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De guerreiro a atleta

Como as artes marciais sobreviveram ao mundo que as tornou menos necessárias

Por: Ananda D´Ecanio Fonte: Redação FightNews
25/08/2026 às 15h13
De guerreiro a atleta
Social Digital Fight

Da guerra às escolas, da defesa à saúde, da competição ao património cultural: a história das artes marciais modernas é também a história de práticas que tiveram de encontrar novas funções para continuar relevantes.

Durante séculos, em diferentes partes do mundo, saber lutar podia ter uma utilidade muito mais imediata do que aquela que encontramos hoje numa academia. Havia soldados preparados para a guerra, guardas e escoltas, comunidades organizadas para a própria defesa e pessoas para quem a capacidade de combater fazia parte de uma realidade concreta de segurança, conflito ou sobrevivência.

Isso não significa que todas as artes marciais tenham nascido exclusivamente no campo de batalha, nem que treino, ritual, competição, entretenimento, saúde e espiritualidade não existissem anteriormente. A própria história das artes marciais chinesas mostra uma coexistência antiga de funções militares, defesa civil, práticas de saúde, competição e dimensões culturais e espirituais. O ponto é outro: em muitos sistemas de combate, a capacidade marcial tinha um lugar social que a modernidade progressivamente transformou.

A crescente eficácia, alcance e cadência das armas de fogo, a reorganização dos exércitos, a urbanização, a transformação das instituições educativas e o aparecimento da cultura desportiva moderna alteraram profundamente esse cenário. No caso chinês estudado pelo historiador Kai Filipiak, as armas de fogo modernas diminuíram a importância militar das artes tradicionais justamente quando modalidades ocidentais começavam a disputar espaço e prestígio na sociedade chinesa. O que antes tinha uma utilidade evidente começava, em certos círculos, a parecer uma sobrevivência de um mundo antigo.

Mas as técnicas não desapareceram quando o mundo mudou.

Um golpe continuava a poder ferir. Uma projeção continuava a derrubar. Uma imobilização continuava a controlar.

O problema já não era apenas saber se aquilo funcionava.

Era descobrir para que a sociedade continuaria a precisar daquilo.

Não houve um dia em que o guerreiro se transformou em atleta

É tentador contar esta história como uma linha simples: primeiro existiu a guerra, depois chegaram as artes marciais e finalmente nasceu o desporto. A investigação histórica mostra uma realidade muito menos organizada.

As diferentes tradições seguiram caminhos próprios, em momentos distintos, sob pressões políticas, culturais e sociais diferentes. Algumas foram profundamente reformuladas. Outras mantiveram estruturas antigas ao lado das novas. Algumas ganharam espaço como métodos educativos; outras como práticas de saúde, símbolos nacionais, espetáculos, sistemas de defesa pessoal ou modalidades competitivas.

O que aparece repetidamente não é uma sequência universal, mas um mecanismo: quando uma prática perde parte da função social que lhe dava relevância, ela pode desaparecer, permanecer num nicho ou encontrar novas razões para continuar a existir.

No estudo que serviu de ponto de partida para esta reflexão, Filipiak descreve exatamente esse processo nas artes marciais chinesas. Entre os séculos XIX e XX, elas mudaram de ambiente, passaram do meio rural para grandes centros urbanos, criaram associações, entraram no sistema educativo, desenvolveram novas metodologias, tornaram-se objeto de investigação académica, foram transformadas em desporto e, posteriormente, promovidas como património e símbolo de identidade nacional.

Casos encontrados noutras tradições mostram processos comparáveis embora nunca idênticos.

Quando a arte marcial entrou na escola

Uma das transformações mais importantes não ocorreu no combate, mas na forma de transmitir o conhecimento.

Ensinar uma arte num círculo relativamente pequeno de praticantes é muito diferente de ensiná-la numa instituição. A transmissão pode depender do mestre, da relação pessoal com o aluno, das características daquele grupo e, em alguns contextos históricos, de conhecimentos reservados a determinados membros ou linhagens.

Uma escola precisa de outra lógica.

É preciso estabelecer conteúdos, progressão, horários, critérios de avaliação e métodos que possam ser reproduzidos por diferentes professores.

O judo fornece um dos exemplos mais conhecidos. Jigoro Kano fundou o Kodokan em 1882 a partir do estudo de diferentes escolas de jujutsu, mas o seu projeto ultrapassava a criação de um novo sistema de combate. Kano era educador e concebia o judo como instrumento de desenvolvimento físico, intelectual e moral. A própria Federação Internacional de Judo descreve a história da modalidade como uma combinação entre tradição marcial e projeto educativo moderno.

O crescimento trouxe um problema muito concreto: como ensinar um número cada vez maior de alunos? Uma investigação histórica publicada em 2026 sobre o gokyo-no-waza mostra que o aumento rápido de praticantes do Kodokan criou a necessidade de uma progressão didática organizada. Em 1895, Kano e alguns dos seus alunos mais antigos estabeleceram um programa de 42 técnicas de projeção; o sistema seria revisto em 1920.

O que parece simplesmente uma lista técnica revela uma transformação muito maior.

Quando o conhecimento precisa de ser ensinado em escala, a tradição transforma-se em currículo.

E um currículo nunca contém tudo.

É necessário decidir o que vem primeiro, o que é fundamental, aquilo que pode ser ensinado com segurança, o que deve ser testado e quais competências representam o domínio daquela prática.

Preservar passa também a significar selecionar.

O karaté viveu outro processo de institucionalização. Investigação publicada no Research Journal of Budo documenta que a modalidade entrou nas escolas secundárias de Okinawa em 1905. Entre as décadas seguintes, a sua presença em organizações juvenis foi discutida, rejeitada em alguns contextos por preocupações com violência e posteriormente legitimada pelas suas funções de educação física e recreação. No caso estudado, aquilo que antes era visto com reservas começou a ocupar um lugar aceite dentro da educação moderna.

A arte continuava a ensinar movimentos de combate.

Mas agora precisava também de justificar-se como educação.

Quando lutar deixou de ser a única razão para treinar

Outra mudança fundamental foi a valorização do próprio treino independentemente da necessidade de enfrentar um adversário real.

No caso do Taijiquan, Filipiak recupera o exemplo de Yang Chengfu, uma das figuras centrais na disseminação do estilo Yang no início do século XX. A forma foi modificada, com a redução de movimentos mais exigentes, como certos saltos e pisadas fortes, para tornar a prática acessível a pessoas de diferentes idades e condições físicas.

Não se tratava simplesmente de “retirar combate” da arte. Tratava-se de responder a uma nova procura social: o treino corporal como prática de saúde.

Essa multiplicação de funções continua visível hoje em tradições muito diferentes. A UNESCO descreve o Silat, inscrito em 2019 na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, como uma arte historicamente ligada à autodefesa e à sobrevivência e originalmente praticada por guerreiros, mas que atualmente também existe como treino físico e espiritual, arte performativa e prática de saúde e lazer.

O Taekkyeon coreano, inscrito pela UNESCO em 2011, oferece outro exemplo: além das técnicas ofensivas e defensivas, a instituição destaca a sua função de integração comunitária e o papel da prática como atividade física e promoção da saúde pública.

A arte marcial começava assim a resolver um problema bastante diferente daquele colocado por um campo de batalha.

O adversário já não precisava de estar presente para que o treino tivesse valor.

Para continuar a lutar, foi preciso criar limites

A transformação em desporto acrescentou outra camada.

Uma competição precisa de algo que um confronto aberto não possui: repetibilidade.

Os participantes precisam de poder enfrentar-se, existir um vencedor, terminar a luta e, idealmente, voltar a competir.

Isso exige estabelecer duração, espaço, categorias, pontuação, formas de vitória, infrações, técnicas permitidas e técnicas proibidas.

No artigo de Filipiak, as primeiras competições chinesas mostram precisamente essa transformação. Num torneio de combate livre realizado em Hangzhou em 1929, ainda não existiam divisões por idade ou peso. Em 1948, regulamentos nacionais já estabeleciam critérios detalhados para performances, duração, arbitragem e pontuação. Nas décadas seguintes, a padronização foi ampliada.

O judo percorreu a sua própria trajetória de expansão competitiva. A Federação Internacional foi criada em 1951, o primeiro Campeonato do Mundo realizou-se em 1956 e a modalidade estreou no programa olímpico em Tóquio 1964.

Um processo semelhante pode ser observado na passagem dos combates de Vale Tudo e dos primeiros eventos no-holds-barred para a consolidação do MMA moderno.

No Brasil, o Vale Tudo colocou frente a frente praticantes de diferentes estilos sob conjuntos de regras muito mais permissivos do que aqueles que hoje associamos ao MMA profissional. Essa tradição foi uma das matrizes dos eventos que, a partir dos anos 1990, ajudaram a construir o MMA contemporâneo. Os primeiros UFC, por exemplo, foram concebidos como torneios entre representantes de diferentes disciplinas e tinham muito menos restrições do que a modalidade viria a adotar posteriormente.

Com o crescimento do espetáculo vieram também pressões por segurança, regulamentação e reconhecimento desportivo. Progressivamente foram introduzidos limites de tempo, categorias de peso, técnicas proibidas, sistemas de pontuação, árbitros e critérios mais definidos para interrupção dos combates. Em abril de 2001, uma reunião organizada pela New Jersey State Athletic Control Board estabeleceu um conjunto uniforme de regras para o MMA, modelo que posteriormente se tornou referência para a regulamentação da modalidade nos Estados Unidos. As regras fixaram, entre outros elementos, rounds de cinco minutos e um conjunto explícito de faltas e critérios competitivos.

O que antes procurava aproximar-se da ideia de descobrir “qual estilo funciona quando quase tudo é permitido?” transformou-se progressivamente numa modalidade própria, com atletas que já não precisavam representar uma única arte marcial. Passaram a treinar especificamente para um ambiente em que trocação, quedas, luta de solo, controlo de grade, ritmo e estratégia precisavam funcionar dentro do mesmo conjunto de regras.

E esse detalhe é fundamental: a regulamentação não apenas tornou aqueles confrontos mais seguros e mais facilmente reconhecidos como desporto. Ela ajudou a produzir um novo tipo de lutador.

A chegada ao desporto moderno, portanto, produz uma consequência que vai muito além da organização dos campeonatos:

a regra começa a influenciar a própria técnica.

Se uma ação vale pontos, torna-se estrategicamente importante. Se uma determinada posição oferece maior possibilidade de vitória, recebe mais tempo de treino. Se uma técnica é proibida, deixa de integrar a estratégia competitiva. Se algo permanece permitido mas oferece pouca vantagem dentro do regulamento, pode gradualmente perder espaço.

As regras parecem estar fora da luta, mas acabam por entrar dentro dela.

Filipiak identifica esse processo de forma particularmente clara no wushu competitivo. À medida que os critérios de apresentação se tornaram centrais, elementos como velocidade, saltos, amplitude e expressão estética ganharam maior importância. Até as armas utilizadas nas apresentações passaram a ser fabricadas com materiais mais leves e flexíveis, adequados ao desempenho visual, muito diferentes de armas concebidas para utilização real em combate.

Isso não significa que o desporto “destrói” necessariamente uma arte marcial.

Significa que cada sistema de regras cria incentivos, e esses incentivos ajudam a decidir quais capacidades serão mais desenvolvidas pelos praticantes.

O nascimento de uma nova forma de provar quem sabe lutar

A competição também altera a maneira como a competência é reconhecida.

Em muitas culturas marciais, autoridade e conhecimento estiveram historicamente associados a fatores como reputação, professor, linhagem, experiência, posição dentro de determinada comunidade ou demonstrações concretas de habilidade.

O desporto acrescenta outra linguagem.

Resultados.

Medalhas.

Títulos.

Rankings.

Recordes.

O praticante passa a poder ser comparado com outro dentro de critérios previamente aceites. O “bom lutador” deixa de depender apenas da avaliação de uma comunidade local e passa também a poder ser definido por uma estrutura de competição.

É neste contexto que a figura do atleta marcial ganha centralidade.

Mas o atleta não elimina o lutador, o mestre ou o praticante tradicional. Ele acrescenta uma nova categoria.

E essa sobreposição ajuda a explicar muitos dos conflitos contemporâneos dentro das próprias artes marciais: eficácia de defesa pessoal versus eficácia competitiva, preservação de técnicas versus otimização do regulamento, linhagem versus resultado, tradição versus inovação.

São debates técnicos, mas também são disputas sobre qual função da arte deve ter maior autoridade.

O Brasil mostra que não existe uma única estrada para a modernidade

A história brasileira torna ainda mais difícil sustentar uma evolução linear das artes marciais.

O historiador José Cairus analisou a chegada do jiu-jitsu japonês ao Brasil no início do século XX dentro de um contexto de modernização, nacionalismo e cultura física. Segundo o investigador, o jiu-jitsu foi inicialmente apresentado no país também como um sistema moderno de educação física, com interesse de setores militares, antes de passar por processos de adaptação, apropriação e reinvenção que contribuiriam para aquilo que hoje conhecemos como jiu-jitsu brasileiro.

A capoeira seguiu uma trajetória completamente diferente.

Associada a populações negras e marginalizadas, o Código Penal brasileiro de 1890 criminalizou a chamada ‘capoeiragem’ em ruas e praças públicas. Estudos sobre a imprensa do Rio de Janeiro mostram que, nas primeiras décadas do século XX, enquanto grande parte dos jornais ainda a condenava, começaram a aparecer discursos que valorizavam a sua técnica, a sua utilização educativa, a possibilidade de transformá-la em desporto e o seu caráter brasileiro.

Mais de um século depois daquela criminalização, a roda de capoeira foi inscrita pela UNESCO, em 2014, como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A própria descrição da UNESCO recusa uma definição única: a capoeira é simultaneamente luta e dança e pode ser entendida como tradição, desporto e forma artística, além de funcionar como espaço de integração social e memória de resistência à opressão histórica.

Talvez nenhum exemplo mostre de forma tão clara por que “de guerreiro a atleta” não pode ser entendido como uma linha reta.

As práticas mudam de lugar social, mas carregam partes dos lugares anteriores consigo.

Quando aquilo que deixou de ser necessário passa a ser preservado

Existe ainda uma última transformação.

Uma prática pode perder parte da sua utilidade imediata e, justamente por isso, adquirir outro tipo de valor.

História.

Memória.

Identidade.

Património.

Filipiak descreve como as artes marciais chinesas passaram a ser tratadas no século XX como um “tesouro nacional”. O processo esteve ligado não apenas à prática desportiva, mas também à construção de identidade cultural chinesa num período marcado por modernização, influência estrangeira e disputas sobre o lugar da tradição na nova sociedade.

O fenómeno ultrapassa a China. Além de capoeira, Silat e Taekkyeon, outras práticas marciais e de combate integram hoje listas de património imaterial da UNESCO. O que antes precisava justificar-se fundamentalmente pela capacidade de produzir determinados efeitos físicos pode passar a ser protegido também porque representa uma comunidade e preserva uma memória coletiva.

É uma mudança profunda de significado.

Quando uma sociedade deixa de precisar de determinada prática para combater, pode começar a precisar dela para lembrar.

A tradição que chegou até nós já mudou muitas vezes

Talvez a consequência mais importante desta história seja colocar em dúvida uma oposição muito comum no universo marcial: de um lado estaria a tradição, intacta e autêntica; do outro, a modernização, responsável por alterá-la.

A investigação contemporânea em estudos das artes marciais tem questionado justamente essa imagem. Paul Bowman, professor de Estudos Culturais da Universidade de Cardiff, chama atenção para a forma como conceitos como tradição, autenticidade e origem são constantemente construídos e reconstruídos no discurso marcial. O próprio ato de repetir uma tradição produz variação; mudanças de contexto, instituições, media e públicos alteram inevitavelmente aquilo que é transmitido.

Isso não significa que tudo seja invenção ou que não existam continuidades históricas reais.

Significa que tradição não é sinónimo de imobilidade.

O judo que entrou nos Jogos Olímpicos não era simplesmente o jujutsu de séculos anteriores com uma medalha colocada ao pescoço. O karaté ensinado a milhares de alunos dentro de instituições educativas já precisava responder a problemas diferentes daqueles enfrentados em ambientes anteriores. A capoeira reconhecida como património cultural carrega a sua história de luta, jogo, música, repressão, resistência, institucionalização e desporto. O Silat contemporâneo pode ser simultaneamente sistema marcial, atividade física, performance e representação cultural.

As camadas não se substituem necessariamente.

Acumulam-se.

É por isso que hoje duas pessoas podem entrar na mesma academia e estar, na prática, à procura de coisas completamente diferentes.

Uma quer competir.

Outra quer saber defender-se.

Outra procura saúde.

Uma família inscreve uma criança pela disciplina.

Alguém procura uma comunidade.

Outro praticante preocupa-se sobretudo com a preservação de uma linhagem.

Todos dizem praticar a mesma arte marcial.

E talvez todos tenham razão.

A longa viagem de guerreiro a atleta nunca foi apenas a transformação de um combatente num desportista. Foi a capacidade das artes marciais de ocupar sucessivamente — e muitas vezes simultaneamente — novos lugares na sociedade.

Combate, educação, saúde, desporto, lazer, identidade, comunidade e património passaram a coexistir dentro de práticas que, em muitos casos, surgiram num mundo radicalmente diferente daquele em que são treinadas hoje.

Talvez seja precisamente essa capacidade de transformação que explique por que tantas sobreviveram.

Não porque tenham permanecido intactas.

Mas porque conseguiram continuar a fazer sentido quando o mundo à sua volta já não era o mesmo.

E isso deixa uma pergunta que continua em aberto em praticamente todas as artes marciais:

quanto uma tradição pode mudar para sobreviver sem deixar de reconhecer-se a si própria?

 

Fontes e referências

Este artigo foi desenvolvido a partir do estudo “From Warriors to Sportsmen: How Traditional Chinese Martial Arts Adapted to Modernity”, de Kai Filipiak, publicado no Journal of Asian Martial Arts, Vol. 19, n.º 1, 2010, e ampliado com pesquisa histórica e académica sobre a modernização do judo, karaté, jiu-jitsu brasileiro, capoeira, Vale Tudo/MMA e processos de institucionalização, desportivização e patrimonialização das artes marciais.

Entre as fontes complementares consultadas estão publicações e documentos da International Judo Federation (IJF), UNESCO, Research Journal of Budo, estudos académicos sobre a história do jiu-jitsu no Brasil e documentação oficial relativa à regulamentação do MMA.

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