
Referência incontornável do Jiu Jitsu e do MMA mundial, Murilo Bustamante é um nome que dispensa apresentações. Campeão mundial de Jiu Jitsu, primeiro brasileiro a conquistar o título do UFC na categoria peso-médio e protagonista de lutas históricas no Pride, Bustamante hoje dedica-se à formação de atletas e à promoção dos valores das artes marciais através da Brazilian Top Team, no Rio de Janeiro.
Em conversa exclusiva com a Fight News Portugal, o mestre recorda o início da sua jornada, fala sobre as lições aprendidas no tatami e reflete sobre o crescimento do Jiu Jitsu em Portugal.

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FightNews: Como começou a sua trajetória no Jiu Jitsu e, posteriormente, no MMA? Houve algum momento decisivo em que percebeu que seguiria carreira nas artes marciais?
Fui levado pelo meu irmão mais velho, que já treinava, e comecei aos 10 anos. Apaixonei-me quando comecei a competir aos 16 e nunca mais parei até me aposentar aos 45 anos. Nunca pretendi ser lutador profissional nem professor — comecei a dar aulas apenas para pagar a universidade. Quando me formei em Economia, percebi que não conseguia largar a luta nem trabalhar noutra área que não fosse as artes marciais.
FightNews: Quais foram os principais valores que o Jiu Jitsu e o MMA lhe transmitiram e que continua a carregar até hoje na sua vida pessoal e como treinador?
São tantos ensinamentos que aprendi nos tatamis e que mudaram a minha vida para melhor. Alguns deles são a ética, os valores morais, a disciplina, o respeito e a empatia.
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FightNews: Entre as muitas conquistas da sua carreira — campeão mundial de Jiu Jitsu, primeiro brasileiro campeão do UFC na categoria de peso médio, lutas históricas no Pride — qual ou quais considera as mais marcantes e porquê?
Todas as lutas foram importantes e trouxeram algum aprendizado. Mas o meu maior desafio foi no torneio MARS, em novembro de 1996. Nesse evento de oito lutadores, fiz três combates e, na final, enfrentei Tom Erickson durante 40 minutos. Ele tinha 40 quilos a mais do que eu, era cerca de 10 cm mais alto e um wrestler de nível olímpico. A final deveria durar 30 minutos, mas os organizadores decidiram que lutaríamos até alguém desistir. Aos 30 minutos, decidiram encerrar o combate aos 40 e assim foi declarado empate. Foi, sem dúvida, a luta mais difícil da minha carreira.
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FightNews: Na sua visão, qual é o papel do Jiu Jitsu na formação do caráter e da personalidade dos praticantes, seja para quem compete, seja para quem treina apenas por bem-estar e disciplina?
O Jiu Jitsu fortalece o caráter e a personalidade dos praticantes. Além da disciplina e dos valores já mencionados, destaco o desenvolvimento do equilíbrio emocional e a capacidade de lidar bem com situações de tensão. O treino no tatami coloca-nos constantemente em situações de desconforto, onde é preciso manter a calma para superá-las. Todos esses ensinamentos podem e devem ser aplicados na vida pessoal, melhorando a qualidade de vida.
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FightNews: Depois de ter alcançado praticamente tudo como atleta, quais são os seus objetivos hoje como mestre, líder da Brazilian Top Team e referência internacional no Jiu Jitsu e no MMA?
O meu foco hoje é ajudar na formação de crianças e adolescentes, usando o Jiu Jitsu como ferramenta educacional. Quero criar um ambiente saudável, onde as famílias possam praticar o desporto juntas — pais e filhos a partilhar o mesmo tatami. Se desse processo surgirem campeões, será ótimo, mas o mais importante é formar cidadãos de bem.
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FightNews: Se tivesse de escolher apenas três palavras para resumir o significado do Jiu Jitsu na sua vida, quais seriam e porquê?
“Disciplina, dedicação e superação.”
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FightNews: Como enxerga o crescimento do Jiu Jitsu na Europa, em especial em Portugal, onde há muitos praticantes e também uma forte comunidade brasileira que contribui para essa expansão?
Tenho acompanhado de perto o crescimento do Jiu Jitsu na Europa. Já tive a oportunidade de ensinar em vários países, inclusive em Portugal, onde estive diversas vezes. Fico feliz por ver que o número de praticantes cresceu muito nos últimos anos, o que tem levado ao surgimento de novos talentos europeus.
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FightNews: Que mensagem gostaria de deixar ao público português e aos brasileiros que vivem em Portugal, que o admiram como treinador e que acompanharam a sua carreira como lutador?
Gosto muito de Portugal. É um país lindo, com um povo acolhedor e uma comida deliciosa! Espero poder regressar em breve.
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