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“O boxe transformou-me e ensinou-me a acreditar em mim” – Cintia Dias

Atleta cabo-verdiana em Portugal fala sobre o seu percurso, os desafios e o orgulho de ser mulher no boxe

Redação
Por: Redação Fonte: Miriam Rautenberg
21/09/2025 às 20h35 Atualizada em 21/09/2025 às 21h10
“O boxe transformou-me e ensinou-me a acreditar em mim” – Cintia Dias
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Entrevista a Cintia Dias – More Women in Boxing

 

No âmbito do projeto More Women in Boxing, damos voz a mulheres que transformaram a sua vida através do boxe e que inspiram outras a acreditar em si mesmas. Hoje temos a honra de conversar com Cintia Dias, atleta da equipa João faleiro Boxe, com raízes cabo-verdianas que vive em Portugal e que desde cedo encontrou no ringue uma forma de se expressar e superar desafios.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Olá Cíntia! Podes começar por te apresentar? Quem és tu fora do ringue?

Sou a Cíntia Dias, tenho origem cabo-verdiana mas vivo em Portugal. Fora do ringue sou uma mulher simples, que gosta de cuidar de si, trabalhar e estar com a família. O boxe é uma parte enorme da minha vida, mas não me define sozinha. Sou também uma mulher sonhadora e determinada, que luta pelos seus objetivos dentro e fora do desporto.

FightNews: Com quantos anos começaste a praticar boxe?

Comecei a praticar boxe aos 13.

FightNews: Como é que descobriste o boxe? Foi por acaso ou sempre tiveste interesse?

Abriram uma escola de boxe no meu bairro e estava cheio de crianças e adultos a treinar, então fiquei com muita curiosidade. Queria muito ir treinar mas fiquei com vergonha de ir sozinha, então pedi à minha mãe para me levar. Ela foi comigo para treinar também, mas depois do primeiro contacto com o boxe percebi que aquilo era para mim.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Há quanto tempo praticas boxe e como tem sido o teu percurso até agora?

Treino boxe desde os 13 anos. O meu percurso tem sido cheio de altos e baixos, já pensei em desistir várias vezes por causa das circunstâncias da vida, mas nunca consegui largar o boxe. Ele já faz parte de mim, é como se estivesse tatuado na minha alma.

FightNews: O que é que o boxe mudou na tua vida – seja a nível pessoal, físico ou emocional?

O boxe mudou tudo. Fisicamente transformou-me, mas acima de tudo fez-me acreditar em mim mesma. O boxe ensinou-me a levantar-me depois de cada queda e a lutar sempre, não apenas no ringue, mas em qualquer desafio da vida.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Como te sentiste no início, sendo mulher num desporto ainda muito dominado por homens?

No início foi desafiante. Estava num ambiente maioritariamente masculino e isso trazia alguma pressão. Mas nunca deixei que isso me intimidasse, pelo contrário, usei como motivação para mostrar que as mulheres também têm lugar neste desporto e podem brilhar tanto quanto os homens.

FightNews: Já enfrentaste alguma dificuldade ou preconceito por seres mulher no boxe?

Sim, já enfrentei alguns olhares de desconfiança e comentários de quem achava que o boxe não era para mulheres. Mas a cada treino e a cada combate provei que o talento, o esforço e a dedicação não têm género.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Alguma vez te sentiste invisível, desvalorizada ou não levada a sério por seres mulher no ringue?

Sim, algumas vezes senti que não me levavam tão a sério, como se o boxe fosse um espaço só dos homens. Houve momentos em que senti que tinha de provar duas vezes mais para ser reconhecida.

FightNews: O que é que mais te orgulha enquanto mulher atleta no boxe?

O que mais me orgulha é nunca ter desistido, mesmo diante das dificuldades. Orgulho-me de representar não só a mim, mas também todas as mulheres que sonham em estar no desporto e que muitas vezes são desvalorizadas. Cada conquista minha é também uma conquista para todas nós.

FightNews: O que achas que ainda falta no boxe em Portugal para que mais mulheres se sintam incluídas e motivadas a entrar neste desporto?

Falta maior visibilidade e investimento no boxe feminino. Muitas mulheres nem sabem que existem oportunidades, clubes e competições para elas. É preciso divulgar mais, abrir portas e criar condições para que se sintam bem-vindas desde o primeiro treino.

Imagem cedida Miriam Rautenberg

FightNews: Que mudanças gostarias de ver – nos clubes, nas competições, no apoio às atletas femininas?

Gostaria de ver mais igualdade: em oportunidades, em apoio financeiro e em reconhecimento. Seria importante que os clubes investissem também nas atletas femininas, oferecendo o mesmo nível de acompanhamento e preparação.

FightNews:Como seria, para ti, um “futuro ideal” para as mulheres no boxe em Portugal?

O futuro ideal seria um cenário em que mulheres e homens têm as mesmas condições, onde o talento é valorizado sem olhar ao género, e onde as jovens que entram num ginásio sentem que podem crescer no boxe sem limitações.

FightNews: Que mensagem deixarias para outras raparigas e mulheres que estão a pensar experimentar o boxe, mas têm receio?

A minha mensagem é simples: não tenham medo. O boxe não é apenas sobre lutar, é sobre descobrir a vossa força interior e ganhar confiança. Se sentem curiosidade, deem o primeiro passo porque o boxe pode transformar a vossa vida, tal como transformou a minha.

A história da Cíntia mostra-nos que o boxe vai muito além do ringue: é uma escola de resiliência, confiança e superação. A sua determinação em nunca desistir, mesmo perante as dificuldades, é um exemplo poderoso para todas as mulheres e raparigas que sonham em entrar neste desporto. No More Women in Boxing, acreditamos que partilhar estas vozes é essencial para abrir portas e inspirar a próxima geração de atletas femininas.

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