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Ricardo Arona em Portugal: um seminário para aprender com quem testou o jiu-jitsu no mais alto nível

Da pressão de Carlson Gracie ao ADCC e ao PRIDE, Ricardo Arona traz à Icon Jiu-Jitsu / Vita Team, em Carcavelos, a experiência de uma carreira construída entre o jiu-jitsu, o grappling e o MMA.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação FightNews
16/09/2026 às 15h38 Atualizada em 16/09/2026 às 17h35
Ricardo Arona em Portugal: um seminário para aprender com quem testou o jiu-jitsu no mais alto nível
Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

Há currículos que ajudam a perceber imediatamente por que razão a presença de um atleta num tatami merece atenção. O de Ricardo Arona é um deles.

No ADCC, o brasileiro venceu a categoria -99 kg em 2000 e voltou a fazê-lo em 2001, ano em que conquistou também o absoluto. Em 2003, regressou para vencer a Superfight diante de Mark Kerr. O próprio ADCC inclui Arona no seu Hall of Fame e destaca um dado particularmente raro na sua passagem pela competição: terminou a carreira no torneio invicto e sem ter sofrido um único ponto. 

O grappling abriu-lhe também as portas do MMA. Arona construiu uma carreira vitoriosa e tornou-se um dos grandes nomes brasileiros associados à era do PRIDE, enfrentando atletas como Fedor Emelianenko, Wanderlei Silva, Maurício “Shogun” Rua, Alistair Overeem, Kazushi Sakuraba e Dan Henderson. Em 2005, chegou à final do Grand Prix da organização depois de derrotar Wanderlei Silva por decisão unânime na semifinal, antes de ser batido por Shogun na decisão do torneio. 

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

Antes disso, a sua trajetória já cruzava uma das linhagens mais influentes do jiu-jitsu brasileiro. Arona treinou na academia Carlson Gracie e recebeu a faixa-preta de Ricardo Libório, no pódio do ADCC, levando para a competição uma identidade muito associada à pressão, ao controlo e à capacidade de transformar posição em domínio. 

É exatamente por esse histórico de casca grossa que Ricardo Arona é um dos nomes mais respeitados da luta no Brasil e é precisamente esse percurso que chega agora a Portugal.

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

No dia 3 de outubro de 2026, Ricardo Arona estará na Icon Jiu-Jitsu / Vita Team, em Carcavelos, para um seminário aberto a praticantes de todas as equipas. E existe um elemento que torna esta passagem particularmente relevante: será a primeira vez que vem a Portugal para ministrar seminários.

O formato definido com Sérgio Vita também procura reunir duas dimensões da carreira do brasileiro: o treino com gi e uma hora de no-gi. Para quem conhece Arona através do ADCC e do PRIDE, é uma oportunidade rara de perceber no tatami como os princípios que marcaram o seu jogo — pressão, controlo, movimentação e aplicação competitiva — são hoje transmitidos por quem os utilizou ao mais alto nível.

E há uma questão prática para quem está a considerar participar: as vagas são limitadas.

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

À Fight News Portugal, Ricardo Arona falou sobre a sua estreia a ensinar em Portugal, a evolução do jiu-jitsu, a diferença entre conhecer uma técnica e tê-la colocado à prova em competição e aquilo que pretende deixar aos praticantes que estiverem consigo no dia 3 de outubro.

FightNews: Ricardo, no dia 3 de outubro vais estar em Portugal para ministrar um seminário na Icon Jiu-Jitsu / Vita Team. Já tiveste anteriormente oportunidade de realizar seminários ou trabalhar com praticantes em Portugal? Qual a vossa expectativa para esse encontro?

Ricardo Arona: Respondendo à pergunta número um. É a primeira vez que eu vou estar em Portugal para realizar seminários. É um prazer estar na academia do meu amigo Vita, a Icon. E a expectativa é de encontrar um jiu-jitsu em progressão, visto que os professores, alguns brasileiros, como o Vita, têm a experiência de ter aprendido ter sua base, seu aprendizado no Brasil e estar transmitindo isso para Portugal, ou seja, um jiu-jitsu de primeira qualidade. Então a expectativa é muito boa, é pegar alunos prontos para aprender coisas novas.

FightNews: O que significa para ti estar em Portugal para partilhar conhecimento e experiência com praticantes portugueses de Jiu-Jitsu e Grappling?

Ricardo Arona: Para mim é uma grande oportunidade, eu fico muito feliz de estar indo para Portugal e poder fazer esses seminários com os portugueses, visto que eu tenho grandes amigos portugueses e a gente tem uma relação muito boa de afinidade com o público português da luta.

Então vai ser muito bom estar ensinando para pessoas, primeiro que entendem claramente o meu idioma, e segundo, como eu falei, eu tenho grandes amigos em Portugal também, então a gente vai se entender muito bem, o que é ótimo para poder ensinar o jiu-jitsu, um entendimento claro entre as partes.

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

FightNews: Que conhecimento tens actualmente sobre o Jiu-Jitsu português? Tens acompanhado a evolução da modalidade e dos atletas em Portugal?

Ricardo Arona: O conhecimento que eu tenho é o que os meus amigos transmitiram para mim. E como eu falei, a base dos professores é a maioria brasileira. A gente se entende e sabe exatamente como ensinar e como adaptar coisas novas no jogo dos portugueses. Então isso facilita muito o fato da língua e o fato de eu ter esses amigos professores em Portugal que me passam como está a evolução desses atletas. Então acredito que tudo vai ser perfeito. Vão ser seminários perfeitos, de um bom entendimento.

FightNews: Ao longo da tua carreira estiveste do outro lado, como atleta, e hoje tens também a possibilidade de transmitir aquilo que aprendeste ao longo de décadas. Que importância têm os seminários na evolução do Jiu-Jitsu?

Ricardo Arona: Esse momento agora, que não é de competidor e de professor, ministrando seminários, é muito importante, porque nós, competidores, podemos transmitir as técnicas que deram certo de uma maneira...

Da melhor maneira, ou seja, a maneira de quem testou e aprovou isso, de quem praticou isso dentro das competições.

É diferente de um cara que é um professor e nunca competiu. O professor competidor ele testou essas posições, ele testou esse jiu-jitsu, ele sabe exatamente o que é eficiente e o que não é. Então, as pessoas têm a oportunidade de aprender com quem aplicou a técnica em campeonatos.

Quem for participar, vai aprender diretamente de quem teve vitórias na aplicação desse jiu-jitsu e isso é muito importante para esses atletas que vão aos seminários.

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

FightNews: O teu estilo ficou marcado por pressão, controlo, explosão e intensidade. Até que ponto esses princípios continuam a ser fundamentais no Jiu-Jitsu moderno?

Ricardo Arona: Hoje o jiu-jitsu é mais solto, as pessoas se movimentam mais e fazem com que as lutas fiquem mais soltas, como eu disse.

Então eu tenho as duas oportunidades para mostrar, a oportunidade de jogar solto e a oportunidade de jogar na pressão, que é o estilo Carlson Gracie.

O estilo da pressão é mais importante para controle e é excelente para campeonatos pois te dá mais tempo de pensar, mais tempo de realizar as coisas, enfim. Na verdade, você deve usar os dois princípios, controle e velocidade, para se mover.

No jiu-jitsu moderno, isso se encaixa muito bem, visto que muito disso se perdeu com o tempo, então, é a oportunidade de passar um jiu-jitsu de controle e pressão, onde você domina do começo ao fim.

Esse é o jiu-jitsu Carlson Gracie.

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

FightNews: Foste campeão do ADCC na tua categoria, campeão absoluto e vencedor da Superfight, além de teres construído uma carreira marcante no MMA. Quando olhas para tudo o que conquistaste, existe algum título ou momento que tenha um significado especial para ti?

Ricardo Arona: Todas as minhas vitórias foram muito relevantes, porque foram marcantes, tanto a minha passagem pelo MMA quanto pelo Jiu-Jitsu, pelo grappling.

Mas a minha primeira vitória no ADCC foi bem marcante, porque eu lutei contra grandes campeões e porque ali as portas do mundo se abriram para mim, a partir daquele dia e foi muito importante para a minha vida toda, para toda a minha carreira que veio depois disso.

Meu primeiro título na ADCC, tem um gosto diferente, é bem especial.

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

FightNews: No dia 3 de outubro, na Icon Jiu-Jitsu / Vita Team, que tipo de seminário podem esperar os praticantes que estiverem presentes?

Ricardo Arona: No dia do seminário do Vita, as pessoas que estiverem lá vão ter a oportunidade de ter um contato com alguém que lutou em todas as modalidades de luta, kimono no jiu-jitsu, sem kimono no grappling, MMA no PRIDE e no Rings.

É uma experiência vivida na pele, uma experiência provada, eu vou passar posições, vou passar experiências de uma trajetória de vitórias.

Quem for ao Seminário vai ter um contato direto com uma pessoa que teve sucesso ao aplicar o jiu-jitsu, o grappling, o MMA nas suas lutas.

É uma grande oportunidade para aqueles que querem ser grandes competidores e para aqueles que querem ter um jiu-jitsu de alto nível, mesmo que não sejam competidores.

Todos devem estar presentes. Será uma grande oportunidade para todos.

FightNews: Do ponto de vista metodológico, como vais estruturar o seminário? Será mais centrado na técnica, nos conceitos, na ligação entre diferentes posições ou na aplicação prática?

Ricardo Arona: Normalmente, eu converso com o professor antes e ele me dá um caminho.

Se ele quer que eu fale mais sobre técnicas para o campeonato, mais para técnica, qual tipo de técnicas, finalizações, defesas, quedas, eu deixo o professor escolher como ele quer que eu guie o seminário.

Então, normalmente, é uma conversa entre eu e o professor para saber como ele quer que seja levado esse seminário, em que direção ele quer.

Se ele quer mais finalizações, mais defesas, mais quedas.

Enfim, é o professor que dita como ele quer que eu caminhe com esse seminário.

O que eu combinei com o Vita é de fazer o seminário de uma hora de kimono e uma hora sem kimono, ou seja, uma hora gi e uma hora no-gi.

 

Foto: Marcelo Alonso @alonsopvt

FightNews: O que gostarias que cada participante levasse consigo para o treino no dia seguinte ao seminário, que legado gostaria de deixar aos participantes?

Ricardo Arona: O que eu vou deixar para os participantes, o que eu quero deixar como principal informação é a importância do jiu-jitsu tanto para a competição quanto para a sua vida pessoal.

A parte de fortalecimento da sua mente, a parte de confiança, a parte de autodefesa, a parte de autoestima, a valorização da saúde, a valorização dos amigos, o ambiente social, tudo que o jiu-jitsu pode modificar na sua vida com a prática diária.

Tudo que mudou na minha vida e que eu vou estar dividindo isso com esses alunos do seminário, tanto para os competidores quanto para aqueles que fazem apenas por esporte, por hobby ou por lazer.

Mas que a seriedade e os benefícios do jiu-jitsu são para todos, independente do que ele almeja na vida dele, do que ele quer fazer com o jiu-jitsu, ser competidor ou ser apenas um praticante.

FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a todos os praticantes portugueses que estarão contigo no dia 3 de outubro na Icon Jiu-Jitsu / Vita Team?

Ricardo Arona: A mensagem que eu quero deixar para todos é que compareçam ao seminário, convidem os seus amigos para ir.

O seminário estará aberto para todos que queiram participar e que vai ser uma grande oportunidade de trocar a experiência direto com uma pessoa que lutou no mundo inteiro e provou que o jiu-jitsu é a melhor luta pra te defender, é a melhor luta pra te fazer um campeão, é a melhor luta pra te fazer uma pessoa melhor.

O jiu-jitsu é o melhor instrumento, a melhor ferramenta pra você ser um ser humano melhor.

Então, nesse dia, todos que estiverem lá vão aprender tanto o conceito de ser um grande competidor quanto ser uma pessoa melhor.

Que todos vão ao seminário e levem, convidem os seus amigos também pra esse grande dia.

Ricardo Arona deixou de competir regularmente, mas aquilo que tornou o seu nome reconhecível entre diferentes gerações do grappling continua particularmente concreto: o seu jiu-jitsu foi colocado à prova contra alguns dos adversários mais relevantes da sua época, em contextos que iam do ADCC ao MMA japonês.

Talvez esteja aí a principal diferença deste seminário. Não se trata apenas de aprender uma sequência de posições com um antigo campeão. Arona propõe transmitir a lógica que existia por trás delas,quando controlar, quando acelerar, como usar a pressão e por que determinadas soluções sobreviveram ao teste da competição no mais alto nível contra os lutadores mais duros da história da luta até hoje.

Para quem treina em Portugal, há ainda um dado que não se repete no currículo do próprio Arona: esta será a sua primeira passagem pelo país para ministrar um seminário. E, desta vez, gi e no-gi estarão no mesmo tatami.

Para quem pretende estar lá, a decisão tem prazo. Até 25 de setembro, a inscrição custa 60 euros; a partir de 26 de setembro passa para 80 euros. As vagas são limitadas e a organização não aceitará inscrições nem pagamentos no dia 3 de outubro. 

SEMINÁRIO RICARDO ARONA

Data: 3 de outubro de 2026
Hora: 9h00
Formato: Gi + No-Gi — uma hora de cada
Local: Ginásio Vita Team Jiu-Jitsu / Icon Jiu-Jitsu
Morada: Estrada da Mata da Torre, 341 — Carcavelos, Cascais
Inscrição: 60€ até 25 de setembro | 80€ a partir de 26 de setembro
Informações e inscrições: +351 925 626 538
Participação: aberto a todas as equipas
Atenção: não serão aceites inscrições ou pagamentos no próprio dia. Vagas limitadas.

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