
Num mundo cada vez mais exigente a nível mental e emocional, o desporto tem-se afirmado como uma poderosa ferramenta de equilíbrio. Foi precisamente isso que levou Jorge Pacheco até à ATGAIA, onde iniciou a prática de Taekwondo e encontrou muito mais do que uma atividade física: descobriu uma nova fase da sua vida. Nesta entrevista, o aluno da ATGAIA fala de desafios, evolução pessoal e da importância de dar o primeiro passo.
FightNews:O que te levou a procurar a ATGAIA e a iniciar a prática de Taekwondo nesta fase da tua vida?
A ATGAIA e a prática de Taekwondo foram-me aconselhadas por uma pessoa próxima, como uma possível ajuda, quase como uma ferramenta para melhorar a minha saúde mental e o meu bem-estar. Mais do que uma arte marcial, foi-me apresentado como uma forma de criar rotina, disciplina e equilíbrio, algo para me ajudar a evoluir a nível pessoal.
O interesse pelas artes marciais sempre existiu em mim desde pequeno, mas nunca tive a iniciativa ou a coragem de dar o passo e começar. Ficava apenas pela curiosidade e pelo entusiasmo que via em filmes, animações e jogos de vídeo.
Procurei e continuo a procurar algo que me ajude a ganhar mais confiança em mim próprio, a melhorar a autoestima e a tornar-me uma pessoa mais forte, tanto mental como fisicamente. Muitas vezes sinto-me fraco, inseguro e ansioso e acredito que o Taekwondo me ajude a contrariar isso e a construir uma versão mais sólida de mim mesmo.
Entre todas as artes marciais, o Taekwondo foi sempre aquela que mais me atraiu. Pode parecer um motivo um pouco superficial, mas é a arte marcial que considero mais “fixe”.
FightNews:Já tinhas alguma ligação anterior aos desportos de combate ou foi algo completamente novo para ti?
Antes de iniciar o Taekwondo, não tive nenhuma experiência com desportos de combate nem praticava qualquer atividade regular. Nunca tinha desenvolvido um verdadeiro hobby, nem nesta nem noutra área.
Acabei por procurar uma forma de ocupar melhor o meu tempo e criar uma estrutura na minha rotina. Ao mesmo tempo, senti necessidade de encontrar algo que sentisse como meu, algo que me ajudasse a construir identidade e de que pudesse ter algum orgulho.
FightNews:Como foi o teu primeiro contacto com os treinos e com a equipa? Que ambiente encontraste na ATGAIA?
O meu primeiro contacto com os treinos e com a equipa foi muito positivo. Inicialmente, tinha a ideia de que as artes marciais eram ambientes mais agressivos ou que exigiam uma postura muito rígida e dura. No entanto, a realidade acabou por ser bastante diferente.
Desde o início que encontrei na ATGAIA um ambiente de conforto e acolhimento, onde me senti bem integrado e aceite. Tanto a equipa como os meus colegas têm sido sempre muito positivos comigo, apoiando-me, elogiando o meu esforço e incentivando-me a evoluir.
Esse apoio constante tem sido importante para me fazer acreditar mais em mim e para me motivar a melhorar de forma contínua.
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FightNews:Que mudanças já sentiste na tua qualidade de vida desde que começaste a treinar?
Costumo dizer em tom de brincadeira que agora já não tenho qualquer dificuldade em subir e descer escadas ou em entrar e sair do carro. Tenho vindo a reparar que pessoas da minha idade ou mais velhas sentem algum esforço nesses movimentos, no meu caso isso praticamente desapareceu.
Sinto-me muito mais leve, solto e confortável no meu próprio corpo. Também brinco muitas vezes com os meus amigos, dizendo que consigo levantar o pé até à cabeça deles.
No geral, sinto-me muito mais ativo e fisicamente forte, sobretudo a nível da mobilidade e das articulações. Desapareceram alguns desconfortos que tinha antes, como estalos nas articulações (cotovelos e ombros).
Sinto que ganhei uma qualidade física muito melhor e acredito que, se me mantiver neste caminho, vou chegar aos 40 anos em boa forma.
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FightNews:Por fim, que mensagem deixarias a alguém da tua idade que está a pensar começar, mas ainda tem dúvidas ou receios?
Eu tinha muitas dúvidas e receios e durante algum tempo achei que já não tinha idade para começar a praticar artes marciais. Isso acabou por me levar a adiar a decisão até à idade que tenho hoje, 32 anos.
Com o tempo e os treinos, percebi que uma arte marcial não se resume apenas à parte física ou à ideia de se ser um ótimo lutador. É, acima de tudo, um trabalho entre o corpo e a mente. Ajuda-nos a conhecer melhor os nossos limites e a perceber do que somos capazes, bem como aquilo que ainda precisamos de desenvolver.
Ao longo deste tempo, melhorei bastante em vários aspetos e, por vezes, até me surpreendo com a minha própria capacidade para fazer certos movimentos ou saltos que nunca imaginaria conseguir.
Claro que não devemos entrar com a ideia de que em poucos treinos se atingem grandes resultados, mas também não há nada de negativo no processo, pelo contrário. O ambiente é muito positivo e é muito gratificante ver essa evolução, tanto a nível físico como na forma como nos sentimos e como percebemos o nosso próprio corpo.
A mensagem que deixaria a alguém da minha idade que ainda tem dúvidas ou receios é simples: não é tarde. O mais difícil é dar o primeiro passo, depois disso, o resto começa a fazer sentido.
A história de Jorge Pacheco mostra que o Taekwondo vai muito além da vertente competitiva. É uma ferramenta de transformação pessoal, capaz de fortalecer não só o corpo, mas também a mente. Aos 32 anos, Jorge prova que nunca é tarde para começar — e que, por vezes, uma simples decisão pode abrir caminho para uma vida mais equilibrada, confiante e saudável.