Quarta, 26 de Agosto de 2026
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Proteção dentária nos jovens atletas: quando deve começar a prevenção?

Kimono, luvas, caneleiras, capacete. Quando pensamos no equipamento de um jovem atleta, alguns itens parecem óbvios. Mas, nos desportos de combate, a proteção dentária, sobretudo quando feita à medida, deveria ocupar o mesmo lugar na preparação para o treino.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
26/08/2026 às 12h17
Proteção dentária nos jovens atletas: quando deve começar a prevenção?
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Há um momento que muitas famílias de jovens atletas conhecem bem: a compra das primeiras luvas, do primeiro kimono, das caneleiras ou do primeiro equipamento específico da modalidade. São sinais de que aquela experiência deixou de ser apenas uma aula experimental. A criança começou, de facto, a praticar um desporto. Mas há outro equipamento que nem sempre recebe a mesma atenção: a proteção dentária.

Tal como não se escolhem umas luvas sem considerar o tamanho das mãos ou um kimono ignorando as medidas da criança, uma proteção dentária também deve respeitar a anatomia de quem a utiliza. É precisamente aqui que a proteção personalizada e feita à medida ganha importância: não apenas por proteger, mas por conseguir fazê-lo com melhor adaptação à boca daquele atleta.

No boxe, kickboxing, Muay Thai, MMA, Taekwondo, Karaté, jiu-jitsu e noutras modalidades em que existe possibilidade de impacto na face, proteger os dentes deveria fazer parte da aprendizagem da segurança desde cedo. E existe uma razão simples para isso: não é preciso ser atleta profissional, nem sequer competir, para sofrer um traumatismo dentário.

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Não existe uma “idade certa”

Uma das perguntas mais comuns entre os pais é: com que idade uma criança deve começar a utilizar proteção dentária? A resposta não está num número.

A FDI World Dental Federation recomenda o uso de proteção dentária por pessoas de todas as idades que pratiquem atividades ou desportos de contacto e colisão, destacando especialmente o período a partir da erupção dos dentes incisivos superiores permanentes.

A American Academy of Pediatric Dentistry segue uma lógica semelhante: a utilização deve estar associada ao risco de traumatismo orofacial, e não simplesmente à idade do praticante.

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Ou seja, a pergunta mais útil para os pais não é necessariamente “ele já tem idade para usar?”, mas: “O treino que ele faz já apresenta risco de impacto na boca e na face?”

Se a resposta for sim, a prevenção já deve entrar na conversa.

Por que os dentes da frente merecem tanta atenção?

Os traumatismos desportivos podem provocar desde cortes nos lábios e tecidos da boca até fraturas, deslocamentos e perda de dentes. A AAPD identifica as fraturas da coroa dentária entre as lesões mais frequentes nos dentes permanentes e chama ainda a atenção para crianças com determinados fatores anatómicos, como incisivos superiores mais projetados e cobertura labial inadequada, que podem apresentar maior risco de traumatismo dentário.

A proteção funciona criando uma camada resiliente capaz de amortecer e redistribuir parte das forças produzidas durante um impacto. Isso não significa que tornem um atleta imune a lesões. Significa que constituem uma importante ferramenta de redução de risco.

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A primeira proteção pode não ser a última, especialmente numa criança

Existe uma diferença fundamental entre escolher uma proteção para um adulto e para uma criança: a boca da criança está a mudar.

Durante a chamada dentição mista, dentes de leite são perdidos enquanto os permanentes erupcionam. A posição dos dentes e a própria oclusão vão-se modificando ao longo do crescimento.

Isso tem consequências práticas. Uma proteção que encaixava corretamente pode deixar de encaixar.

Um estudo clínico publicado na Dental Traumatology acompanhou precisamente a utilização de uma proteção personalizada numa criança durante a dentição mista. À medida que novos dentes erupcionaram, foram necessários ajustes e, posteriormente, a confeção de uma nova proteção.

É também por isso que uma proteção feita à medida não deve ser entendida simplesmente como um produto moldado uma vez para durar vários anos. Nos jovens atletas, a personalização deve acompanhar o desenvolvimento da dentição. O que está “à medida” hoje pode deixar de estar alguns meses mais tarde.

Por isso, para um jovem atleta, não faz sentido pensar na proteção dentária como um equipamento comprado uma vez e utilizado indefinidamente. O crescimento da criança faz parte da manutenção do equipamento.

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Então, quando deve ser substituída?

Também aqui não existe um calendário universal válido para todas as crianças.

A Academy for Sports Dentistry recomenda que as proteções personalizadas sejam avaliadas regularmente quanto ao encaixe e funcionamento. A frequência dessa avaliação deve considerar fatores como idade, modalidade praticada, intensidade de utilização e conservação do equipamento.

Na prática, alguns sinais merecem atenção dos pais:

• a proteção ficou apertada ou deixou de encaixar como antes;
• começou a soltar-se durante o treino;
• provoca desconforto ou irritação;
• um ou mais dentes estão a nascer ou mudaram de posição;
• a criança iniciou tratamento ortodôntico;
• o material apresenta desgaste ou deformações;
• a criança precisa constantemente de morder a proteção para a manter no lugar.

Num atleta em crescimento, uma avaliação periódica por um médico dentista permite perceber se a proteção continua adequada à anatomia atual da boca.

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Quem deve escolher a proteção: os pais, o treinador ou o dentista?

Cada um tem um papel diferente.

O treinador conhece a modalidade, o tipo de treino e o nível de contacto a que o jovem atleta estará exposto. Os pais são responsáveis por transformar a utilização da proteção numa rotina. Mas a avaliação da dentição e do correto encaixe pertence ao profissional de saúde oral.

A Academy for Sports Dentistry considera que o ajuste ideal é realizado sob supervisão de um médico dentista e defende que uma proteção personalizada permite considerar características individuais como o estado da dentição, oclusão, aparelhos ortodônticos, relação entre os maxilares e exigências específicas da modalidade.

É essa individualização que distingue uma proteção verdadeiramente feita à medida. Não se trata apenas de adaptar o formato aos dentes: espessura, retenção, estabilidade e relação com a dentição e a oclusão fazem parte de uma proteção pensada para aquela boca e para aquele atleta.

A American Dental Association divide, de forma geral, as proteções dentárias em três categorias: pré-formadas, moldáveis — frequentemente conhecidas como boil-and-bite — e personalizadas.

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As pré-formadas são vendidas em tamanhos padronizados e não têm adaptação individual, podendo obrigar o atleta a mantê-las presas entre os dentes.

As boil-and-bite são aquecidas em água e moldadas através da mordida e da pressão, mas nem sempre ficam totalmente estáveis.

Já as personalizadas são produzidas sobre um molde da boca realizado por um médico dentista, respeitando a anatomia e a oclusão do atleta.

Este encaixe mais preciso permite que a proteção permaneça no lugar sem ser constantemente mordida, interfira menos com a respiração e a fala e ofereça uma proteção mais eficaz — fatores especialmente importantes para um jovem que treina regularmente.

Para um jovem que treina regularmente, a qualidade do encaixe torna-se particularmente relevante. Uma proteção deve permanecer estável na boca sem obrigar o atleta a mantê-la constantemente presa entre os dentes e deve interferir o mínimo possível com funções como respirar e comunicar durante o treino.

É precisamente nestes aspetos que as proteções personalizadas apresentam vantagens importantes.

Mas nas crianças há uma particularidade importante: a solução mais sofisticada nem sempre significa simplesmente fabricar uma proteção e esquecê-la. Como a dentição pode alterar-se rapidamente, o profissional deve considerar em que fase do desenvolvimento dentário aquela criança se encontra.

“Ele não gosta de usar.” Talvez o problema não seja a criança

Convencer crianças e adolescentes a utilizar proteção dentária pode ser um desafio.

“Não consigo respirar.”

“Não consigo falar.”

“Incomoda.”

“Está sempre a cair.”

Algumas destas queixas não devem ser automaticamente interpretadas como resistência ou falta de disciplina. Podem indicar simplesmente uma proteção mal adaptada.

Um estudo realizado com jovens entre os 12 e os 14 anos encontrou problemas de fala, respiração e desconforto associados sobretudo a proteções com mau encaixe. Outro estudo que acompanhou crianças durante um ano identificou o esquecimento e o desconforto entre as principais razões para não utilizarem regularmente a proteção.

Uma meta-análise publicada em 2025 encontrou vantagem das proteções personalizadas sobre as auto-adaptáveis em parâmetros como encaixe, conforto, dificuldade de fala e respiração.

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Este é um ponto particularmente importante quando falamos de crianças: a melhor proteção não é apenas aquela que oferece proteção adequada, mas aquela que o jovem atleta consegue efetivamente utilizar durante o treino.

Um equipamento desconfortável, instável ou que dificulta excessivamente a comunicação tem maior probabilidade de acabar dentro do saco em vez de dentro da boca.

Portanto, antes de insistir para que uma criança “se habitue”, vale a pena verificar se aquilo que está dentro da boca realmente está adequado.

O papel dos pais começa antes do primeiro combate

A proteção dentária não deveria aparecer apenas quando chega a primeira competição.

Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes na forma como pensamos a prevenção nos jovens atletas.

Se a criança aprende desde os primeiros treinos com contacto que colocar a proteção faz parte da preparação — tal como vestir o kimono, apertar as luvas ou colocar as caneleiras — o equipamento deixa de representar uma obrigação extraordinária.

Passa a ser simplesmente mais uma peça essencial do equipamento.

Passa a fazer parte do ritual.

A própria AAPD recomenda que médicos dentistas orientem pais e crianças sobre prevenção de traumatismos orofaciais e que profissionais, treinadores, escolas e organizações desportivas participem neste processo educativo.

A FDI vai na mesma direção: treinadores, professores, pais e responsáveis por modalidades de contacto devem ajudar a garantir que a proteção está a ser utilizada corretamente.

Para os pais, isso significa observar o encaixe, acompanhar alterações na dentição, manter avaliações dentárias regulares e, sobretudo, não esperar pelo primeiro dente partido para começar a falar de prevenção.

Segurança também se aprende

Nas artes marciais e nos desportos de combate, ensinamos crianças a cair, bloquear, defender, controlar a distância e respeitar regras.

Tudo isso existe porque aprender a lutar também significa aprender a reduzir riscos.

A proteção dentária pertence à mesma lógica.

A primeira proteção de um jovem atleta não precisa marcar o momento em que ele começa a competir. Pode marcar algo anterior e talvez mais importante: o momento em que aprende que cuidar do próprio corpo também faz parte da formação de um atleta.

Porque prevenção não começa depois do primeiro acidente.

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Começa antes do primeiro impacto.

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