
A Fight Club Santarém e a Fight Club Almeirim entram numa nova época com ambição renovada e a convicção de que o trabalho desenvolvido ao longo da última temporada lançou bases sólidas para o futuro. À frente do projeto, Fabrice da Silva faz um balanço extremamente positivo do percurso da equipa, destacando não apenas os títulos e resultados alcançados, mas sobretudo a evolução dos atletas e a construção de uma verdadeira cultura de equipa.
Com competições regionais, nacionais e internacionais no horizonte, o treinador assume que a ambição é grande, mas deixa uma ideia clara: crescer, sim, mas sempre com qualidade, estrutura e sem perder a identidade que tem marcado a Fight Club.
Nesta entrevista à Fight News Portugal, Fabrice da Silva fala sobre a última temporada, os resultados alcançados, a evolução da equipa, os desafios de ser treinador, os objetivos para a nova época e o que ainda falta aos desportos de combate em Portugal.

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Fight News Portugal: Fabrice, olhando para a época passada, que balanço fazes do trabalho desenvolvido pela Fight Club? Foi uma temporada dentro das expectativas que tinhas definido no início?
Fabrice da Silva: Faço um balanço extremamente positivo. Foi uma época de muito trabalho, crescimento e aprendizagem. Conseguimos atingir muitos dos objetivos que tínhamos definido e, em alguns aspetos, até superar as nossas expectativas. A Fight Club cresceu não só em número de atletas, mas principalmente em qualidade, organização e resultados. Hoje temos uma estrutura mais forte e uma equipa cada vez mais unida. Ainda temos muito para melhorar, porque nunca estamos satisfeitos e queremos sempre evoluir.

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Fight News Portugal: Quais foram, para ti, os principais momentos da época passada, tanto a nível desportivo como no crescimento da equipa?
Fabrice da Silva: Foi uma época com muitos momentos importantes. A nível desportivo, tivemos atletas presentes em competições regionais, nacionais e internacionais, conquistámos vários títulos e tivemos excelentes prestações. Mas não olho apenas para as medalhas. Um dos maiores motivos de orgulho foi ver a evolução dos nossos atletas, desde os mais jovens até aos adultos, e ver a nossa equipa de competição crescer. Também foi muito importante o crescimento da própria Fight Club, com duas academias e cada vez mais pessoas a acreditar no nosso projeto.

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Fight News Portugal: Em termos de resultados, que conquistas ou desempenhos dos teus atletas destacarias como particularmente importantes?
Fabrice da Silva: É difícil escolher apenas alguns porque tivemos muitos resultados importantes. Conseguimos títulos regionais, nacionais e mundiais, participações em grandes competições e atletas a representarem a Fight Club a um nível cada vez mais elevado. Mas aquilo que mais valorizo é a evolução individual de cada atleta. Há atletas que começaram praticamente do zero e hoje já competem com confiança e demonstram um nível muito bom. Para mim, isso também é uma vitória. As medalhas são importantes, mas formar atletas e pessoas é ainda mais importante.
Fight News Portugal: Enquanto treinador e líder da Fight Club, como avalias a evolução da equipa ao longo da última temporada?
Fabrice da Silva: A evolução foi enorme. Hoje temos uma equipa mais madura, mais disciplinada e com uma mentalidade competitiva muito mais forte. Os atletas perceberam que competir não é apenas entrar num ringue ou num tatami; é treinar com consistência, respeitar os colegas e adversários, saber ganhar e saber perder. Estamos a construir uma verdadeira cultura de equipa. Quero atletas competitivos, mas acima de tudo quero pessoas que representem os valores da Fight Club com respeito, humildade e disciplina.

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Fight News Portugal: Com a nova época a aproximar-se, quais são as principais prioridades da Fight Club neste momento?
Fabrice da Silva: A prioridade é continuar a crescer sem perder a nossa identidade. Queremos melhorar ainda mais a qualidade dos treinos, fortalecer a equipa de competição e continuar a investir nos nossos atletas, desde os mais novos até aos mais experientes. Temos também projetos novos que queremos desenvolver. O nosso objetivo não é crescer por crescer. Queremos construir algo sólido e duradouro, com qualidade, profissionalismo e uma verdadeira família dentro da Fight Club.

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Fight News Portugal: Já estão definidas as principais competições em que a equipa estará presente? Que calendário podes desde já revelar?
Fabrice da Silva: Já temos vários objetivos definidos e estamos a preparar uma época bastante intensa. Vamos estar presentes em competições regionais, campeonatos nacionais e também em grandes eventos internacionais. Queremos continuar a levar os nossos atletas para competições de nível cada vez mais elevado. Algumas datas e participações ainda não posso revelar, porque estamos a finalizar o calendário, mas posso dizer que será uma época muito forte e que haverá algumas novidades importantes.

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Fight News Portugal: A ambição passa por aumentar o número de atletas em competição, novos projetos e escolas, conquistar mais títulos ou sobretudo consolidar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido?
Fabrice da Silva: Passa por tudo isso, mas sempre com equilíbrio. Queremos aumentar a nossa equipa de competição, conquistar mais títulos e desenvolver novos projetos, mas não queremos crescer sem estrutura. Primeiro temos de consolidar aquilo que construímos. Queremos qualidade antes de quantidade. Se continuarmos a trabalhar bem, os resultados e os títulos serão uma consequência. A nossa ambição é grande e queremos levar a Fight Club cada vez mais longe.
Fight News Portugal: Ser treinador implica também saber gerir diferentes personalidades, expectativas e objetivos. Qual tem sido o maior desafio nessa função?
Fabrice da Silva: Esse é provavelmente um dos maiores desafios de ser treinador. Cada atleta é diferente. Uns precisam de mais motivação, outros de mais disciplina, outros de confiança. Temos de conhecer cada pessoa e perceber como podemos tirar o melhor dela. Para mim, ser treinador não é apenas ensinar técnica. É acompanhar, ouvir, motivar e, quando é necessário, dizer aquilo que o atleta não quer ouvir. Nem sempre é fácil, mas é isso que faz parte da responsabilidade de liderar uma equipa.

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Fight News Portugal: Na tua opinião, o que ainda falta aos desportos de combate em Portugal para dar mais condições e visibilidade aos atletas e às equipas?
Fabrice da Silva: Acho que existe muito talento em Portugal, mas ainda falta apoio e visibilidade. Temos atletas que treinam todos os dias, fazem enormes sacrifícios e conseguem resultados nacionais e internacionais, mas muitas vezes têm pouco reconhecimento. É necessário mais investimento, mais patrocinadores, mais cobertura mediática e melhores condições para atletas e clubes. Os desportos de combate têm um enorme potencial em Portugal. Precisamos de trabalhar todos juntos — clubes, federações, organizações, comunicação social e patrocinadores — para dar aos nossos atletas o reconhecimento que merecem.
Fight News Portugal: E para terminar, que mensagem deixas a toda a comunidade dos desportos de combate em Portugal e a todos aqueles que acompanham e apoiam o trabalho da Fight Club?
Fabrice da Silva: Quero, acima de tudo, agradecer. Agradecer aos nossos atletas, treinadores, famílias, patrocinadores e a todas as pessoas que acreditam na Fight Club. Nada se constrói sozinho. Aos nossos atletas digo sempre: continuem a trabalhar, mantenham os pés no chão e nunca deixem de acreditar.
Aos desportos de combate em Portugal, desejo cada vez mais união, respeito e crescimento. Podemos ser adversários dentro do ringue ou no tatami, mas fora deles devemos trabalhar juntos para fazer crescer a nossa modalidade.
Na Fight Club temos uma frase muito simples: queremos fazer história. Não apenas através dos títulos, mas através das pessoas que formamos, dos valores que transmitimos e da marca que deixamos no desporto. E esta nova época será mais um capítulo dessa história. Estamos apenas a começar.

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As palavras de Fabrice da Silva deixam clara a dimensão do projeto da Fight Club Santarém e da Fight Club Almeirim: uma equipa que pretende continuar a crescer, competir ao mais alto nível e conquistar títulos, mas sem colocar de lado aquilo que considera essencial — a formação de atletas e pessoas.
Com um calendário que promete competições regionais, nacionais e internacionais, e com novas participações ainda por anunciar, a Fight Club prepara uma temporada exigente e ambiciosa.
Mais do que uma procura incessante por medalhas, Fabrice da Silva aponta para a construção de um projeto sólido, profissional e sustentado em valores como respeito, humildade, disciplina, união e trabalho.
Porque, como o próprio treinador resume, a Fight Club quer fazer história — e, para Fabrice da Silva, essa história vai muito além dos títulos conquistados dentro do ringue ou no tatami.