
Gonçalo, que sofreu uma rotura total do ligamento cruzado anterior (LCA), partilhou com a nossa redação as suas emoções e planos para a recuperação.
FightNews: Gonçalo, como te sentes após receber o diagnóstico da lesão no ligamento cruzado anterior?
Gonçalo Cabecinhas: Não me sinto surpreendido porque já tive uma lesão igual na perna esquerda. Todos os sintomas apontavam para que eu me fosse mentalizando do resultado da ressonância magnética. A diferença desta vez é que não me afectou os meniscos como aconteceu anteriormente.
FightNews: Podes contar-nos como ocorreu a lesão durante a luta contra Abde Bentarifet no Warriors Roses Club Boxa?
Gonçalo Cabecinhas: Ao rever o combate, lembro-me que quando estava a preparar um golpe direto com a mão direita, senti como se alguém me tivesse atingido com um 'pau' atrás da perna. Naquele momento, percebi o que se tinha passado, mas no 'calor do momento' acreditava que conseguiria terminar o primeiro assalto e, no intervalo, falar com o canto para decidir se continuava ou não. Infelizmente, ao tentar seguir com o combate, caí sozinho por não ter estabilidade na perna, o que me causou uma frustração total.
FightNews: Qual é o prognóstico dos médicos e quais são os próximos passos para a tua recuperação?
Gonçalo Cabecinhas: O prognóstico é fazer uma operação para reconstrução do ligamento, pois não há outra forma de recuperar a 100%. A recuperação passa agora por ganhar o máximo de músculo possível para que o pós-operatório e a recuperação sejam mais rápidos. Claro que vai ser novamente com canadianas e visitas diárias ao fisioterapeuta.
FightNews: Já tens alguma previsão de quando poderás voltar aos treinos e competições?
Gonçalo Cabecinhas: Usando a minha lesão anterior como exemplo, após a operação em dezembro, em março já conjugava a fisioterapia com treino de musculação e voltei a treinar com calma em maio. Em outubro, estava a subir ao ringue novamente. No entanto, neste momento não quero pensar em competições. Quero ficar totalmente recuperado e depois logo vejo como será. Quando fiz 40 anos, tinha definido que competiria por mais cerca de cinco anos ou até que alguma lesão grave me obrigasse a parar. Vamos aguardar e ver como me sinto após a recuperação."
FightNews: Tens alguma mensagem para os teus fãs e para todos aqueles que te apoiam neste momento?
Gonçalo Cabecinhas: Agradeço o carinho e a preocupação que têm demonstrado para comigo. À parte do sucedido, sinto-me bem psicologicamente. Uma lesão faz parte do 'jogo' e há que encará-la como um percalço. Encarar de forma 'leviana' permite desenvolver outras competências e aproveitar para dar atenção a outras áreas da vida.