Sábado, 16 de Maio de 2026
12°C 18°C
Cascais, 11
Publicidade

“Jiu Jitsu para Todos”: o projeto social que está a transformar vidas através do desporto

Pedro Silva leva o Jiu Jitsu às escolas e promove inclusão social entre crianças

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
14/04/2026 às 12h18 Atualizada em 14/04/2026 às 13h28
“Jiu Jitsu para Todos”: o projeto social que está a transformar vidas através do desporto
Instagram

O projeto “Jiu Jitsu para Todos”, dinamizado por Pedro Silva na Academia Unlimited, tem vindo a afirmar-se como uma importante iniciativa social e educativa em Portugal. Focado no ensino do Jiu Jitsu a crianças e jovens, o projeto pretende ir além da vertente desportiva, promovendo valores como disciplina, respeito e inclusão social.

Com dois anos de existência, a iniciativa já apresenta impactos positivos na vida dos alunos envolvidos, ao mesmo tempo que enfrenta desafios típicos de projetos sociais em crescimento. Nesta entrevista, Pedro Silva partilha a origem, evolução e ambições futuras deste projeto que está a marcar a diferença.

Imagem Instagram

FightNews: Como nasceu o projeto e quais foram as principais motivações por detrás da sua criação?

O projeto Jiu-Jitsu para Todos nasceu de uma vontade pessoal de levar às crianças uma ferramenta de desenvolvimento extremamente eficaz. O Jiu Jitsu, mais do que uma modalidade desportiva, é um meio de promover valores como a disciplina, o respeito, a resiliência e o autocontrolo, competências fundamentais no crescimento pessoal e social dos mais jovens.

Ao longo dos últimos dois anos, ao ser colocado no Agrupamento de Escolas de Santo André, surgiu a oportunidade de transformar essa ideia em algo concreto. Numa fase inicial, o projeto foi apresentado na Academia Unlimited, onde exerço funções como instrutor de Jiu Jitsu nas classes dos 4 aos 6 anos e dos 7 aos 12 anos. Esta etapa foi essencial para garantir o enquadramento prático e logístico necessário à sua implementação.

Posteriormente, o projeto foi apresentado à direção do agrupamento, tendo sido desde logo muito bem recebido. Seguiu para conselho pedagógico, onde obteve autorização para avançar, permitindo assim a sua concretização em contexto escolar.

A principal motivação esteve sempre ligada à criação de oportunidades. O objetivo foi garantir que todas as crianças, independentemente da sua condição socioeconómica, pudessem ter acesso a uma prática desportiva com um forte impacto educativo e formativo. Ao mesmo tempo, pretende-se contribuir para a inclusão social, para a melhoria do comportamento e para o desenvolvimento global dos alunos.

Assim, o projeto afirma-se como uma resposta educativa e social, que utiliza o Jiu Jitsu como ferramenta para formar não apenas melhores praticantes, mas sobretudo melhores pessoas.

Imagem Instagram

FightNews: Que impacto tem tido o projeto na vida das crianças e jovens envolvidos?

O projeto Jiu-Jitsu para Todos, apesar de ainda ter apenas dois anos, já começa a mostrar resultados claros na vida das crianças e jovens envolvidos.

Segundo testemunhos recolhidos junto dos encarregados de educação, tem-se verificado uma melhoria no comportamento, sobretudo ao nível da disciplina e do respeito pelas regras. Alguns alunos que inicialmente tinham mais dificuldades de concentração ou controlo começam a apresentar uma atitude mais equilibrada.

Também é referido um aumento da confiança. Crianças mais inseguras tornam-se mais participativas e mostram maior vontade de se desafiar, tanto no treino como fora dele.

Outro aspeto destacado pelos encarregados de educação é a criação de rotinas positivas, com a prática regular a contribuir para o desenvolvimento do sentido de compromisso e responsabilidade.

Sendo um projeto ainda recente, os impactos são ainda iniciais, mas, de acordo com o feedback recolhido, já é possível perceber que o Jiu Jitsu está a contribuir para um desenvolvimento mais equilibrado, não só físico, mas também pessoal e social.

Imagem Instagram

FightNews:Quais são os maiores desafios em manter um projeto social desta natureza ativo e sustentável?

Manter um projeto como o Jiu-Jitsu para Todos ativo e sustentável traz vários desafios, sobretudo por se tratar de uma iniciativa social.

Um dos principais desafios é a questão dos recursos. No primeiro ano, o projeto teve uma ajuda muito importante de empresas privadas, nomeadamente a Stand Rui Rijo Automóveis, que financiou 20 kimonos, a Muda Armarius, que financiou 20 faixas, e a Promunis, que apoiou com 20 t-shirts. Esses apoios foram fundamentais para arrancar com o projeto com condições mínimas.

Neste momento, não têm sido obtidos novos apoios, o que torna a continuidade mais exigente. As aulas decorrem em regime pro bono da minha parte, e com a cedência de espaço por parte da Academia Unlimited, o que tem permitido manter o projeto ativo, mas com algumas limitações. Essas limitações tornam-se mais evidentes porque o número de participantes aumentou substancialmente e o projeto está agora mais abrangente. Numa fase inicial, estava direcionado apenas para alunos do 1.º ciclo, mas neste ano letivo foi alargado também ao 2.º ciclo, o que aumentou as necessidades ao nível de material, organização e acompanhamento.

Outro desafio importante é a gestão do tempo e da logística. Conciliar horários escolares, treinos, disponibilidade dos alunos e das famílias nem sempre é simples, exigindo uma organização constante.

Há também o desafio do compromisso a médio e longo prazo. Nem todas as crianças conseguem manter uma frequência regular, seja por questões familiares, transporte ou outras dificuldades, o que pode afetar a consistência do trabalho desenvolvido.

Por fim, existe a necessidade de manter a qualidade do projeto. O crescimento traz mais exigência, e é fundamental garantir que o acompanhamento continua a ser adequado e que o impacto se mantém.

No fundo, o maior desafio é garantir sustentabilidade: conseguir apoios que acompanhem o crescimento do projeto, permitindo dar continuidade sem depender exclusivamente do esforço individual, mantendo ao mesmo tempo a qualidade e o impacto pretendido.

Imagem Instagram

FightNews: De que forma o Jiu Jitsu pode ser uma ferramenta de inclusão social e que valores procura transmitir aos jovens através deste projeto?

O Jiu Jitsu pode ser uma ferramenta de inclusão social porque cria um contexto onde todos os alunos participam em igualdade, com regras claras e objetivos comuns, independentemente do seu ponto de partida.

No âmbito do projeto Jiu-Jitsu para Todos, com uma frequência semanal de 1x por semana, as aulas funcionam como um espaço estruturado onde os alunos se sentem integrados, desafiados e parte de um grupo. A dinâmica de trabalho a pares e a constante interação promovem o respeito, a cooperação e a criação de relações positivas entre colegas.

Ao longo das sessões, são trabalhados valores como o respeito, a disciplina, a responsabilidade e o controlo emocional. Os alunos aprendem a cumprir regras, a lidar com o erro, a persistir perante dificuldades e a respeitar o outro, competências que se refletem também no contexto escolar e no dia a dia.

Desta forma, o Jiu Jitsu assume-se como uma ferramenta educativa, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e social dos jovens, através de um ambiente organizado, exigente e positivo.

Imagem Instagram

FightNews: Como conseguem conciliar a vertente competitiva com a missão social da academia?

Neste momento, a vertente competitiva e a missão social ainda funcionam como duas realidades distintas.

Isto deve-se, por um lado, à frequência semanal de apenas 1x por semana, que não permite ainda desenvolver o volume e a consistência de treino necessários para uma preparação competitiva. Por outro lado, o facto de o projeto ter apenas dois anos faz com que ainda esteja numa fase de consolidação.

A nossa participação em competições é também recente, o que reforça essa separação entre as duas vertentes. Neste contexto, o projeto Jiu-Jitsu para Todos está mais focado no desenvolvimento pessoal dos alunos, na transmissão de valores e na criação de hábitos positivos.

Já a vertente competitiva exige outro tipo de compromisso, com maior regularidade e intensidade, sendo mais trabalhada em contexto da Academia Unlimited.

Ainda assim, existe uma ligação natural entre as duas áreas. O projeto social pode funcionar como ponto de partida, permitindo que, com o tempo, alguns alunos evoluam para um percurso competitivo.

Neste momento, a prioridade passa por consolidar o projeto social, sendo a vertente competitiva algo que está a surgir de forma gradual.

FightNews: O que representa para si levar cerca de 30 atletas infantis ao torneio MSC de maio?

Levar cerca de 30 atletas infantis ao torneio MSC de maio representa um passo muito importante na vertente competitiva.

Tendo em conta que a nossa participação em competições é recente, conseguir mobilizar este número de atletas mostra crescimento, organização e compromisso por parte do grupo. Não é algo que aconteça por acaso — reflete trabalho consistente nos treinos e adesão das famílias.

Mais do que os resultados, representa a criação de experiência competitiva. Os miúdos começam a perceber o ambiente de prova, a gerir nervos, a lidar com vitórias e derrotas e a evoluir nesse contexto, que é completamente diferente do treino.

Também demonstra que o grupo está a ganhar dimensão e identidade competitiva. Levar 30 atletas não é só participar, é marcar presença, ganhar visibilidade e começar a afirmar-se dentro do circuito.

No fundo, representa um ponto de viragem: sair de uma fase inicial e começar a estruturar, de forma mais séria, uma vertente competitiva dentro da equipa.

Imagem Instagram

FightNews:Como tem sido a preparação destes jovens para esta competição?

A preparação destes jovens para esta competição tem sido pensada de forma gradual e ajustada ao nível em que se encontram.

Sendo muitos deles ainda iniciantes e com pouca experiência competitiva, o trabalho tem incidido na consolidação das bases do Jiu Jitsu — controlo, posições essenciais e noção de combate — ao mesmo tempo que se desenvolvem, de forma integrada, as várias componentes necessárias: física, técnica e mental, sempre adaptadas à idade.

Os treinos têm incluído situações próximas da realidade competitiva, como simulação de combates, gestão de tempo e aplicação de regras, para que os alunos se sintam mais preparados e confiantes no momento da prova.

Ao longo de todo o processo, tem sido constantemente reforçado que, nesta fase, o resultado não é o mais importante. Para muitos, será a primeira experiência em competição, e o principal objetivo passa por conseguirem lidar com o ambiente competitivo, que pode ser exigente, especialmente para crianças desde os 5 anos.

Mais do que ganhar, procura-se que participem, ganhem experiência e saiam mais preparados e confiantes para o futuro.

FightNews:Há alguma expectativa em termos de resultados ou o foco principal é a experiência?

Nesta fase, o foco principal está claramente na experiência.

Tendo em conta que a participação em competições é recente e que muitos dos atletas vão competir pela primeira vez, não existe uma expectativa centrada em resultados. O objetivo é que consigam entrar em prova, aplicar o que têm treinado e, sobretudo, lidar com o ambiente competitivo.

Não existe qualquer pressão para que façam competição. O que lhes é pedido é que passem pela experiência. Quem quiser continuar neste caminho competitivo, continua; quem não quiser, não será pressionado a fazê-lo.

Claro que, se surgirem bons resultados, serão sempre bem-vindos, mas não são a prioridade neste momento. O mais importante é que cada atleta retire aprendizagem, ganhe confiança e saia mais preparado para o futuro.

Imagem Instagram

FightNews:Quais são os próximos passos para o projeto Jiu Jitsu para Todos?

Os próximos passos para o projeto Jiu-Jitsu para Todos passam, acima de tudo, por continuar a crescer de forma sustentada e chegar a mais crianças.

O principal objetivo é conseguir levar o Jiu Jitsu ao maior número de crianças possível, alargando o alcance do projeto e criando mais oportunidades de participação. Para isso, será importante reforçar parcerias, procurar novos apoios e, se possível, aumentar a frequência das aulas, de forma a melhorar o impacto do trabalho desenvolvido.

Ao mesmo tempo, pretende-se consolidar o que já foi construído nestes dois anos, garantindo continuidade, organização e qualidade nas sessões.

A ideia é simples: crescer, mas sem perder a essência do projeto — proporcionar acesso, promover valores e contribuir para o desenvolvimento das crianças através do Jiu Jitsu.

Imagem Instagram

FightNews:Por fim, que mensagem gostaria de deixar e que apoios ou parcerias seriam importantes para o crescimento da iniciativa?

A mensagem que deixo é simples: este é um projeto que tem como objetivo criar oportunidades reais para crianças que, muitas vezes, não teriam acesso a uma prática como o Jiu Jitsu. Mais do que formar atletas, procura-se formar pessoas, com valores, disciplina e confiança.

Apesar de ser um projeto ainda recente, já demonstrou que pode ter impacto. No entanto, para continuar a crescer e chegar a mais crianças, é fundamental existir apoio.

Parcerias com empresas, apoio ao nível de material (kimonos, faixas, t-shirts), apoio financeiro ou até logístico fariam uma grande diferença. Também o envolvimento de entidades locais pode ser importante para dar mais estabilidade e permitir aumentar o alcance do projeto.

Neste momento, muito do que tem sido feito assenta no esforço individual e na boa vontade, tanto da minha parte como da Academia Unlimited, que cede o espaço. Para dar o próximo passo, é essencial que esse esforço passe a ser acompanhado por apoios mais consistentes.

A quem quiser associar-se, a mensagem é clara: qualquer ajuda pode ter um impacto direto na vida destas crianças.

Imagem Instagram

O projeto “Jiu Jitsu para Todos” revela como o desporto pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social. Com impacto já visível na vida de dezenas de crianças, Pedro Silva continua a liderar uma iniciativa que vai muito além do tatame, promovendo inclusão, educação e valores fundamentais.

Com o crescimento do projeto e a ambição de chegar a mais jovens, o futuro dependerá não só da dedicação da equipa, mas também do apoio de parceiros que queiram contribuir para esta causa. Porque, no final, mais do que formar atletas de Jiu Jitsu, o objetivo é formar cidadãos mais fortes, confiantes e preparados para a vida.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias