
A atleta Matilde Duarte, da Wolves Team, viveu recentemente um dos momentos mais marcantes da sua ainda curta carreira no Kickboxing ao fazer a sua estreia em competições no evento Braga Fight Combat. Subir ao ringue pela primeira vez é um sonho partilhado por muitos atletas das modalidades de combate, mas também um momento carregado de emoções, nervosismo e expectativas.
Nesta entrevista, Matilde Duarte fala sobre o significado dessa estreia, a preparação intensa que antecedeu o combate, o apoio fundamental da sua equipa e os objetivos que traça para o futuro no Kickboxing.

FightNews: Matilde, fizeste recentemente a tua estreia em galas de Kickboxing no Braga Fight. Como descreves essa experiência?
Foi uma experiência incrível. Era algo que eu já queria há algum tempo e finalmente consegui fazer a minha estreia em galas. Claro que havia nervosismo, porque é um ambiente diferente e com muito mais público, mas ao mesmo tempo foi muito especial. Senti que todo o trabalho e preparação valeram a pena. Ainda tenho muito para evoluir, mas fiquei muito feliz com o combate e com tudo o que vivi nesse dia.
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FightNews: Quais foram as emoções que sentiste antes de entrar em ringue pela primeira vez?
É um misto de emoções, nervosismo, adrenalina, mas estava super contente por poder estar ali em cima. Estava a viver um momento que já queria há muito e pensei sempre que, se vai ficar marcado na minha memória, que seja da melhor forma.
FightNews: Depois da luta, qual foi o sentimento imediato quando tudo terminou?
Diria que foi um “alívio”. Aquela pressão que estava acabou da melhor forma para o nosso lado. Senti que tinha representado bem a nossa equipa. Cá fora ainda pude celebrar com eles e isso tornou tudo ainda melhor.
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FightNews: Disseste que ainda há muito a melhorar. Que aspetos do teu combate sentes que precisas de evoluir mais?
Acho que nós pensamos sempre isso no que quer que façamos: podemos sempre ser melhores. O nervosismo atrapalhou-me em alguns aspetos e acho que, acima de tudo, tenho de melhorar isso. Nunca vou estar 100% calma, mas aprender a trabalhar nervosa é uma coisa que tenho de melhorar.
E alguns ajustes técnicos, obviamente. Havia coisas que podia ter feito melhor em termos de jogo, mas que vou trabalhar nos treinos e com a ajuda dos meus treinadores.
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FightNews: Apesar disso, referiste que estás muito feliz com a luta. O que te deixou mais satisfeita na tua prestação?
Senti que dei o meu melhor naquele momento. Foi uma luta diferente das que costumo fazer. Não estou habituada a fazer 3x2 e isso na preparação deixava-me preocupada se ia aguentar bem as três rondas.
Conseguir fazê-lo, tanto isso como aplicar técnicas que tinha treinado, diria que me deixou com a sensação de que o trabalho antes tinha sido bem feito.
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FightNews: Como foi o processo de preparação para esta estreia em Kickboxing?
Quando soube que ia competir comecei a treinar todos os dias, duas a três vezes por dia, correr e ainda tentar ganhar peso. Tive os meus treinadores e colegas de equipa a ajudar-me e a dar-me apoio não só físico como mental, que na minha opinião é bastante importante num momento em que estamos com a ansiedade no pico.
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FightNews: Que importância teve o apoio do teu treinador e dos colegas de treino da Wolves Team durante todo o processo?
Teve uma importância enorme. O apoio deles é sempre fundamental. Foram eles que me ajudaram a evoluir nos treinos, a manter o foco e também a acreditar mais em mim para entrar da melhor forma.
Mesmo durante o dia “brincaram” e deixaram-me tranquila, falavam comigo sobre tudo para me distrair e tudo isso faz diferença para nós atletas.
FightNews: Falaste também da motivação que recebeste durante a última semana antes da luta. Como é importante esse suporte emocional para um atleta?
Acho que nós conhecemo-nos melhor do que todos, sabemos os nossos defeitos e qualidades a fundo. Talvez isso faça de nós os nossos maiores críticos e, por vezes, os que mais duvidamos das nossas capacidades por sabermos os medos que temos e não partilhamos.
Ter pessoas de fora que nos motivam faz-nos sair dessa bolha. Pelo menos a mim faz-me pensar que, se tive esta oportunidade, se acreditam em mim, então é porque tenho algo que não esteja a ver. Ter esse apoio mental faz uma diferença enorme, a preparação passa muito por aí.
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FightNews: Agora que já fizeste a tua estreia, quais são os próximos objetivos dentro do Kickboxing?
Treinar já para a próxima. As oportunidades vão surgindo e temos de estar preparados para qualquer uma que venha.
Acho que uma coisa que gostava muito — e que está mais próxima — era o curso de treinadora de Kickboxing. Já é uma meta há algum tempo e cada vez mais cresce essa vontade dentro de mim.
FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar a outras atletas que pensam em dar o primeiro passo para competir?
Competir é muito mais do que entrar num ringue para lutar contra alguém. É um processo de confronto connosco próprios, com os nossos medos, inseguranças e limites.
O desporto ensina-nos que crescer dói, exige disciplina, resiliência e a capacidade de continuar mesmo quando a mente quer desistir. Por isso, a quem sonha competir, diria para não ter medo do desafio.
Porque no fim, mais importante do que a vitória é a pessoa em que nos tornamos durante o caminho. A nossa vida não vai ser definida por um resultado e eu prefiro entrar e perder do que ficar a ver os outros e pensar que gostava de ser eu ali.

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