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Carlos Brandão equilibra a vida militar com o sucesso no Jiu-Jitsu e conquista o 3.º lugar no Nacional 2025

Militar da Guarda Nacional Republicana, Carlos Brandão divide o tempo entre os turnos de patrulha e os treinos de Jiu-Jitsu Brasileiro, representando a EBJJ Portugal.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
13/11/2025 às 14h27 Atualizada em 13/11/2025 às 14h57
Carlos Brandão equilibra a vida militar com o sucesso no Jiu-Jitsu e conquista o 3.º lugar no Nacional 2025
Imagem cedida Carlos Brandão

Conciliar uma carreira militar com a rotina de treinos e competições de Jiu-Jitsu Brasileiro não é tarefa fácil. Mas para Carlos Brandão, membro da Guarda Nacional Republicana (GNR), o desafio é também uma forma de superação pessoal. Entre os turnos de patrulha e os treinos intensos, o atleta da EBJJ Portugal tem vindo a destacar-se nos tatames, alcançando recentemente o 3.º lugar no Open Nacional, na categoria Leve, Faixa Azul, Master 1.
Nesta entrevista à Fight News Portugal, Carlos fala sobre a sua rotina, os valores partilhados entre a farda e o kimono e o que o move neste percurso.

Imagem Instagram

FightNews: Carlos, sendo militar da GNR com uma rotina exigente, como consegue conciliar o serviço de patrulha por turnos com os treinos e competições de Jiu-Jitsu?

Não é fácil, mas quando algo realmente nos motiva, encontramos forma de fazer acontecer. Os turnos exigem alguma gestão e, muitas vezes, treino depois do serviço ou em horários menos convenientes. O segredo está na disciplina, na vontade de evoluir e, claro, no gosto que tenho pelo que faço — tanto na GNR como no Jiu-Jitsu.

FightNews: Como e quando começou o seu percurso no Jiu-Jitsu Brasileiro?

Comecei em 2022. Na altura, procurei o Jiu-Jitsu por acreditar que seria uma ferramenta importante para o meu serviço operacional como órgão de polícia criminal, pela componente de controlo físico/imobilização, defesa pessoal e tomada de decisão sob pressão. Mas, rapidamente, o Jiu-Jitsu passou de uma simples prática complementar a uma verdadeira paixão.

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FightNews: O que o motivou a enveredar por esta arte marcial e o que mais o fascina nela?

O que mais me fascina é a forma como o Jiu-Jitsu nos obriga a pensar enquanto estamos sob pressão. É uma arte que trabalha tanto o corpo como a mente. Há sempre algo novo para aprender, e isso prende-nos. A motivação inicial foi profissional, mas, hoje, o Jiu-Jitsu faz parte de mim: é uma filosofia de vida.

FightNews: Recentemente conquistou o 3.º lugar no Open Nacional, na categoria Leve, Faixa Azul, Master 1. Como descreve essa experiência?

Foi uma experiência muito positiva. Estar num pódio nacional é sempre motivo de orgulho, principalmente sabendo que enfrentei atletas de grande nível. Cada competição é uma oportunidade de testar o que venho a trabalhar diariamente nos treinos e de perceber onde posso melhorar.

Imagem cedida Carlos Brandão

FightNews: Que significado tem para si subir ao pódio num evento nacional, sabendo das exigências que a sua rotina profissional impõe?

Tem um significado especial, sem dúvida. É uma prova de que, mesmo com uma rotina exigente, é possível alcançar bons resultados com dedicação e foco. Cada pódio simboliza o esforço de conciliar os turnos, o cansaço e os treinos, e isso dá-me ainda mais motivação para continuar.

FightNews: A disciplina é um ponto comum entre a vida militar e o Jiu-Jitsu. Que valores do quartel leva para o tatame — e vice-versa?

A disciplina, o respeito e o espírito de camaradagem são pontos em comum muito fortes. No quartel aprendemos o valor da responsabilidade e do trabalho em equipa, e no Jiu-Jitsu isso é essencial. Também o controlo emocional e a capacidade de manter a calma em situações de pressão são aspetos que transporto de uma área para a outra.

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FightNews: De que forma o Jiu-Jitsu contribui para o seu desempenho e equilíbrio na vida profissional?

Ajuda imenso. O Jiu-Jitsu é a minha forma de libertar o stress e manter o equilíbrio. Depois de um dia puxado, o treino é quase uma terapia. Além disso, ensina-nos a manter a calma em momentos de tensão e a tomar decisões rápidas, algo que é fundamental também no trabalho policial. Sem dúvida, o Jiu-Jitsu tornou-me um profissional mais focado e equilibrado. E recomendo tanto a todos os polícias como a todas as pessoas que experimentem.

FightNews: O que representa, para si, o Jiu-Jitsu enquanto ferramenta de crescimento pessoal e mental?

O Jiu-Jitsu representa muito mais do que apenas um desporto. Para mim, é uma escola de vida. Ensina-nos a lidar com a derrota, a manter a humildade nas vitórias e a nunca desistir, mesmo quando as coisas parecem complicadas. No tatame, somos constantemente desafiados, física e mentalmente, e isso acaba por se refletir em todas as áreas da vida. Aprendemos a ter paciência, a controlar as emoções e a encontrar soluções sob pressão. No fundo, o Jiu-Jitsu ajuda-me a ser uma versão mais equilibrada, focada e confiante de mim próprio.

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FightNews: Quais são os maiores desafios dessa dupla jornada entre a vida profissional e o desporto?

O maior desafio é, sem dúvida, a gestão do tempo e da energia. Trabalhar por turnos, muitas vezes com horários irregulares, e ainda manter uma rotina de treinos intensos exige bastante disciplina e organização. Há dias em que o corpo pede descanso, mas a vontade de evoluir fala mais alto. Também é preciso abdicar de algumas coisas — convívios, descanso e momentos em família —, mas, quando temos um objetivo claro, essas escolhas acabam por fazer sentido. No fim, o equilíbrio vem do foco e da paixão que tenho por ambas as áreas.

FightNews: Que mensagem gostaria de deixar a todos que acompanham e admiram a sua trajetória profissional e no desporto?

Antes de mais, dizer que nada disto seria possível sem o apoio da minha equipa EBJJ Portugal e, em especial, da minha professora Josiane Silva, que tem sido uma inspiração constante, dentro e fora do tatame.
A professora Josiane foi quem trouxe o Jiu-Jitsu para a zona de Oliveira do Hospital e Seia, em 2022, numa altura em que nunca tinha existido a modalidade por aqui. Desde então, tem vindo a construir uma equipa forte, com muitos praticantes, um ambiente familiar e acolhedor, mas também muito competitivo, o que nos motiva a evoluir e representar bem a equipa em cada competição.
A mensagem que deixo é simples: independentemente da profissão, da rotina ou das dificuldades, é possível perseguir os nossos objetivos se houver paixão, disciplina e boas pessoas ao nosso lado.
O caminho nem sempre é fácil, mas com uma boa equipa, bons professores e a mentalidade certa, tudo se torna possível.
E aproveito também para agradecer à Fight News Portugal pela oportunidade de partilhar um pouco da minha trajetória profissional e desportiva. É um orgulho poder mostrar o trabalho que está a ser feito e, quem sabe, inspirar mais pessoas a acreditar nos seus próprios caminhos.

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