugar onde a arte é vivida com uma profundidade única. Ter a oportunidade de representar Portugal e conquistar uma medalha num palco tão simbólico é uma grande honra.

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FightNews: Como foi a atmosfera do evento? Sentiste o peso da responsabilidade de representar Portugal perante atletas de todo o mundo?
Salvador Guerreiro: A atmosfera deste evento é completamente diferente de qualquer outra competição em que já participei. Só de entrar na área de aquecimento, senti um choque completo: uma área enorme, com milhares de atletas a treinar por todo o lado, todos com a mesma paixão e dedicação pelo Kung-fu. Representar Portugal num palco tão diverso foi uma honra. É uma grande responsabilidade, mas também um privilégio. Saber que estava ali em nome de todos os que acreditaram em mim deu-me força e tranquilidade para competir com o coração.

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FightNews: Participaste nas categorias de Kung-fu Tradicional e Tai Chi Chuan Armas. O que te motivou a competir em ambas e qual consideras ter sido o maior desafio técnico?
Salvador Guerreiro: Ótima pergunta! A minha categoria preferida sempre foi Punhos de Kung-fu, por isso foi a minha primeira escolha. Quanto à segunda, a minha arma de eleição sempre foi o sabre, daí ter escolhido o Sabre de Tai Chi como segunda categoria, conseguindo assim abranger tanto o Kung-fu como o Tai Chi.
Em termos de desafio técnico, considero que a categoria de Kung-fu é sempre mais exigente. No Tai Chi, os movimentos são fluidos, com um ritmo mais desacelerado, o que permite mais tempo para pensar e focar durante a prova. No Kung-fu, por outro lado, temos apenas 45 segundos para mostrar tudo o que aprendemos, o que torna qualquer deslize mais crítico e exige concentração máxima.

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FightNews: Que momento da tua performance achas que fez a diferença para conquistares o ouro?
Salvador Guerreiro: Para mim, o momento mais importante é sempre no início. É aquele instante em que colocamos os pés no tapete e respiramos fundo antes de começar a prova, quando precisamos de desligar de tudo à nossa volta e concentrar-nos apenas em dar o nosso melhor até ao último segundo.

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FightNews: O que representa para ti carregar a bandeira portuguesa e conquistar o título mundial em nome do país?
Salvador Guerreiro: Carregar a bandeira portuguesa e conquistar o título mundial é um momento de enorme orgulho. Representar o meu país num palco internacional é uma honra única e faz-nos sentir parte de algo maior do que nós próprios. É a recompensa de todo o esforço, treino e dedicação, mas também a oportunidade de mostrar ao mundo o talento e a paixão que Portugal tem pelo Kung-fu Tradicional. Este título não é só meu, é de todos aqueles que acreditaram em mim e me apoiaram ao longo deste caminho.

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FightNews: O Kung-fu Tradicional exige anos de disciplina e dedicação. Que valores aprendeste ao longo deste percurso e que te ajudaram a chegar até aqui?
Salvador Guerreiro: Há cinco valores pessoais que considero bastante importantes no Kung-fu: Coragem, Resistência, Perseverança, Paciência e Vontade.
Coragem origina-se com a compreensão que vem da sensatez.
Resistência, perseverança e paciência são as manifestações de uma vontade forte.
Aqueles que escondem essa vontade no interior dos seus corações são os que perduram.

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FightNews: Depois deste título mundial, quais são os teus próximos objetivos dentro das artes marciais?
Salvador Guerreiro: Depois deste título mundial, o caminho é continuar em frente. Já temos provas nacionais a caminho, por isso o trabalho nunca para. Mas não se trata só de competir, tenho uma enorme vontade de continuar a treinar a minha classe júnior e ajudá-los a evoluir. O meu objetivo é vê-los brilhar o máximo que conseguirem no futuro. Para mim, isso é mais gratificante que qualquer coisa.
FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar à tua equipa, aos teus treinadores e a todos os que te apoiaram nesta caminhada?
Salvador Guerreiro: Quero deixar um enorme agradecimento à minha equipa, aos meus treinadores e a todos os que estiveram ao meu lado nesta caminhada. Nada disto seria possível sem o vosso apoio, dedicação e confiança em mim. Cada treino, cada conselho e cada palavra de incentivo fizeram toda a diferença. Esta conquista é tanto vossa como minha. Obrigado por acreditarem em mim e por me ajudarem a chegar até aqui.

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