
No início de novembro, em Atenas, na Grécia, o atleta de kickboxing Charlie Thomas representará Portugal no Campeonato da Europa da WAKO. Com apenas 22 anos, Charlie traz uma experiência competitiva sólida e um percurso marcado pela dedicação e superação. Após começar a sua jornada no clube de kickboxing do pai em Inglaterra, onde morou por alguns anos, o atleta foi ganhando títulos e amadurecendo como lutador e pessoa. Nesta entrevista, Charlie fala-nos sobre a sua trajetória, as expectativas para a competição e o que significa para ele carregar a bandeira de Portugal numa competição europeia.
FightNews: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória no mundo dos desportos de combate. Como começou? Qual foi o seu primeiro contacto com o kickboxing?
Charlie Thomas: Comecei no kickboxing quase que por destino. Em 2016, com 14 anos, deixei Portugal e fui para Inglaterra, a terra natal da minha família. Tive a imensa sorte de o meu pai ser dono de um clube de kickboxing, e, independentemente de ele ser o meu pai, sentia que aquele era o meu lugar. Sabia que tinha potencial para chegar longe. Em apenas dois anos, conquistei o título de campeão mundial da WKO e, no ano seguinte, tornei-me bicampeão europeu pela WFMC.
A competitividade em Inglaterra era imensa, algo que não se compara com o que encontrei em Portugal. Desde que voltei, há cerca de quatro anos, tenho trabalhado todos os dias para melhorar e alcançar algo significativo pelo meu país.

Imagem cedida Charlie Thomas
FightNews: Como está a sua preparação e qual a sua expectativa para o Campeonato da Europa, que se inicia no próximo dia 1 de novembro?
Charlie Thomas: Estou extremamente confiante para este Campeonato da Europa. Sei que estou bem preparado e em excelente forma! Mais do que tudo, sinto-me honrado por representar o meu país. Independentemente da classificação, só o facto de poder carregar a bandeira da seleção nacional é motivo de orgulho.
FightNews: Como é a sua rotina de treinos e preparação?
Charlie Thomas: A minha rotina de treino é intensa. São quatro treinos semanais bem exigentes, combinados com três sessões de corrida, bastante treino de sombra e um trabalho de visualização constante. Recomendo sempre a visualização do combate – a entrada no tatâmi, a pressão, a ansiedade e o nervosismo. Visualizar todos estes momentos ajuda imenso a estar preparado na hora da luta.

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FightNews: Quais são os principais valores e lições que o kickboxing lhe ensinou?
Charlie Thomas: O kickboxing foi fundamental para o meu desenvolvimento pessoal. Aprendi a valorizar-me e a entender que nada nos é oferecido gratuitamente; tudo exige esforço. Em criança, fui um pouco problemático, mas o kickboxing ajudou-me a ser uma pessoa mais calma e focada. Aprendi a valorizar as pessoas pelo que são e não pelo que podem dar, e só tenho a agradecer ao meu pai e ao meu treinador, Emanuel Cortes, que para mim é como um segundo pai.

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FightNews: Quais são os seus objetivos dentro do kickboxing? Onde pretende chegar?
Charlie Thomas: Tenho objetivos claros: quero tornar-me o primeiro português a conquistar uma medalha de ouro num Campeonato Europeu ou Mundial da WAKO. Além disso, quero incentivar e ensinar as futuras gerações, porque acredito que Portugal tem muito a oferecer nas disciplinas de tatâmi.

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FightNews: Para finalizar, deixe uma mensagem para todos aqueles que o acompanham e apoiam o seu trabalho.
Charlie Thomas: A todos os que me apoiam e têm estado ao meu lado nesta jornada, só posso agradecer do fundo do coração pela força que me dão! Aos meus amigos e familiares, um forte abraço – sem vocês, tudo seria muito mais difícil. E, para quem me segue, deixo este conselho: nunca desistam dos vossos sonhos. Trabalhem duro, porque um dia tudo se concretiza!