
Stephany da Cruz é uma jovem promessa do Jiu-Jitsu português, conhecida pela sua determinação, resiliência e conquistas impressionantes. Com apenas 14 anos, já é vice-campeã mundial da AJP em Abu Dhabi e detentora de mais de 26 vitórias consecutivas, tendo conquistado o primeiro lugar em 22 competições. O Jiu-Jitsu não é apenas uma paixão para Stephany, mas uma forma de vida que a tem moldado, tanto dentro como fora do tatami. Ao longo desta entrevista, a atleta partilha a sua trajetória no desporto, a origem do seu apelido "A Tempestade", e as lições que aprendeu ao longo do caminho. Para ela, a competição não é apenas sobre vencer, mas sobre se superar constantemente e transformar desafios em vitórias. Descubra como o Jiu-Jitsu moldou a sua vida e os seus planos para o futuro.
FightNews: Como começaste no Jiu-Jitsu? O que te motivou a escolher este desporto?
Stephany da Cruz: Tudo começou com o desejo de me tornar mais ativa no desporto. Inicialmente, explorei modalidades como ballet e ginástica, que estavam longe do universo das artes marciais. No entanto, por influência da minha família, decidi experimentar algo voltado para a autodefesa. Comecei pelo judo, mas não me identifiquei com a modalidade. Foi então que encontrei o meu lugar no Jiu-Jitsu. Com muito esforço, tempo e dedicação, este desporto tornou-se não só a minha paixão, mas também uma das minhas maiores habilidades.

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FightNews: És ainda bastante jovem e já tens 26 vitórias consecutivas. Com que idade começaste a competir e o que representa a competição para ti?
Stephany da Cruz: Com apenas 14 anos, já participei em 28 lutas, das quais venci 23 por finalização e 2 por pontuação. No total, conquistei o 1.º lugar em 22 competições consecutivas e o 2.º lugar em 3 ocasiões. Entre os meus maiores feitos estão o título de vice-campeã mundial da AJP em Abu Dhabi e de vice-campeã europeia. Toda esta trajetória começou aos 13 anos, quando me iniciei nas competições apenas dois meses após começar a treinar Jiu-Jitsu. Para mim, competir é muito mais do que medir forças com adversários. É o momento de provar a mim mesma que sou capaz de aplicar tudo o que aprendi e de superar os meus próprios limites. É também uma oportunidade para honrar o apoio incondicional dos meus pais e da minha equipa, que sempre estiveram ao meu lado em cada passo desta jornada.
As competições refletem o verdadeiro poder do Jiu-Jitsu: uma arte que transforma vidas, concretiza sonhos e oferece novas realidades. No tatami, sinto-me plenamente realizada. É onde aplico toda a essência da “arte suave”, enquanto o meu corpo trabalha, a minha mente celebra e eu enfrento cada desafio com determinação e paixão. Sou como uma tempestade: avanço com força e destruo tudo o que surge no meu caminho, mostrando que o Jiu-Jitsu é mais do que um desporto — é uma forma de viver.

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FightNews: "A Tempestade" é um apelido marcante. Qual é a origem deste nome e o que ele representa para ti?
Stephany da Cruz: "A Tempestade” é mais do que uma alcunha, é uma parte de quem sou, dentro e fora do tatami. Este nome nasceu da forma como sempre vivi e lutei: intensa, imprevisível, determinada e cheia de propósito. Fui eu própria quem escolheu este nome, porque sempre senti algo em mim fora do comum – uma força, uma determinação e uma vontade inabalável de enfrentar qualquer desafio. Desde pequena, senti como se houvesse uma tempestade dentro de mim, uma energia poderosa e incessante. Foi no Jiu-Jitsu que percebi o quão valiosa essa força podia ser e que, em vez de a conter, deveria deixá-la fluir. Foi então que decidi que o meu nome seria “A Tempestade”.
Para mim, “A Tempestade” representa muito mais do que o meu estilo de combate. É o símbolo da força que encontro nos momentos mais difíceis, da paixão que me move e da transformação que o Jiu-Jitsu trouxe para a minha vida. Tal como uma tempestade altera tudo à sua passagem, cada luta é, para mim, uma oportunidade de transformar dúvidas em certezas, fraquezas em força e sonhos em realidade.
Este nome reflete a essência do meu percurso: a perfeita união entre força e suavidade, caos e controlo. É um lembrete constante de que, no tatami, sou livre, sou forte e capaz de enfrentar qualquer obstáculo. Dentro de mim vive uma tempestade que nunca para de avançar, e é essa força que guia cada passo da minha jornada.

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FightNews: O Jiu-Jitsu exige disciplina, dedicação e sacrifício. Como é a tua rotina de treinos e preparação para competições?
Stephany da Cruz: A minha preparação para competições resume-se a uma palavra: resiliência. É a capacidade de nos levantarmos após cada queda, aprendendo com os desafios e seguindo em frente com mais força. Não se trata de nunca cair, mas de nunca desistir, pois as grandes conquistas vêm da persistência.
Na prática, o meu treino começa com um aquecimento simples, seguido de drills específicos para o campeonato. À medida que a competição se aproxima, o treino torna-se mais intenso e rápido, focando em repetições eficazes em pouco tempo. Quanto mais próxima a competição, mais foco tenho nas técnicas que melhor domino, mas também trabalho as posições que preciso melhorar. Depois, sigo para os rolas. Após o treino de Jiu-Jitsu, com duração entre 2h30 e 3h, faço ainda 30 minutos de preparação física, tudo isso 6 vezes por semana.

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FightNews: Quais são os valores mais importantes que aprendeste no Jiu-Jitsu e que aplicas também na tua vida fora do tatame?
Stephany da Cruz: No Jiu-Jitsu, aprendi valores fundamentais como resiliência, respeito, disciplina, humildade e trabalho em equipa, que aplico na minha vida pessoal e profissional. Esses valores ajudam-me a enfrentar desafios, a respeitar os outros e a mim mesma, e a estar sempre em busca de evolução.
No entanto, o que mais destaco é a autossuperação, um desafio constante que nos leva a sermos melhores a cada dia. Não se trata de competir com os outros, mas de vencer os nossos próprios medos e limitações. Cada esforço para sair da zona de conforto aproxima-nos da melhor versão de nós mesmos. Acredite no seu potencial — é mais forte do que imagina!
FightNews: Como achas que o Jiu-Jitsu pode transformar vidas e inspirar outros jovens, como aconteceu contigo?
Stephany da Cruz: O Jiu-Jitsu tem um poder transformador, pois ensina-nos a enfrentar desafios, a desenvolver resiliência e a confiar em nós próprios. Para os jovens, é uma ferramenta de autodescoberta, disciplina e superação das limitações. Ajuda-nos a controlar as emoções e a lutar pelos nossos sonhos. No meu caso, o Jiu-Jitsu mudou a minha vida, dando-me uma nova direção e confiança. Acredito que, ao inspirar outros jovens, como eu, que entrei neste mundo de forma inesperada, posso mostrar-lhes que, com dedicação, é possível alcançar os seus objetivos e transformar as suas vidas.
Uma das maiores lições que aprendi é que, mesmo nos momentos mais difíceis, quando sentimos que estamos no fim da luta e quase desistimos, há sempre a possibilidade de lutar mais um pouco, sair de uma posição difícil e conquistar a vitória. Na vida, também enfrentamos momentos de fraqueza e dúvida, mas temos a opção de nos levantar, dar o nosso melhor e superar qualquer obstáculo.

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FightNews: Para finalizar, o que gostarias de alcançar nos próximos anos na tua carreira? Tens alguma meta específica que ambicionas concretizar?
Stephany da Cruz: Nos próximos anos, o meu objetivo é continuar a evoluir no Jiu-Jitsu, conquistar títulos importantes e ganhar mais visibilidade pelo meu trabalho, tornando-me uma referência na modalidade. Além disso, ambiciono crescer como mentora, ajudando outros jovens a transformar as suas vidas através do Jiu-Jitsu. A minha meta imediata é conquistar o segundo título no Mundial da AJP em Abu Dhabi, mas desta vez, espero alcançar o primeiro lugar no pódio. Quero tornar-me não apenas igual, mas melhor do que as minhas referências, e continuar a evoluir como atleta, enfrentando novos desafios com disciplina e resiliência. Com dedicação, sei que posso alcançar os meus objetivos, tal como tu!