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Carlos Rocha: o primeiro 7º Dan brasileiro da JKA e o Karate como legado

Numa conversa com a Fight News e com o Sensei Paulo Pestana, Carlos Rocha revisita a sua trajetória e reflete sobre o caminho, a transmissão e a longevidade no Karate.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação FightNews
17/04/2026 às 10h59 Atualizada em 24/04/2026 às 17h43
Carlos Rocha: o primeiro 7º Dan brasileiro da JKA e o Karate como legado
Fight News Portugal

Carlos Rocha construiu uma das trajetórias mais consistentes dentro do Karate brasileiro. Com mais de seis décadas de prática contínua, é hoje reconhecido como o primeiro brasileiro a alcançar o 7º Dan dentro da Japan Karate Association (JKA), uma das instituições mais exigentes do Karate Shotokan a nível mundial.

Este grau não representa apenas domínio técnico, mas um percurso validado ao longo de décadas de treino, ensino e contribuição ativa para a comunidade. A sua formação está diretamente ligada à linha japonesa da JKA, com contacto próximo a mestres que marcaram a história da organização.

Ao longo dos anos, a sua prática evoluiu de uma motivação inicial ligada ao combate para uma compreensão mais ampla do Karate enquanto caminho, onde a transmissão, a responsabilidade e a continuidade da arte assumem um papel central.

Numa conversa conduzida pela Fight News, com o Sensei Paulo Pestana, Carlos Rocha partilha o seu percurso, reflete sobre os desafios enfrentados e apresenta uma visão estruturada sobre o que sustenta, ao longo do tempo, uma prática exigente, coerente e profundamente enraizada no espírito do Karate.

Fight News: Como começou o seu percurso no Karate e o que o levou a entrar nesse caminho? Hoje, olhando para trás, o que desse início ainda permanece na sua prática?

Desde muito jovem, pratiquei e competi em várias modalidades esportivas, por ter um biotipo muito energético. Por outro lado, toda essa energia me levou, muito cedo, a improvisar treinos de luta. Ganhei um par de luvas de boxe aos 8 anos de idade e logo improvisei um ringue na garagem de casa; lá, lutava com meus amiguinhos da vizinhança.

Isso me tornou um garoto muito briguento, tanto na escola como no bairro onde morava. Brigava praticamente todos os dias. Quando tinha quase 16 anos, me envolvi em uma briga contra três garotos bem mais velhos do que eu e, como sempre me dava bem nessas brigas, achei que conseguiria vencer os três ao mesmo tempo. Apanhei muito.

Dias depois, resolvi realmente aprender a lutar. Entrei no Karate em 1966. Essa foi a minha motivação inicial e, até hoje, treino diariamente, sem nunca ter interrompido meus treinamentos.

Hoje, olhando para trás, essa motivação inicial ficou totalmente esquecida, mas sempre me norteou a aprender um Karate efetivo, que pudesse ser usado em situações reais, e também me motivou a ser um karateca de alta performance nas competições de que participei por muitos anos.

Fight News: Quem foram as principais referências em sua formação e de que forma elas moldaram não apenas a sua técnica, mas também a sua visão sobre o Karate?

Meu primeiro contato com o Karate ocorreu em 1966, sob a orientação de um sensei japonês do estilo Shito-ryu, de nome Yoshida, que havia chegado recentemente ao Brasil e ainda não dominava o idioma português.

Dois anos mais tarde, ele precisou retornar ao Japão. Antes de sua partida, entretanto, mencionou que me apresentaria a um verdadeiro sensei japonês, recém-chegado ao país. Disse-me, inclusive, que, ao conhecê-lo, eu perceberia o quanto ele próprio ainda tinha a aprender sobre o Karate.

Esse sensei, a quem eu seria apresentado em 1969, era um Kenshusei do estilo Shotokan JKA, chamado Taketo Okuda. Contudo, por circunstâncias do destino, no dia em que o sensei Yoshida me levou à academia do sensei Sagara para conhecê-lo, o sensei Okuda não se encontrava presente.

No mesmo dia, o sensei Yoshida retornou ao Japão e eu, ainda muito jovem, não tive coragem de procurar o sensei Okuda por conta própria. Permaneci, então, por um período sem uma referência direta, até que, pouco tempo depois, encontrei o sensei Ricardo Delia, com quem treinei por um longo período.

Ainda assim, meu destino era tornar-me aluno do sensei Okuda. O sensei Ricardo Delia passou a treinar com ele e, em um gesto de grande nobreza, reconhecendo minha dedicação, conduziu-me até o sensei Okuda. Recordo-me claramente de suas palavras: “Carlão, a partir de agora você treinará com o sensei Okuda, e não mais comigo”.

Foi nesse momento que se iniciou minha trajetória na JKA. Tive o privilégio de ser aluno de um Kenshusei, integrante da elite dos instrutores da organização. Treinei durante 24 anos sob a orientação do sensei Okuda.

Nesse período, conheci o sensei Ennio, que se tornaria meu sempai e que exerceu profunda influência na formação do meu Karate, até sua ida ao Japão para ingressar no Kenshusei da JKA. Após sua partida, passei a treinar diretamente com o sensei Okuda por mais 22 anos.

O sensei Okuda foi responsável por moldar integralmente não apenas minha técnica, mas também minha compreensão do caminho do Karate. Sua principal influência em minha formação foi a valorização do espírito forte como elemento essencial, acima de qualquer aspecto técnico.

Graças a ele, tive também a oportunidade de conhecer grandes mestres da JKA, como os senseis Isaka, Oishi, Nakayama, Tanaka, Asai, Kanazawa, Ueki e Yahara, entre outros nomes de grande relevância histórica.

Atualmente, tenho a honra de treinar no Hombu Dojo da JKA, no Japão, e de continuar aprendendo com importantes senseis da organização.

Gostaria de dedicar um destaque especial ao sensei Machida, a quem conheci em 1975 e que profundamente me impressionou por sua técnica refinada e seu espírito marcante. Em uma demonstração realizada durante a visita do Shihan Nakayama ao Brasil, o sensei Machida executou o kata Bassai-dai de forma memorável, deixando uma impressão duradoura.

Desde então, sua presença tem sido constante em minha trajetória no karate e, atualmente, ele constitui minha principal referência dentro da JKA Brasil.

Fight News: A progressão até o sétimo dan é um caminho longo e exigente. O que significa, na prática, atingir esse nível dentro da JKA? Em que momento o karatê deixa de ser apenas progressão técnica e passa a ser responsabilidade?

Realmente, a progressão até o sétimo dan é um caminho longo e muito exigente. Na prática, para atingir esse nível, é necessário muito treino, estudo e participação efetiva em competições, kumite e kata.

Esse longo caminho, com o tempo, vai mudando de foco. Inicialmente, o destaque está no treinamento técnico, com treinos diários e o aprimoramento do kihon, kata e kumite. A experiência em competições contribui significativamente para o amadurecimento do Karate, desenvolvendo no praticante confiança na técnica aprendida, além de ampliar o entendimento e o controle emocional. Esse processo também se reflete no crescimento do espírito, tornando o praticante mais forte e resiliente.

Posteriormente, surge a necessidade de estudar e aprofundar esse conhecimento para que ele possa ser transmitido aos jovens praticantes. Quando o praticante começa a estudar, praticar e se aprofundar no Karate com o objetivo de ensinar outras pessoas, nesse momento o Karate passa a se tornar uma missão.

É nesse ponto que se descobre o verdadeiro prazer da prática diária, onde o processo se torna mais importante e gratificante do que o resultado. Assim, inicia-se o verdadeiro caminho do Karate Budô, e é aí que nasce a responsabilidade.

Fight News: A JKA é conhecida pelo seu rigor técnico e filosófico. Como descreve esse padrão de exigência ao longo dos anos e o que mais o marcou nesse percurso?

O grande diferencial da JKA é que ela é uma escola de Karate Shotokan que tem por missão ensinar e preservar as técnicas do estilo, com ensinamentos baseados em padrões rígidos para a manutenção de suas características ao longo do tempo, ao mesmo tempo promovendo as mudanças necessárias para a evolução e modernização de suas técnicas e conceitos.

Isso é feito através de rigorosos exames de graduação e de constantes cursos técnicos voltados à evolução dos praticantes. A parte filosófica da arte marcial vai, naturalmente, impregnando a mente do praticante com o verdadeiro sentido do “aqui e agora”. O karate, por ser uma meditação em movimento, vai silenciando a mente de seus praticantes, introduzindo também um profundo ensinamento filosófico.

Esse padrão de exigência ao longo dos anos só é possível justamente por se tratar de uma escola onde são ensinadas técnicas e conceitos mantidos através de exames de graduação, cursos e treinamentos técnicos constantes. Inclusive, as competições, quando conduzidas por uma correta regra de arbitragem, também ajudam a preservar as características da escola JKA.

Quanto aos momentos mais marcantes da minha longa trajetória — são mais de 60 anos praticando karatê — é difícil destacar apenas um. Houve muitos momentos significativos, como aqueles marcados por grandes lesões, incluindo uma prótese de quadril, que não me impediram de continuar treinando e fortaleceram ainda mais o meu espírito. Também houve experiências em lutas, como desafios realizados no karate mais antigo, que proporcionaram um entendimento profundo do que realmente é uma arte marcial de combate.

Fight News: Em que momento sentiu a transição de praticante para alguém com responsabilidade na transmissão e na liderança dentro do karatê?

Comecei a minha transição de praticante para a responsabilidade na transmissão do karate JKA quando abri o meu dojo, de nome Mushinkan, no ano 2000. Eu havia acabado de me graduar a quinto dan.

Com o entendimento, por observação, de um grande desvirtuamento do karate Shotokan no Brasil, em razão da falta de professores devidamente gabaritados, iniciei a transmissão dos ensinamentos no meu dojo. Com a volta oficial da JKA Brasil em 1997, filiei-me à então nova JKA Brasil.

A partir dessa nova filiação à JKA BR, passei a ensinar em meu dojo o karate JKA e a participar ativamente dessa nova entidade. A liderança não é algo que se conquista de forma imediata; ela surge espontaneamente através da dedicação aos treinamentos e do amor pela arte do karatê-dô.

Fight News: Na sua visão, o que diferencia um praticante tecnicamente competente de um verdadeiro karateca formado no espírito do budô?

Ao longo da história do karate da Japan Karate Association, existiram e ainda existem muitos praticantes tecnicamente competentes. No entanto, nem todos alcançaram o nível de entendimento do verdadeiro espírito do budô.

Isso ocorre por diferentes motivos. Alguns optam por não seguir esse caminho mais profundo, enquanto outros acabam interrompendo a jornada antes de atingir esse entendimento, seja por desistência, seja por não sustentarem o compromisso necessário ao longo de um percurso que é, por natureza, longo e exigente. Em muitos casos, essa interrupção pode estar relacionada à falta de um vínculo mais profundo ou de amor pela arte do karatê-dô.

O grande diferencial está na intenção e na profundidade da prática. O praticante que se limita ao aspecto técnico tende a desenvolver um karate voltado apenas para si mesmo. Já aquele que busca o verdadeiro espírito do budô segue além da técnica, com o objetivo de evoluir continuamente até incorporar esses ensinamentos em sua vida como um todo, dentro e fora do dojo.

Em essência, enquanto o processo não se torna mais significativo do que o resultado, não se alcança o entendimento pleno do budô.

Fight News: Ao longo da sua trajetória, houve momentos em que sentiu a necessidade de resistir a tendências ou adaptações modernas para preservar a essência do karatê?

Na prática, não. Ao longo do tempo, tendências e adaptações foram incorporadas dentro da Japan Karate Association, acompanhando a evolução natural da escola.

No entanto, a preservação da essência do karate não está diretamente ligada à manutenção rígida de técnicas imutáveis. O ponto central não é o que se pratica, mas como se pratica e, principalmente, como essas técnicas são compreendidas.

Em outras palavras, a essência do karate permanece viva quando há profundidade na execução e no entendimento, independentemente das adaptações que possam ocorrer ao longo do tempo.

Fight News: Quais foram os momentos mais desafiadores e também os mais marcantes em sua trajetória, e de que forma esses momentos o moldaram como karateca e como pessoa?

O momento mais desafiador da minha trajetória foi quando precisei realizar uma cirurgia para colocação de prótese bilateral de quadril, uma lesão causada pelo excesso de treino. Aqueles que treinaram comigo na academia do sensei Okuda sabem que chegávamos a fazer até mil agachamentos em um único treino, muitas vezes em uma perna só, alternados com golpes de gyaku zuki. Naturalmente, não há quadril que suporte esse nível de exigência por tempo prolongado.

Esse foi, sem dúvida, o período mais difícil, pois cheguei a acreditar que seria o fim da minha carreira. Ainda assim, muitos alunos que permanecem comigo até hoje testemunharam esse momento. Dei aulas de karate sentado em uma cadeira e, durante o pós-operatório, cheguei a ensinar utilizando muletas.

Essa experiência fortaleceu profundamente o meu espírito. Muitos karatecas que já enfrentaram uma artrose severa compreendem a intensidade da dor e o enorme esforço exigido no processo de recuperação. Com dedicação, esforço e resiliência, consegui recuperar todos os movimentos necessários para a prática plena das técnicas do karate.

Quanto aos momentos mais marcantes, foram diversos desafios ao longo da trajetória, incluindo lutas no estilo vale-tudo, nas quais o objetivo era nocautear o adversário. Entre elas, destaco uma luta em uma demonstração com o então bicampeão mundial Masahiko Tanaka. Essa experiência elevou significativamente a minha confiança no karate e contribuiu para conquistas posteriores, como a vitória no Campeonato Sul-Americano de 1986, realizado na Argentina.

Fight News: A progressão dentro da JKA é também um reconhecimento institucional. Que tipo de contribuição um praticante precisa dar à comunidade para alcançar níveis como o sétimo dan?

Sem dúvida, essa progressão representa não apenas um profundo conhecimento técnico, mas também um reconhecimento institucional dentro da Japan Karate Association.

Para alcançar níveis elevados, como o sétimo dan, é necessário acumular muitos anos de dedicação e trabalho ativo dentro da JKA Brasil, sempre sob orientação de mestres experientes, como o sensei Machida.

Essa contribuição vai além do treino pessoal. Envolve participação constante em eventos oficiais, atuação como árbitro em campeonatos nacionais e internacionais, trabalho como técnico de seleções, tanto paulista quanto brasileira, e a condução de cursos ao longo de vários anos, especialmente em gashukus e outras atividades oficiais.

Com o tempo, esse conjunto de dedicação, experiência e serviço prestado à comunidade é reconhecido institucionalmente. Um exemplo disso é a concessão do Special Right, recebida por indicação do sensei Machida, que permite atuar como examinador oficial da JKA, um importante sinal de confiança e reconhecimento dentro da organização.

Fight News: Mantendo um karate ativo, preciso e presente ao longo de décadas, na sua visão, o que sustenta essa longevidade dentro da prática física, mental e espiritual?

Como mencionado anteriormente, a prática constante por meio de treinos diários ao longo de décadas gera um acúmulo de conhecimento imensurável. Essa dedicação contínua, aliada à resiliência em treinar e ensinar, leva o praticante a compreender, e mais do que isso, a sentir, que o processo é mais importante e gratificante do que o resultado.

Esse entendimento transforma a jornada no caminho do budô em algo praticamente infinito, pois elimina a ansiedade em relação ao tempo e aos resultados. A busca deixa de ser limitada por expectativas e passa a ser guiada pela vivência plena do caminho.

Nesse estágio, surge o verdadeiro entendimento do conceito de Mu, o vazio, e, de forma ainda mais aplicada ao karate, do Mushin, a mente sem apego ou sem pensamento. É nesse “vazio” que se compreende que tudo está contido, uma percepção que transcende a técnica e alcança níveis mais profundos de consciência.

A partir dessa compreensão, ocorre o desenvolvimento integrado do praticante nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual, sustentando, assim, uma prática longeva, equilibrada e significativa dentro do karatê-dô.

Recentemente, no Rio de Janeiro, durante o o Curso Técnico JKA RJ e o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, sob iniciativa do sensei Paulo Pestana, realizou-se um encontro que reuniu alguns dos mais experientes senseis do Karate brasileiro.

Mais do que um momento técnico, a iniciativa insere-se num trabalho contínuo de valorização da ligação entre gerações, promovendo a troca de conhecimento, o respeito pela hierarquia e a preservação da experiência acumulada ao longo de décadas de prática.

É neste contexto de partilha que o Sensei Paulo Pestana deixa algumas perguntas a Carlos Rocha, dando continuidade a essa reflexão.

Paulo Pestana: Sensei, na sua visão, qual é o verdadeiro valor da união entre os senseis dentro do karatê tradicional, especialmente em um tempo em que as linhas e abordagens se encontram cada vez mais dispersas?

A união entre os senseis sempre foi, e continua sendo, extremamente benéfica para o desenvolvimento do karatê. No entanto, essa união precisa estar fundamentada em princípios sólidos e em um compromisso genuíno com o verdadeiro caminho do karatê.

Mais do que simplesmente reunir praticantes experientes, é essencial que essa conexão ocorra entre senseis que mantêm uma prática constante, que buscam evolução contínua e que demonstram integridade de caráter. São esses elementos que garantem que a troca entre eles vá além do aspecto técnico.

Quando essa base está presente, o aprendizado mútuo se torna mais amplo e significativo, envolvendo não apenas experiências técnicas, mas também valores, princípios e uma filosofia de vida alinhada ao espírito do budô.

Dessa forma, mesmo em um cenário onde diferentes linhas e abordagens se tornam cada vez mais dispersas, essa união contribui de maneira decisiva para a preservação e o desenvolvimento do verdadeiro karate, mantendo viva a sua essência.

Paulo Pestana: Recentemente tivemos a oportunidade de reunir karatekas e instrutores. Que tipo de impacto acredita que estes encontros geram, não apenas a nível técnico, mas também na preservação da essência e dos valores do karatê?

Esses encontros entre instrutores e karatekas são extremamente importantes, pois promovem o aprimoramento técnico e, ao mesmo tempo, fortalecem um ambiente de camaradagem e respeito mútuo. Eles permitem não apenas a troca de conhecimento técnico, mas também reflexões mais profundas sobre os valores e a essência do karatê.

O encontro realizado durante o campeonato carioca foi especialmente significativo, pois além de agregar tecnicamente, fortaleceu os laços de amizade e a confiança entre instrutores, atletas e praticantes.

É fundamental que iniciativas como essa ocorram com mais frequência, contribuindo para o desenvolvimento do karatê brasileiro e para a construção de um ambiente cada vez mais unido e alinhado com os verdadeiros princípios da arte.

Paulo Pestana: A troca entre senseis, muitas vezes fora do contexto formal do treino, traz um tipo de aprendizagem diferente. O que considera que se ganha nesses momentos que não se consegue desenvolver apenas dentro do dojo?

Os grandes mestres do karate sempre valorizaram e promoveram encontros fora do contexto formal de treinamento, justamente por entenderem a importância dessas trocas. Nesses momentos, não se compartilham apenas aspectos técnicos, mas também se constrói um ambiente de amizade, confiança e alinhamento de propósito.

Quando essa base está presente, a troca de experiências de vida, métodos de treinamento e compreensões mais profundas sobre a arte, seja de um kata ou de uma técnica, acontece de forma natural, enriquecendo significativamente o karatê de todos os envolvidos.

Sempre acreditei que, para que o treino dentro do dojo seja realmente forte e consistente, é fundamental haver amizade e confiança entre os praticantes. E isso é algo que se constrói, sobretudo, nesses momentos fora do dojo.

Que esses encontros entre karatekas e instrutores sejam cada vez mais frequentes, marcantes e duradouros, fortalecendo não apenas a prática, mas também os laços que sustentam o verdadeiro espírito do karatê.

Paulo Pestana: Que mensagem considera essencial para quem hoje inicia o seu caminho no karatê e quer ir além da superfície da prática?

O praticante iniciante não deve se preocupar, neste primeiro momento, com o quão profundo irá chegar na arte do karate. O mais importante é aprender corretamente as técnicas e os fundamentos, buscando evoluir a cada treino e percebendo que hoje está melhor do que ontem.

Com o desenvolvimento, ele passa a notar melhorias não apenas nas habilidades técnicas, mas também na sua saúde física e mental. Além disso, o ambiente de um dojo sério proporciona um forte sentimento de pertencimento, algo muito valioso nos dias atuais, em que muitos contatos são apenas virtuais.

Com o tempo, o praticante entende que a disciplina gera resiliência, e esse é o verdadeiro início do caminho. Disciplina e resiliência são a base para uma evolução consistente.

É importante lembrar sempre que, no karate, o desenvolvimento é individual. A comparação deve ser consigo mesmo, nunca com os outros.

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AndréHá 4 semanas BauruOSS! Sensei Carlos Rocha nos incentiva a continuar no caminho. Ele é fonte de inspiração como Karateca e Sensei. É um privilégio poder ter contato com ele em aulas/treinamentos especiais de eventos e no Dojo Mushinkan.
JOSE PEREIRA DE CASTROHá 4 semanas CaraguatatubaMuito boa entrevista, honrado por ter a oportunidade em treinar no Brasil com alguns dos senseis nomeados além de outros que não o foram, mas não menos importantes como Sazaki sensei, Tanaka sensei, watababe sensei e Ohanes sensei!ao mesmo tempo muito feliz pelos treinamentos recebidos em Portugal onde iniciei a caminhada do Karate desde 1985 através do sensei José Magalhães e António Lino... que em breve retornarei às minhas origens...osu!
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