
O faixa preta e treinador da Sampaio BJJ, João Ferreira, é hoje um dos nomes ligados ao crescimento do Jiu Jitsu em Portugal. Depois de iniciar o seu percurso nas artes marciais em 2016, o atleta encontrou no Jiu Jitsu não apenas uma paixão, mas também uma filosofia de vida baseada na disciplina, superação e evolução constante.
Em entrevista, João Ferreira falou sobre o início do seu percurso nos desportos de combate, a caminhada até à faixa preta, o papel enquanto treinador e a evolução da modalidade em Portugal.
FightNews: Como começou o teu percurso nos desportos de combate? O que te levou a escolher o Jiu Jitsu em particular?
Em 2016 fui morar para o Algarve e um colega de trabalho que também treinava Jiu Jitsu convidou-me a experimentar um treino. Quando voltei para o Porto, em 2017, comecei a treinar algumas artes marciais, como Muay Thai, Kickboxing, Boxe e Jiu Jitsu.
O Jiu Jitsu foi o que gostei mais, pois era onde me desenrascava melhor e desde aí apaixonei-me.
Mais tarde tive a sorte de viver com o meu professor, aí treinava todos os dias várias vezes ao dia.
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FightNews: Valores que ultrapassam o tatame
FightNews: Que valores consideras que as artes marciais te trouxeram ao longo da vida?
O respeito, tanto pelos outros como por mim próprio.
Também aprendemos a valorizar o nosso percurso e o dos nossos parceiros. Todos temos altos e baixos e temos que conseguir observar isso em nós e nos outros para evoluirmos.
A autoconfiança também cresce, não só na arte marcial mas na vida.
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FightNews:Que lições do Jiu Jitsu aplicas no teu dia a dia como pessoa e como treinador?
Sobretudo a capacidade de manter a calma e acreditar que consigo superar tudo o que possa aparecer na vida. Aprendi a controlar a minha raiva, a manter a calma e a perceber que não preciso de provar nada a ninguém, só a mim mesmo. A superação mental é o que mais retirei do Jiu Jitsu, o resto, fisicamente, vem por acréscimo. Muitas vezes conseguimos fazer algo fisicamente mas a nossa cabeça já disse ‘não consigo’ e isso é o mais difícil de treinar e contrariar.
Como treinador, procuro ser um exemplo, tanto para os alunos mais novos como para os mais velhos. Agir como exemplo é melhor do que apenas falar o que deve ser feito. Tento transmitir-lhes o gosto pelo Jiu Jitsu, que é preciso estudar Jiu Jitsu, incentivá-los a evoluir e sobretudo fazer com que se sintam bem.
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FightNews:Como descreves a tua evolução até chegares à faixa preta e o que significa para ti ser faixa preta e coach na Sampaio BJJ?
A minha evolução até chegar à faixa preta foi um processo como qualquer outro, longo, com altos e baixos, lesões e tudo mais. Quando comecei fiz uma promessa a mim mesmo de que me iria tornar faixa preta e isso foi o que mais gostei quando a alcancei, saber que consegui cumprir. Ao longo do percurso percebi que as faixas servem para amarrar o kimono, dão hierarquia e ditam o nosso percurso individual, mas a nossa qualidade e caráter falam sempre mais alto.
Ser faixa preta representa consistência.
Ser um bom faixa preta é procurar evoluir sempre, ser humilde, ajudar os parceiros de treino e inspirar novos atletas.
Ser professor na Sampaio BJJ tem um significado muito especial para mim. Esta é a escola que me viu crescer desde a faixa branca até à faixa preta, por isso tem um carinho especial. Os meus professores, Nuno e Jorge, e os meus parceiros de treino são como família. Deram-me oportunidades de crescer como pessoa e profissional e, se hoje vivo do Jiu Jitsu, é graças a eles. Nunca duvidaram das minhas capacidades, mesmo nos momentos em que eu próprio tinha dúvidas.
Hoje tento passar aos meus alunos tudo o que me passaram e ajudá-los da mesma maneira, dentro e fora do tatame, da forma que me ajudaram a mim.
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FightNews:Como analisas o momento atual do Jiu Jitsu em Portugal e que evolução tens observado na qualidade dos atletas nacionais?
O Jiu Jitsu em Portugal está cada vez melhor, temos atletas extremamente bons a nível mundial e a fasquia está cada vez mais alta. Hoje em dia há cada vez mais eventos nacionais e internacionais em Portugal, o que incentiva mais as pessoas a competir. Ainda não chegámos a um patamar de haver competições todos os meses, mas acredito que caminhamos para lá, o que seria ótimo.
FightNews:Quais são os teus principais objetivos para a época de 2026?
Enquanto atleta, o meu objetivo para 2026 é continuar a desafiar-me, evoluir a minha técnica, reforçar a preparação física e crescer constantemente no Jiu Jitsu. Gostava de competir novamente agora em Master 1, acho que iria ser um desafio engraçado, no entanto o meu foco agora está virado para preparar os meus atletas para as suas competições. Tenho incentivado cada vez mais os meus alunos, adultos e kids, a competir porque acredito que as competições são uma ferramenta essencial para o crescimento técnico e para a superação mental dos atletas.
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FightNews:Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos teus alunos e à comunidade de Jiu Jitsu em Portugal?
Aos meus alunos, deixo um agradecimento especial, eles são a chave fundamental do meu crescimento, tanto como pessoa como professor. É através da dedicação e vontade de evoluir deles que eu também continuo a aprender e a melhorar a cada dia.
À comunidade de Jiu Jitsu, apelo ao Jiu Jitsu sem bandeiras. Criar amizades entre escolas e trocar conhecimento é super importante. OSS.
O percurso de João Ferreira representa a dedicação e a paixão que têm impulsionado o crescimento do Jiu Jitsu em Portugal. Entre a evolução pessoal, o papel enquanto treinador e a vontade de ajudar novos atletas a crescer dentro da modalidade, o faixa preta da Sampaio BJJ continua focado em inspirar através do exemplo, defendendo um espírito de união e evolução constante dentro da comunidade do Jiu Jitsu nacional.