
“O meu corpo ainda vai ter que aguentar alguns aninhos”
Recém-consagrado bicampeão do World Master, o atleta e treinador Léo Leite atravessa uma fase marcante da carreira. Entre os tatamis, a organização de eventos e a gestão da sua academia em Miami, o brasileiro vive as artes marciais em todas as frentes. Hoje, mais do que nunca, encontra na família — em especial na sua filha ainda bebé — a principal motivação para continuar a superar lesões, dores e desafios. Nesta entrevista, fala sobre a sua última conquista, os sacrifícios da idade, a importância do apoio familiar e os planos para o futuro.
FightNews: Léo, como se sente por se tornar bicampeão do World Master recentemente? Qual foi a sensação ao conquistar novamente o título?
Léo Leite: Acho que cada conquista tem um sabor diferente, mas esta teve um valor especial. A minha filha de 5 meses esteve comigo no campeonato e acho que entendi porque ainda continuo a treinar cheio de lesões e dores. Ver a felicidade do meu pai, de 75 anos, depois da conquista, não tem explicação.
A minha filha ainda não entende, mas quando começar a torcer por mim será uma sensação indescritível. Então, acho que o meu corpo ainda vai ter que aguentar alguns aninhos (risos).

Imagem Instagram
FightNews: Quais foram os maiores desafios que enfrentou durante esta competição?
Léo: Acho que o maior desafio, na minha idade, é a preparação para o campeonato. Como disse antes, são muitas lesões, dores, treinar com jovens 15 ou 17 anos mais novos do que eu e ainda dar aulas o dia todo. É bastante cansativo e desgastante.
FightNews: A sua carreira combina Judo e Jiu-Jitsu. Como é que estas duas disciplinas se complementam no seu estilo de luta?
Léo: As duas completam-se. O judoca precisa treinar a parte de chão com mais seriedade, porque uma luta pode acabar com uma imobilização, estrangulamento ou chave de braço. Já os lutadores de Jiu-Jitsu precisam treinar a parte em pé, porque a luta começa sempre em pé e muitas vezes decorre toda nessa posição. Dois pontos de queda podem ser determinantes.

Imagem Instagram
FightNews: O que o motiva a continuar a competir ao mais alto nível, mesmo depois de tantas conquistas?
Léo: Acho que respondi na primeira pergunta. Hoje, a minha maior motivação, sem dúvida, é a minha família. Mas a adrenalina e o nervosismo da competição são viciantes.
FightNews: Para além de atleta, é também organizador do Martial Arts Championship (MAC). Como é gerir a vertente competitiva enquanto continua a lutar?
Léo: O MAC é o nosso filho, que está a crescer. Estive no Brasil na última edição e pude ver o lindo trabalho que o meu irmão, Sandro Leite, está a fazer à frente do evento. O tratamento dado aos atletas e às equipas é impecável e proporciona ao público uma experiência inesquecível, com lutas de altíssimo nível.


Imagens divulgação MAC
FightNews: Que impacto acredita que eventos como o MAC têm na promoção dos desportos de combate no Brasil e na formação de novos talentos do MMA?
Léo: Sempre acreditámos que as artes marciais são uma ferramenta de desenvolvimento e formação de caráter. Poder ajudar atletas que estão a iniciar as suas carreiras a alcançar voos maiores é um privilégio.

Imagens divulgação MAC
FightNews: Agora que está a viver em Miami e abriu a sua própria academia de Jiu-Jitsu, como tem sido esta experiência de ser também empreendedor no desporto?
Léo: Tem sido uma experiência incrível e também um desafio enorme.
FightNews: Como tem sido a resposta da comunidade local e dos alunos até agora?
Léo: Está a ser maravilhosa. Em apenas dois anos e meio já temos 300 alunos. O feedback de pais e alunos tem sido gratificante.

Imagem Instagram
FightNews: Que desafios encontrou ao abrir a sua própria academia num país estrangeiro e como os tem superado? E como equilibra a gestão da academia com os treinos e competições de alto nível?
Léo: Na verdade, sou o head coach da academia, mas em breve teremos novidades.
FightNews: Por fim, quais são os seus próximos objetivos, seja na carreira competitiva ou no empreendedorismo?
Léo: Devo competir no próximo mês no Open de Fort Lauderdale para fechar o ano e, depois, descansar. Vou dedicar-me às minhas aulas, aos meus projetos pessoais e ao MAC, em dezembro.