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Infante Boxing Club: formar atletas e pessoas através do Boxe desde a infância

Ricardo Infante, treinador e líder do projeto, aposta no Boxe como ferramenta de educação e crescimento pessoal

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
13/04/2026 às 15h17 Atualizada em 13/04/2026 às 15h44
Infante Boxing Club: formar atletas e pessoas através do Boxe desde a infância
Imagem cedida Ricardo Infante

Num panorama em que os desportos de combate em Portugal continuam a ganhar relevância, projetos que apostam na formação de base assumem um papel cada vez mais determinante. O Infante Boxing Club é um desses exemplos, liderado por Ricardo Infante, treinador que tem vindo a desenvolver um trabalho consistente com crianças e jovens através do Boxe.

Mais do que a vertente competitiva, o foco do projeto passa pela formação pessoal dos atletas, utilizando o desporto como ferramenta educativa. Num contexto onde se discutem cada vez mais temas como disciplina, saúde mental, hábitos de vida e inclusão, iniciativas como esta ganham destaque pela abordagem próxima e estruturada.

Nesta entrevista à Fight News, Ricardo Infante explica a origem do projeto, a metodologia aplicada aos mais jovens e o impacto que o Boxe pode ter no crescimento das novas gerações, dentro e fora do ringue.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: Como surgiu a aposta da Infante Boxing Club no trabalho com crianças e jovens?

Ao tirar o meu curso de treinador, tive o privilégio de acompanhar de perto as aulas dos mais novos, e foi aí que tudo começou. Fiquei a adorar interagir com eles — são muito transparentes, genuínos e acabam por nos ensinar tanto quanto nós a eles.

Sempre tive uma grande preocupação com os jovens e com o papel que o desporto pode ter no seu desenvolvimento, seja no Boxe ou em qualquer outra modalidade. Acredito muito que, ao trabalhar com eles desde cedo, consigo de alguma forma contribuir para o seu crescimento a longo prazo, não só como atletas, mas principalmente como pessoas.

Dar aulas aos jovens é, sem dúvida, uma das partes que mais gosto no que faço. Eles trazem algo muito especial: um fogo, uma motivação e um entusiasmo genuíno que contagia qualquer treino. E, muitas vezes, mostram uma capacidade de resiliência que surpreende — chegam a ser mais persistentes do que muitos adultos.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: Como descreves a metodologia de treino aplicada aos miúdos e que tipo de valores procuras transmitir nas aulas, para além da vertente desportiva?

A minha metodologia de treino com os miúdos vai muito além da vertente técnica. O Boxe é apenas a ferramenta que utilizo para trabalhar algo maior: o desenvolvimento pessoal de cada um.

As aulas são adaptadas às idades, com foco na coordenação, disciplina e controlo, mas também na forma como lidam com desafios. Dou muita importância à forma como enfrentam a frustração e às pequenas dificuldades que surgem no treino — porque é aí que acontece o verdadeiro crescimento.

Procuro transmitir valores como o respeito, a disciplina, a resiliência e o compromisso. E sou muito consistente numa ideia: nem sempre vai ser fácil, e está tudo bem. O importante é não desistir só porque deixou de ser confortável.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: Como consegues manter os mais novos motivados ao longo do tempo?

Manter os mais novos motivados passa muito pela forma como conduzimos o treino e pela relação que criamos com eles. Gosto de estruturar as aulas de forma equilibrada: começamos muitas vezes com jogos para os envolver, passamos pela parte técnica e terminamos novamente com dinâmicas que os unem como equipa.

Dou também muita importância à comunicação. Faço chamada em todas as aulas, acompanho de perto e dou feedback tanto a eles como aos pais. Falo com os miúdos como se fossem “pequenos adultos” — explico sempre o que vamos fazer, qual o objetivo do treino e o que espero deles. Sinto que isso cria responsabilidade e faz com que se sintam valorizados.

Ao mesmo tempo, reforço sempre o esforço e as pequenas conquistas, porque é isso que os faz querer continuar. E mesmo quando a motivação falha, procuro mostrar-lhes que a consistência é o mais importante.

No fundo, quando se sentem acompanhados, desafiados e parte de um grupo, o treino deixa de ser uma obrigação e passa a ser um momento onde querem mesmo estar.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: O facto de fazerem chamada nas turmas ajuda a criar mais responsabilidade nos atletas?

Sem dúvida que sim. O simples facto de fazermos chamada nas aulas cria desde logo um sentido de compromisso e responsabilidade nos atletas. Eles percebem que a presença conta, que fazem parte de um grupo e que há uma expectativa em relação a eles.

Mais do que controlar presenças, é uma forma de lhes passar a mensagem de que o compromisso é importante — não só no desporto, mas em tudo na vida. Começam a perceber que não é só aparecer quando apetece, mas sim manter uma certa consistência.

Além disso, também me permite acompanhar mais de perto cada um deles, perceber quem está mais presente, quem falta mais e até identificar quando algo não está bem.

No fundo, são pequenos hábitos que vão construindo responsabilidade e estrutura, e que acabam por ter impacto muito para além do treino.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: O sistema de “atleta do mês” tem tido impacto na assiduidade e no comportamento dos miúdos?

Sim, tem tido um impacto muito positivo. O sistema de “atleta do mês” ajuda a valorizar não só o desempenho, mas sobretudo a atitude, a assiduidade e o comportamento.

Os miúdos acabam por perceber que o compromisso e a consistência contam tanto como a parte técnica, o que os motiva a serem mais responsáveis no dia a dia.

Aliás, muitas vezes são eles próprios que dizem aos pais que não querem faltar, o que mostra bem o nível de envolvimento e o impacto que este reconhecimento tem neles.

No fundo, cria motivação saudável e ajuda-os a sentir-se valorizados dentro do grupo.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: A disponibilização de fruta e água no clube é algo pouco comum. Porque decidiram implementar essa prática?

Decidi implementar essa prática porque, para mim, o desporto não pode estar separado dos hábitos de vida saudáveis. Tenho essa preocupação não só com o treino, mas também com aquilo que os miúdos levam para o dia a dia.

Sei que hoje em dia a alimentação de muitas crianças é muito baseada em produtos industrializados, e acredito que algo tão básico e saudável como água e fruta devia fazer parte da rotina de todos. Infelizmente, nem sempre isso é possível para todas as famílias.

Imagem cedida Ricardo Infante

Sinto que, podendo proporcionar isso dentro do clube, estou também a contribuir de forma simples, mas importante, para o bem-estar deles. Não é só sobre treinar — é sobre cuidar e dar-lhes melhores bases para o futuro.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: Sentes que esse tipo de cuidado contribui para hábitos mais saudáveis nos jovens atletas e que outras preocupações têm com o bem-estar dos miúdos dentro do clube?

Sim, acredito mesmo que esse tipo de cuidado acaba por influenciar positivamente os hábitos deles. São pequenas coisas, mas consistentes, que vão ficando — seja na escolha de alimentos, na importância da hidratação ou até na forma como encaram o cuidado com o próprio corpo.

Dentro do clube, a minha preocupação com o bem-estar deles vai muito além disso. Procuro criar um ambiente seguro, onde se sintam respeitados, ouvidos e à vontade para serem eles próprios. Dou muita importância à forma como se tratam uns aos outros, ao respeito dentro do grupo e à confiança que vão ganhando.

Também estou muito atento ao lado emocional — perceber quando não estão tão bem, quando precisam de mais apoio ou até de uma palavra diferente. No fundo, quero que o clube seja um espaço onde crescem não só como atletas, mas como pessoas, sentindo-se acompanhados em todo o processo.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: Como descreves o ambiente dentro das turmas mais jovens e o que mais te orgulha no desenvolvimento destes atletas ao longo do tempo?

O ambiente dentro das turmas mais jovens é revigorante. Existe muita energia, entusiasmo e alegria. Apesar de serem miúdos, há um grande respeito entre eles e um verdadeiro sentido de equipa — apoiam-se, incentivam-se e crescem juntos.

Hoje em dia, muitos miúdos chegam já com algum tipo de diagnóstico, como por exemplo hiperatividade. E eu acredito que, em muitos casos, essas características podem ser trabalhadas e orientadas através do desporto. O Boxe, em particular, ajuda muito na concentração, no controlo e na disciplina.

O que mais me orgulha é ver a evolução deles ao longo do tempo, não só a nível técnico, mas principalmente enquanto pessoas. Ver miúdos mais tímidos a ganharem confiança, outros a aprenderem a lidar melhor com a frustração, a tornarem-se mais disciplinados e mais seguros.

E depois há algo que me marca muito: a confiança, a cumplicidade e o sentimento de pertença que se desenvolve ali dentro. Saber que faço parte desse crescimento e que, de alguma forma, deixo uma marca positiva no percurso deles, é sem dúvida o que mais me orgulha.

Imagem cedida Ricardo Infante

FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos pais que pensam colocar os filhos no Boxe e o que diferencia a Infante Boxing Club de outros espaços de treino?

A mensagem que deixo aos pais é, acima de tudo, de tranquilidade e confiança. O Boxe, quando bem orientado, é uma ferramenta incrível de desenvolvimento. Não se trata de incentivar a violência, mas sim de ensinar controlo, respeito, disciplina e confiança.

Mais do que formar atletas, o meu objetivo é ajudar a formar crianças mais seguras, mais resilientes e preparadas para lidar com desafios, dentro e fora do treino. Acredito muito que, ao trabalhar bem desde tenra idade, conseguimos não só formar bons atletas, mas acima de tudo adultos ainda melhores.

Sinto que, ao acompanhá-los de perto e ao transmitir estas bases, consigo orientá-los no caminho certo e contribuir de forma positiva para o futuro deles.

O que diferencia o Infante Boxing Club é precisamente essa proximidade e o cuidado individual. Conheço os miúdos, acompanho o percurso deles, falo com eles e com os pais, e existe uma preocupação real com cada um.

Aqui não é só um espaço de treino — é um ambiente de união, de crescimento e de valores. E acredito que isso acaba por fazer toda a diferença no caminho deles.

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