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Entrevista | André Santos preparado para o GLORY 105

O atleta português fala sobre a preparação, a sua evolução internacional, a disciplina como base da carreira e a relação especial com os fãs portugueses.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
07/02/2026 às 11h16 Atualizada em 07/02/2026 às 19h54
Entrevista | André Santos preparado para o GLORY 105
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O atleta português André Santos prepara-se para subir novamente ao ringue no próximo dia 7 de fevereiro, desta vez no GLORY 105, um dos maiores palcos mundiais do Kickboxing. Com os ingressos de floor já esgotados para o evento, a expectativa é elevada para mais uma prestação do lutador luso, que volta a representar Portugal frente ao turco Deniz Demirkapu. Em entrevista a Fight News Portugal, André Santos fala sobre a preparação, o adversário, o crescimento do Kickboxing nacional e deixa uma mensagem aos fãs de Portugal.

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FightNews: André, como tem sido a tua preparação para o GLORY 105 e para o combate frente a Deniz Demirkapu?

Tem sido uma preparação longa, acima de tudo porque era suposto termos voltado já mais cedo. Entretanto, não aconteceu e basicamente mantive-me em forma. Nós sabíamos que o combate estava próximo, que este combate estava próximo. Sabíamos antecipadamente que íamos voltar neste card.

Não temos feito muito diferente do que fizemos nos últimos camps. A vida de atleta é um bocado aborrecida, principalmente quando entramos nesta fase final da preparação para uma luta, estas últimas oito ou dez semanas de camp. Basicamente treinar, dormir, comer bem, descansar muito e recuperar o corpo. E é isso que eu tenho feito.

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FightNews: Como avalias o teu adversário turco, Deniz Demirkapu, e o que esperas do combate?

O Deniz é um atleta muito explosivo, acima de tudo. Também acho que o considero um pouco emocional, ou seja, é um atleta que luta muito com o coração. Eu acredito que isso também possa ser uma vantagem para mim, porque eu sou exatamente o oposto.

Sou um atleta muito calmo e muito frio em cima do ringue. E acho que é aí que posso tirar alguma vantagem na luta. Mas acredito que será uma luta muito difícil. É um atleta muito experiente e muito explosivo.

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FightNews: Que significado tem para ti representar Portugal no GLORY 105, um dos maiores palcos do Kickboxing mundial?

Representar Portugal num dos maiores palcos do mundo… Muito honestamente, tenho o mesmo sentimento da altura em que estava na Arena Curigym e dava os meus primeiros passos como atleta profissional, porque eu já visualizava este momento.

É algo que, desde muito novo, sempre levei com muito profissionalismo, com muita honra, e é algo muito especial para mim, sem dúvida. Mas não o sinto de uma forma mais intensa agora do que há cinco ou dez anos atrás, porque a minha intensidade, a minha forma de pensar, a minha forma de trabalhar e a minha forma de representar os meus, o meu país e a minha família sempre foi a mesma. Nada mudou.

Quando entro no ringue, estar no GLORY, estar na Arena Curigym ou estar seja onde for, para mim é igual. Todos esses valores vêm comigo desde há muito tempo. E estou ciente de tudo o que represento.

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FightNews: Como tem evoluído o teu estilo de luta desde que competes a nível internacional?

O meu estilo de luta tem vindo a evoluir ao longo dos anos, mas repara, eu comecei a lutar internacionalmente muito novo. Fiz a minha primeira luta profissional com 16 ou 17 anos e, passado duas ou três lutas, comecei a competir internacionalmente em busca de mais experiência e de outro nível de atletas.

Sem dúvida que ter vindo para a Holanda me deu uma mentalidade diferente e uma visão diferente do desporto e do nível do desporto, neste caso do Kickboxing. Isso ajudou-me imenso a fazer as minhas primeiras lutas no ENFUSION e a destacar-me, para depois, com os títulos mundiais da Wako Pro, assinar com o GLORY.

Esse foi um momento-chave na minha carreira. A minha evolução tem sido constante. Acima de tudo, tento sempre olhar a longo prazo e não apenas para o dia de hoje. Acho que isso é o mais importante. Temos de ter calma e ser pacientes. Tudo vem a seu tempo. Se trabalharmos, se nos dedicarmos, se formos profissionais e respeitarmos as pessoas e quem trabalha connosco, as coisas acabam sempre por acontecer. É exatamente assim que levo a minha vida.

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FightNews: Como te manténs focado e motivado para este combate, considerando o nível elevado do adversário?

Quanto mais elevado é o nível do adversário ou do evento, mais motivados estamos, porque significa que estamos no nível onde queremos estar, onde trabalhámos tanto e abdicámos de tanta coisa ao longo da vida. Não pode haver maior motivação do que essa.

Claro que a motivação tem altos e baixos, há dias melhores e dias piores, mas acima de tudo foco-me na disciplina e na consistência. Motivado ou não, eu sei onde quero chegar, o que quero atingir e a pessoa que quero ser. Vivendo dessa forma, as coisas acabam sempre por acontecer, a seu tempo.

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FightNews: Como vês o crescimento do Kickboxing em Portugal e a oportunidade de representar o país neste tipo de eventos?

Honestamente, vejo que ao longo do tempo temos cada vez mais qualidade em Portugal no Kickboxing, mas ao mesmo tempo vejo toda a gente a remar em caminhos diferentes, o que me deixa um pouco triste. Já somos um país pequeno e acho que devíamos trabalhar de uma forma mais unida. Teríamos muito mais a ganhar.

Ao mesmo tempo, vejo que somos um país cada vez mais capaz. Talvez porque muitos atletas acordam mais cedo, fazem o seu próprio caminho, saem do país e não perdem tempo com guerras ou conflitos desnecessários. Isso deixa-me feliz, mas também triste, porque sinto que podíamos tirar muito mais partido dos atletas que temos.

É algo que gostava muito de tentar mudar no futuro, no final da minha carreira ou até antes, aos poucos. Tento fazê-lo, mas também sou uma pessoa que prefere manter um perfil discreto e não me preocupar demasiado com coisas que não estão ao meu alcance. No entanto, tudo o que estiver ao meu alcance, estarei sempre disponível para ajudar atletas ou treinadores. Em resumo, somos um país com muita qualidade e muito potencial, e isso é o mais importante.

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Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos fãs portugueses que vão acompanhar o GLORY 105 e torcer por ti?

Acima de tudo, um enorme obrigado a todos os portugueses que me acompanham e me apoiam há tantos anos, e que são cada vez mais. Isso deixa-me muito feliz, muito grato e muito orgulhoso.

Quero também agradecer a todos os portugueses e não portugueses que acompanham as minhas lutas ao vivo. Já recebi muitas mensagens de portugueses que compraram bilhete de avião e bilhete para estarem no estádio no dia 7 de fevereiro, e isso deixa-me extremamente orgulhoso.

Saber que há pessoas que pagam uma viagem e um bilhete para me ver lutar nove minutos, pessoas que não conheço, mas que se identificam comigo e com a minha forma de estar na vida, é das coisas que mais me faz sentir realizado. A essas pessoas, um agradecimento muito especial. Isso deixa-me muito, muito feliz mesmo. Muito obrigado.

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