
Da estreia no ringue à Seleção Nacional. Em apenas três anos de Boxe, Íris Neves vive uma ascensão que a levou, aos 17 anos, a conquistar um lugar na Seleção Nacional Portuguesa e a preparar-se agora para um dos maiores desafios da sua ainda jovem carreira: o European Championships U17.
Íris pratica Boxe há cerca de três anos e começou a competir há pouco mais de um ano. Apesar de ter apenas 10 combates, já alcançou um marco muito especial: vestir as cores de Portugal numa competição internacional de elevado nível.
Para a Fight News Portugal e o More Women in Boxing, falámos com Íris sobre o seu percurso no Boxe, a rápida evolução que teve em tão pouco tempo, o orgulho de representar Portugal, a experiência de participar num Campeonato da Europa e os sonhos que tem para o futuro.
FightNews: Íris, antes de falarmos sobre o Campeonato da Europa: como começou a tua história no Boxe? O que te levou a experimentar este desporto pela primeira vez?
A minha história no Boxe começou há cerca de três anos. Na altura, comecei também porque precisava de me distrair de alguns problemas pessoais e encontrar algo que me ajudasse a ocupar a cabeça. Acabei por descobrir no boxe muito mais do que estava à procura. Comecei a gostar dos treinos, dos desafios e da sensação de estar sempre a tentar superar-me. Aos poucos, aquilo que começou como uma forma de me distrair tornou-se uma paixão e, hoje, o boxe é uma parte muito importante da minha vida.
Imagem cedida Miriam Rautenberg
FightNews: Praticas Boxe há cerca de três anos, mas começaste a competir há pouco mais de um ano. Ainda te lembras do teu primeiro combate? Como te sentiste quando entraste no ringue para competir pela primeira vez?
O meu primeiro combate foi no Braga Open 2025 e foi também a minha primeira vitória. Foi uma sensação incrível e deu-me ainda mais motivação para continuar a trabalhar e a competir. No entanto, depois desse combate, recebi a notícia de que tinha falecido uma pessoa muito importante para mim. Foi um momento muito difícil, principalmente porque tinha acabado de viver uma felicidade enorme e, de repente, tudo mudou.
Mesmo assim, consegui levantar a cabeça e fui às finais. Sabia que tinha pela frente uma adversária muito mais experiente e, apesar de não ter sido fácil, entrei no ringue e dei tudo o que tinha. Para mim, mais do que o resultado, foi importante ter conseguido continuar, mesmo num momento tão difícil.
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FightNews: Tens apenas 10 combates e já fazes parte da Seleção Nacional Portuguesa. Imaginavas que tudo pudesse acontecer tão rapidamente?
Sinceramente, não. Quando comecei, nunca imaginei que, em tão pouco tempo e com apenas 10 combates, chegaria à Seleção Nacional, que era o meu sonho. É algo que me deixa muito feliz e orgulhosa. Sei que tudo aconteceu rápido, mas também sei o quanto tenho trabalhado para chegar aqui e não considero nada disto garantido.
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FightNews: Na tua opinião, o que foi mais importante para conseguires evoluir tanto num período relativamente curto?
Para mim, uma das coisas mais importantes foi trabalhar não só o físico, mas também o psicológico. No Boxe, não basta estar fisicamente preparada, porque a cabeça também tem de estar forte. Trabalhei muito a minha mentalidade, a confiança e a capacidade de lidar com a pressão e com os momentos difíceis.
Ao mesmo tempo, treinei bastante a parte física e técnica. Acho que foi essa combinação entre preparar o corpo e preparar a mente que me permitiu evoluir tanto em pouco tempo.
Imagem cedida Miriam Rautenberg
FightNews: Disseste que o Boxe se tornou muito mais do que apenas um desporto para ti. O que significa o boxe para ti hoje?
Hoje, o boxe faz parte de quem eu sou e tornou-se uma 2.ª casa. Ensinou-me disciplina, força, coragem e, principalmente, a não desistir quando as coisas ficam difíceis.
É um lugar onde consigo superar-me e perceber que sou capaz de muito mais do que, às vezes, imagino. O boxe já não é apenas aquilo que faço; é uma parte importante da minha vida e da pessoa que estou a tornar-me.
FightNews: Agora fazes parte da Seleção Nacional e tens a oportunidade de representar Portugal. Como foi o momento em que soubeste que tinhas sido selecionada? E o que significa para ti entrar no ringue a representar o teu país?
Foi um momento de enorme felicidade e orgulho. Saber que todo o trabalho estava a dar frutos e que tinha conquistado um lugar na Seleção foi muito especial para mim.
Representar Portugal é uma responsabilidade enorme, mas também é um orgulho que não consigo explicar muito bem por palavras. Entrar no ringue com o meu país comigo dá-me ainda mais vontade de dar tudo de mim.
FightNews: O Campeonato da Europa Sub-17 será um dos maiores momentos da tua jovem carreira até agora. O que te deixa mais entusiasmada e o que te deixa mais nervosa quando pensas nesta competição?
O que mais me deixa feliz e entusiasmada é saber que vou representar Portugal num Campeonato da Europa. É um orgulho enorme para mim e uma oportunidade que valorizo muito.
Ao mesmo tempo, deixa-me nervosa, porque, apesar de já ter alguma experiência em cima do ringue, ali é diferente. É uma competição de um nível muito elevado e sinto que existe muito mais responsabilidade e pressão.
Sei que vou estar a representar o meu país e, por isso, quero dar o meu melhor e mostrar todo o trabalho que tenho feito.
FightNews: Qual é o teu objetivo pessoal para este Campeonato da Europa? O mais importante para ti é ganhar experiência ou já vais para a competição com um objetivo desportivo concreto?
Vou com um objetivo desportivo concreto. Quero competir para ganhar e dar o meu máximo em cada combate.
Ao mesmo tempo, sei que esta é uma oportunidade enorme para ganhar experiência e evoluir. Não quero colocar limites a mim própria. Quero entrar em cada combate concentrada, acreditar no meu trabalho e lutar até ao último segundo.
Imagem cedida Miriam Rautenberg
FightNews: O Boxe não é feito apenas de vitórias. Como jovem atleta, também tens de aprender a lidar com dias difíceis, derrotas, pressão e momentos em que as coisas não correm como esperavas. O que te ajuda a continuar nesses momentos?
O que me ajuda é lembrar-me de tudo aquilo que já ultrapassei e do motivo pelo qual comecei. Sei que nem todos os dias vão ser bons e que as derrotas também fazem parte do caminho.
Quando alguma coisa corre mal, tento aprender com isso em vez de ficar presa ao resultado. Tenho objetivos grandes e sei que, para chegar onde quero, também tenho de saber lidar com os momentos difíceis.
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FightNews: Quem são as pessoas mais importantes que te têm acompanhado e apoiado neste percurso? Há algum treinador, familiar ou outra pessoa que tenha tido um papel especialmente importante na tua evolução?
Tenho pessoas muito importantes ao meu lado, principalmente a minha família, os meus treinadores e também os meus amigos. Cada um, à sua maneira, tem sido importante neste percurso.
A minha família e os meus amigos estão comigo nos momentos bons e nos momentos mais difíceis, enquanto os meus treinadores me ajudam a evoluir, tanto dentro como fora do ringue.
Sou muito grata por todo o apoio que recebo, porque sei que não estou a fazer este caminho sozinha.
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FightNews: Cada vez mais raparigas e jovens mulheres estão a descobrir o Boxe. O que dirias a uma rapariga que acha o boxe interessante, mas que talvez ainda não tenha coragem de entrar num ginásio de boxe pela primeira vez?
Diria para experimentar sem medo. No início, podemos sentir-nos deslocadas ou pensar que não somos capazes, mas ninguém começa a saber fazer tudo. Eu também comecei sem imaginar onde iria chegar.
O boxe pode ensinar-nos muito sobre nós próprias e dar-nos uma força que vai muito além do ringue. Por isso, se têm curiosidade, experimentem. Não deixem que o medo de começar vos impeça de descobrir até onde podem chegar.
FightNews: Se voltarmos a falar contigo daqui a cinco anos, onde gostarias de estar? Qual é o teu maior sonho no boxe?
Daqui a cinco anos, gostava de estar a competir ao mais alto nível, a representar Portugal e a conquistar títulos importantes.
Mas o meu maior sonho no boxe é chegar aos Jogos Olímpicos e ter a oportunidade de representar o meu país nesse palco. Sei que ainda tenho muito para aprender, muitos combates pela frente e muito trabalho para fazer, mas é um objetivo que me motiva todos os dias.
Quero continuar a evoluir, ultrapassar os meus limites e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para, um dia, conseguir realizar esse sonho.
Imagem cedida Miriam Rautenberg
A história da Íris no Boxe está ainda no início — e é precisamente isso que torna o seu percurso até agora tão interessante.
Com apenas 10 combates, a jovem atleta já conquistou um lugar na Seleção Nacional Portuguesa e prepara-se para representar Portugal no Campeonato da Europa Sub-17, entre 1 e 12 de outubro.
Mais do que uma competição, o European Championships U17 será uma oportunidade para Íris medir o seu nível perante algumas das melhores jovens atletas da sua geração, ganhar experiência internacional e continuar a construir um percurso que, desde muito cedo, já tem um sonho bem definido.
E esse sonho tem um nome: Jogos Olímpicos.
Até lá, há muitos combates, muitos treinos e muitos desafios pela frente. Mas, como a própria Íris afirma, o objetivo é continuar a evoluir, ultrapassar os próprios limites e fazer tudo o que estiver ao seu alcance para um dia representar Portugal no maior palco do desporto.
Boa sorte, Íris! O Boxe português estará a acompanhar-te