
Com seis anos de prática, mas uma vida inteira ligada ao universo das artes marciais, Cheila Gonçalves prepara-se para um dos maiores desafios da sua carreira: representar Portugal no Campeonato Mundial de Kung Fu Tradicional, que terá lugar de 14 a 22 de outubro de 2025, em Emeishan, China.Com a herança familiar como base e a ambição de abrir novos caminhos para esta modalidade no país, a atleta partilha as suas motivações, dificuldades e expectativas para esta competição de nível internacional.

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FightNews: Quando começou a praticar Kung-fu e o que a motivou a seguir esta arte marcial tradicional?
Cheila Gonçalves: Comecei a praticar há cerca de seis anos, mas o Kung-fu sempre fez parte da minha vida. Tanto o meu pai como a minha mãe treinaram esta arte marcial, por isso cresci rodeada desse ambiente. No entanto, foi sobretudo o meu pai que me inspirou a seguir este caminho. Ele sempre foi um verdadeiro apaixonado pelas artes marciais chinesas e, para mim, é ainda hoje um dos melhores praticantes que conheço. É a minha maior referência e o motivo principal pelo qual decidi dedicar-me também a esta modalidade.

Imagem cedida Cheila Gonçalves
FightNews: Ao longo do seu percurso, quais foram os maiores desafios que enfrentou como atleta?
Cheila Gonçalves: Um dos maiores desafios foi aprender a lidar com as frustrações, especialmente as relacionadas com as lesões. Tenho uma lesão no joelho que me tem acompanhado e que, em alguns momentos, foi um grande obstáculo. Mas aprendi a encarar essas dificuldades como parte do processo.
FightNews: O que significa, para si, representar Portugal e a sua equipa no Campeonato Mundial de Kung Fu Tradicional?
Cheila Gonçalves: Para mim é um grande orgulho e responsabilidade, é mais do que competir, é ajudar a abrir portas para que mais pessoas conheçam e valorizem esta modalidade.

Imagem cedida Cheila Gonçalves
FightNews: Quais são os seus planos depois do Campeonato Mundial? Já pensa em novas competições ou objetivos de longo prazo?
Cheila Gonçalves: Sim, penso sempre em evoluir. O Campeonato Mundial é um marco importante, mas também é um ponto de partida para novos desafios. Quero continuar a competir, a crescer enquanto atleta e, a longo prazo, também contribuir para o desenvolvimento do Kung-fu em Portugal.

Imagem cedida Cheila Gonçalves
FightNews: Como descreve o nível de dificuldade e competitividade que espera encontrar na China?
Cheila Gonçalves: O nível é extremamente elevado. Vamos encontrar atletas que treinam várias horas por dia, com o apoio e financiamento dos seus países para alcançarem resultados. É um ambiente altamente competitivo, onde cada detalhe conta. Ainda assim, acredito que é exatamente esse desafio que torna a experiência tão enriquecedora. Estar lado a lado com alguns dos melhores do mundo é uma oportunidade única de aprendizagem.

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FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de partilhar com todos que apoiam e acompanham a sua carreira até aqui?
Cheila Gonçalves: Quero, em primeiro lugar, agradecer a todos os que têm estado ao meu lado, desde a minha família aos treinadores, colegas e amigos que nunca deixaram de acreditar em mim.
A mensagem que gostaria de deixar é a seguinte: o Kung Fu não é só um desporto, é muito mais do que isso.
Kung Fu significa tempo e energia, duas palavras que, combinadas e aplicadas a um treino exigente e rigoroso, permitem-nos adquirir robustez física e mental. Sendo uma arte milenar e completa, prepara-nos tanto para o combate como para a vida, dando-nos disciplina, confiança e a capacidade de superar adversidades.
Por isso, para mim é muito mais do que competir, é abrir caminho a que esta arte cresça em Portugal e nas pessoas.

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