
Bruna Vinoti, faixa castanha de Jiu Jitsu, conquistou recentemente dois vice-campeonatos no European 2026 da IBJJF, nos pesos e no absoluto. Em entrevista exclusiva, a atleta partilha o significado destes resultados, os sacrifícios da preparação, o orgulho pelo percurso e a motivação para continuar a evoluir.

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FightNews: O European 2026 terminou com dois vice-campeonatos. Que significado têm estes resultados para ti, tanto no peso como no absoluto?
Os dois vice-campeonatos têm um significado muito forte para mim. No peso, confirmam a consistência do trabalho que venho desenvolvendo e mostram que estou entre os melhores da Europa na minha categoria. Já no absoluto, o resultado tem um peso ainda maior, porque representa a capacidade de competir em alto nível contra atletas de diferentes pesos, estilos e experiências.
Ambos os resultados reforçam que estou no caminho certo, mas também deixam claro que ainda há margem para evoluir. Saio do European 2026 orgulhosa da performance, consciente do nível que alcancei, e ainda mais motivada para ajustar detalhes e continuar a trabalhar em busca do título.
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FightNews:O título não chegou, mas a prestação foi de enorme nível. Sais deste Europeu mais forte enquanto atleta? Porquê?
Sem dúvida que saio deste Europeu mais forte enquanto atleta. Não apenas pelos resultados, mas pelo nível das lutas, pela forma como lidei com a pressão e pelos desafios que enfrentei ao longo da competição. Cada combate exigiu o meu melhor, física e mentalmente.
Este Europeu mostrou-me que consigo competir de igual para igual com as melhores, mas também deixou claros os detalhes que preciso de melhorar. Essa consciência vale muito. Saio mais experiente, mais confiante e com uma motivação ainda maior para continuar a evoluir e transformar esse aprendizado em títulos no futuro.
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FightNews: Falaste de um caminho árduo, feito de abdicações. Qual foi o maior sacrifício desta preparação?
O maior sacrifício dessa preparação foi ficar longe das minhas filhas. Abrir mão do convívio diário, de momentos simples, foi a parte mais difícil de todo o processo. Teve dias em que o peso da distância doeu mais do que qualquer treino ou cansaço físico.
Estar longe delas não foi fácil, mas foi justamente isso que me fortaleceu. Cada treino, cada luta, carregava o pensamento nelas. Eu sabia que todo esse esforço tinha um propósito maior. Representar esse sacrifício no tatame deu-me forças para continuar, mesmo quando o corpo e a cabeça pediam descanso. A saudade está gigante!
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FightNews:Olhando para trás, que parte do processo mais te orgulha, independentemente das medalhas?
O que mais me orgulha, olhando para todo o processo, foi não ter desistido em nenhum momento. Mesmo nos dias difíceis, de cansaço extremo, de dúvidas e de saudade, eu continuei. Mantive a disciplina, a fé no trabalho e o compromisso comigo mesma.
Independentemente das medalhas, orgulho-me da forma como enfrentei o caminho: com seriedade, respeito pelo desporto e consciência de que estava a fazer tudo o que estava ao meu alcance. Saber que cheguei até aqui sendo fiel aos meus valores, dando o meu melhor todos os dias, é algo que ninguém me tira.
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FightNews: Como avalias a competição deste ano no European 2026? Sentiste que o nível técnico das adversárias esteve particularmente elevado nesta edição?
O nível da competição este ano foi extremamente alto. Desde as primeiras lutas, ficou claro que todas as adversárias chegaram muito bem preparadas, tanto tecnicamente quanto fisicamente. Cada combate foi disputado nos mínimos detalhes, sem margem para erro.
Senti que esta edição do European 2026 teve um nível técnico particularmente elevado. Isso exigiu que estivesse totalmente presente em cada luta, adaptando estratégias e tomando decisões rápidas. Competir nesse cenário mostrou-me o quanto o Jiu Jitsu europeu evoluiu e, ao mesmo tempo, reforçou que estou inserida nesse nível de excelência.
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FightNews:Dizes que foste “coração do início ao fim”. O que significa competir com o coração para ti?
Competir com o coração, para mim, é entregar-me por completo. É entrar no tatame sem reservas, sem medo de errar, colocando tudo o que sou em cada luta. É lutar mesmo quando o corpo está cansado, quando a dor aparece e quando a cabeça tenta duvidar.
Lutar com o coração é carregar comigo todas as pessoas que fazem parte da minha história: minhas filhas, meus alunos, minha equipa, e transformar esse sentimento em força. É não desistir em nenhum segundo, independentemente do placar, e sair do tatame sabendo que deixei tudo ali. Isso, para mim, é lutar de coração do início ao fim.
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FightNews: Por fim, que mensagem de agradecimento gostarias de deixar depois deste European 2026 e quais são os próximos desafios?
A minha maior mensagem é de gratidão. Nada do que vivi neste European 2026 teria sido possível sem o apoio da minha família, que mesmo à distância esteve presente em todos os momentos, principalmente minhas filhas, que são a minha maior fonte de força. Aos meus amigos, que estiveram sempre ao meu lado, acreditando em mim mesmo nos dias mais difíceis, o meu muito obrigado.
Também sou extremamente grata aos meus patrocinadores, que confiaram em mim, acreditaram no meu trabalho e tornaram este sonho possível. Esse apoio faz toda a diferença, dentro e fora do tatame.
Quanto aos próximos desafios, sigo focada em evoluir, corrigir detalhes e transformar tudo o que aprendi aqui em crescimento. O objetivo é claro: voltar mais forte, mais preparada e pronta para lutar por títulos. Este European não foi um ponto final, mas mais um passo importante no caminho. Oss!
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