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Carina Barão: “Nunca é tarde para lutar” — entre o quartel, a maternidade e o Kickboxing

Um testemunho inspirador sobre o papel da mulher no desporto e na sociedade

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
03/04/2026 às 11h01 Atualizada em 03/04/2026 às 11h45
Carina Barão: “Nunca é tarde para lutar” — entre o quartel, a maternidade e o Kickboxing
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Uma história de força dentro e fora do ringue

 

Carina Barão é muito mais do que uma ex-atleta de Kickboxing. Bombeira sapadora, mãe, líder e exemplo de superação, construiu um percurso marcado pela resiliência e pela capacidade de nunca desistir. Entre o exigente dia a dia no quartel e os desafios do ringue, encontrou nos desportos de combate uma forma de se reinventar e crescer.

Nesta entrevista, partilha a sua história, os valores que carrega consigo e a ambição de, quem sabe, regressar à competição.

Imagem Instagram

FightNews: Carina, como é que surgiu o teu interesse pelos desportos de combate? Foi algo que sempre esteve presente ou apareceu por acaso na tua vida?

O desporto sempre fez parte da minha vida.

Desde muito nova, enquanto bombeira, com passagem também pelo meio militar, e a par disso a jogar futsal, sempre vivi com disciplina, exigência e espírito de superação.

Os desportos de combate surgiram mais tarde, já depois de ser mãe da minha filha mais velha, que hoje também é uma excelente atleta e que está a seguir as minhas pisadas na carreira de bombeira sapadora. Curiosamente, foi através dela que nasceu ainda mais este “bichinho”. Chegou a ser campeã regional de Kickboxing aos 10 anos, mas eu, na altura, trabalhava intensamente e nunca me dediquei a 100% à competição.

Foi numa fase mais difícil da minha vida, após um problema de saúde que exigiu cirurgia, que tudo mudou. Na recuperação, encontrei nos desportos de combate não só uma forma de voltar, mas de me reconstruir. Foi com um enorme espírito de sacrifício que me entreguei e foi aí que surgiu a oportunidade de lutar.

Acabei por me sagrar campeã nacional de Kickboxing.

Em 2022, quando me preparava para um novo desafio competitivo, descobri que estava grávida. Fiz uma pausa. Hoje tenho uma filha com dois anos e um novo equilíbrio para construir.

O regresso tem sido gradual, exigente… mas possível.

Hoje, com 42 anos, continuo a acreditar que ainda posso subir ao ringue mais uma vez. Não apenas por mim, mas para provar que é possível conciliar tudo: ser mãe, ter uma profissão exigente como bombeira, liderar um projeto enquanto presidente do clube Frota Combat Team, recentemente trabalhar como jurista e ainda assim continuar a lutar pelos meus objetivos.

Se conseguir manter a consistência, talvez no próximo ano volte ao ringue.

Porque nunca é tarde para lutar. E porque a força não está só no corpo, está na história que nos trouxe até aqui.

Imagem facebook

FightNews: As artes marciais são conhecidas por moldar o caráter. No teu caso pessoal, quais foram os principais valores que o ringue te transmitiu e que aplicas no teu dia a dia?

O ringue ensinou-me sobretudo três coisas: disciplina, humildade e resiliência.

Disciplina para aparecer todos os dias, mesmo quando não apetece.
Humildade para perceber que há sempre algo a aprender.
E resiliência para continuar, mesmo quando a vida nos testa fora do treino.

São valores que levo comigo todos os dias, quer como bombeira, quer como mãe, quer como líder.

Imagem cedida Carina Barão

FightNews: Como é que geres a disciplina necessária para ter sido uma atleta de alta competição e, ao mesmo tempo, uma bombeira sapadora?

Conciliar competição com a carreira de bombeira nunca foi fácil. É uma profissão exigente, física e emocionalmente.

O segredo foi organização, foco e, acima de tudo, compromisso. Eu sabia que não podia falhar nem no quartel nem no treino. Houve muito sacrifício, muito cansaço… mas também muita vontade de provar a mim própria que era capaz.

FightNews: De que forma é que o treino de Kickboxing te ajudou a enfrentar os desafios físicos e o stress emocional da carreira de bombeira em Olhão?

O Kickboxing ajudou-me muito mais do que as pessoas imaginam.

A nível físico, deu-me resistência, explosão e capacidade de reação fundamentais na minha profissão.

Mas foi sobretudo a nível mental que fez a diferença. No ringue aprendemos a controlar o medo, a pressão e a dor. E isso, no terreno, quando estamos perante situações reais e exigentes, faz toda a diferença.

O combate ensinou-me a manter a calma no caos e isso é algo que levo comigo todos os dias enquanto bombeira.

Imagem cedida Carina Barão

FightNews: Sentes que o facto de seres bombeira e campeã ajuda a quebrar preconceitos sobre a força feminina no desporto?

Acredito que sim.

Ser bombeira e atleta de combate mostra que a força feminina vai muito além do que muitas vezes é esperado.

Não é só força física, é mentalidade, disciplina, capacidade de resistência.

Se o meu percurso puder ajudar a quebrar preconceitos e inspirar outras mulheres a não se limitarem, então já valeu a pena.

FightNews: Fizeste uma pausa na competição devido à gestação do teu segundo filho. Está nos teus planos o regresso aos ringues ou vês-te agora noutro papel?

Tenho pena de não ter conhecido o meu marido mais cedo (risos). Vai ficar em mim o bichinho do MMA, pois gostava de ter sido atleta de MMA. Acredito que tinha chegado longe.

Imagem Instagram

FightNews: Para fecharmos, que mensagem gostarias de deixar a toda a comunidade da luta em Portugal e, especificamente, às jovens que olham para o teu percurso como uma inspiração?

A vida nunca vai estar “perfeita” para começar ou para voltar. Vão sempre existir obstáculos, responsabilidades, dúvidas.

Mas se houver vontade, disciplina e consistência, tudo é possível.

E, principalmente para as mulheres: não se limitem. Podem ser mães, profissionais, líderes e ainda assim lutadoras.

Porque a maior luta é sempre aquela que travamos connosco próprias.

Imagem Instagram

Um exemplo de inspiração e superação

A história de Carina Barão é um reflexo claro de que o desporto vai muito além da competição. Entre o Kickboxing, a exigência da profissão de bombeira sapadora e a vida familiar, construiu um percurso sólido, inspirador e profundamente humano.

Com os olhos postos no futuro e a possibilidade de um regresso ao ringue, deixa uma mensagem poderosa: nunca é tarde para lutar. E, acima de tudo, nunca é tarde para acreditar.

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