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Rui Silva: “A técnica vence lutas, mas os valores vencem na vida”

O responsável pelo Jiu Jitsu e co-fundador da Academia Unlimited fala sobre a importância das artes marciais na formação de atletas e na vida pessoal.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
03/11/2025 às 13h33
Rui Silva: “A técnica vence lutas, mas os valores vencem na vida”
Imagem cedida Rui Silva

A Academia Unlimited é atualmente uma referência no panorama nacional das artes marciais, destacando-se não só pela formação de atletas de alto nível, mas também pelo ensino de valores que moldam a vida dos seus praticantes dentro e fora do tatame. Rui Silva, co-fundador e responsável pelo Jiu Jitsu, falou com o Fight News Portugal sobre a sua trajetória, desafios e visão para o futuro da academia.

FightNews: Rui, como começou o teu percurso nos desportos de combate? O que te levou a dar os primeiros passos nesta área?

Rui Silva: Comecei influenciado pelos Jovens Heróis de Shaolin, Bruce Lee, Jackie Chan, Chuck Norris… nos anos 80. Meus pais nunca foram muito a favor da prática de artes marciais, então, assim que comecei a trabalhar, vi uma oportunidade. Com 16 anos iniciei no karate contact e kickboxing, e mais tarde pratiquei aikido, taekwondo, Jeet Kune Do, Muay Thai e finalmente Jiu Jitsu Brasileiro.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: De que forma as artes marciais transformaram a tua vida dentro e fora do tatame?

Rui Silva: Na minha opinião, as artes marciais têm um poder transformador que vai muito além da técnica. Moldam corpo, mente e espírito, impactando a vida dentro e fora do tatame. Ajudam no autoconhecimento, autoconfiança, disciplina, respeito pelo próximo, controle emocional e resiliência. Não formam apenas lutadores, formam seres humanos.

FightNews: Quais os principais benefícios emocionais, físicos e sociais das artes marciais?

Rui Silva: Um pouco daquilo que disse anteriormente. Aprendes a gerir emoções, seja a raiva, o medo, a ansiedade, ganhas autoconfiança, resiliência, concentração. A nível físico, mais força, resistência, coordenação motora, postura, saúde cardiovascular e respiratória, controle de peso. A nível social é o respeito, empatia pelo próximo, seja parceiro de treino, colega de trabalho, seja família, o trabalho de equipa, espirito de comunidade.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: Como surgiu a entrada do Jiu-Jitsu na Academia Unlimited?

Rui Silva: Quando conheci o Luis Barneto, ele representava o Burton Richardson e o Jeet Kune Do Unlimited em Portugal. E entre nós surgiu uma relação que vai muito alem de uma amizade. Tínhamos em comum a paixão pelas artes marciais e o seu constante estudo. E no trabalho especifico de JKD Unlimited, há muito trabalho de chão. Foi quando eu decidi ir treinar BJJ. Eu já tinha tido contacto com o Bjj com o professor Lauro Figueiroa quando ele dava treinos no Sporting, isto nos anos de 95/96. Eu já sabia o que era o BJJ porque acompanhava o UFC desde o seu primeiro ano. Mas não tive condições de começar naquela altura. Então, depois de falar com o Luis achamos que ir treinar Bjj ia melhorar o nosso trabalho no estudo do JKDU. Foi quando comecei a treinar com o prof. Marcello Rosa da equipa BPT, em Setubal. Quando eu e o Luis abrimos o nosso primeiro espaço, a primeira Academia Unlimited, falei com o prof. Marcello sobre dar aulas de Bjj no Barreiro e representar a BPT. A  Unlimited Jiu Jitsu acabou por surgir uns anos mais tarde, de forma natural. Em JKDU, existe o programa MMA FOR THE STREET, direccionado á defesa pessoal. Mas houve miúdos que começaram a treinar com o interesse de competir em MMA. Os treinos antes direccionados á defesa pessoal, foram adaptados á competição.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: Quais foram os maiores desafios e conquistas desde que o Jiu-Jitsu passou a fazer parte da academia?

Rui Silva: De uma maneira geral, o principal desafio, na altura, foi talvez quebrar o esteriotipo criado de que associava o BJJ á violência, que era uma arte marcial agressiva, violenta, que os seus praticantes eram bandidos. Mas acho que nos dias de hoje as pessoas já tem uma ideia completamente oposta. Passa valores como respeito, hierarquia, humildade. Sendo um desporto de contacto, é garantir que os treinos decorram com segurança, responsabilidade, cultivando o respeito mutuo. Mostrar o equilíbrio entre a competição e a filosofia da arte marcial. Porque nem todos querem competir e uma academia não sobrevive só de competidores. Há muitas pessoas que querem um escape ao fim do dia, relaxar, conviver ou simplesmente fazer JiuJitsu. Outro desafio também, e muito importante é estimular a participação das mulheres e crianças. E isso exige sensibilidade, paciencia, método de ensino adaptado. No que toca ás conquistas que vai muito alem das medalhas e de títulos, é o crescimento pessoal e colectivo. Os laços de amizade que se criam, o respeito entre colegas, professoeres…O jiu-jitsu, quando incorporado à vida de uma academia, transforma o espaço em um ambiente de crescimento integral.
Os desafios são parte do caminho, mas as conquistas, em disciplina, união e autoconhecimento, superam qualquer obstáculo.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: Qual é o papel do Jiu-Jitsu na formação dos atletas, pessoalmente e no MMA?

Rui Silva: O Jiu Jitsu tem um papel central na formação de atletas como eu já disse antes, não apenas como base técnica, mas como uma escola de valores, autoconfiança e inteligência emocional, qualidades que se refletem tanto na vida pessoal, quanto na carreira desportiva, especialmente no MMA. Para quem segue no MMA, o Jiu-Jitsu é tanto uma ferramenta de combate quanto uma formação psicológica e tática. O domínio da luta no chão, o grappling, finalizações, defesa de quedas, o Jiu-Jitsu ensina a ler o adversário, adaptar estratégias e vencer pela técnica, não pela força, o Jiu Jitsu ajuda um lutador a controlar o ritmo e o tempo de luta no chão. Na cage, o Jiu-Jitsu não é só uma arte de combate, é uma arte de pensar e reagir com inteligência. O Jiu-Jitsu molda o atleta ao nível técnico, estratégico e emocionalmente maduro.
Ele ensina que a verdadeira vitória não está em dominar o outro, mas em dominar a si mesmo e isso vale tanto para a vida quanto para o desporto profissional.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: Quais os valores que procuras transmitir aos teus alunos?

Rui Silva: Mais do que ensinar técnicas e posições, o papel de um instrutor ou professor é formar pessoas, transmitir valores que ultrapassam o tatami e se refletem em todas as dimensões da vida. Foi o que já disse antes, o respeito, por si e pelo próximo, a disciplina, porque transforma o esforço em progresso, a humildade que mantem o ego sobre controlo, a resiliência, porque os ´´três tapinhas`` não são o fim, mas sim um novo começo, novas soluções para novos problemas, autocontrolo, seja físico, seja emocional. Espirito de equipa porque a luta é individual, mas o BJJ aprende se em conjunto, ética…enfim, no tatami  procuramos formar não apenas lutadores fortes, mas seres humanos íntegros, disciplinados e conscientes.
A técnica vence lutas, mas os valores vencem na vida.

FightNews: Qual legado gostarias de deixar aos praticantes da Academia Unlimited?

Rui Silva: Mais do que faixas, medalhas ou títulos, quero deixar um caminho de respeito, de disciplina e de superação pessoal.
Quero que cada aluno que passa pela academia Unlimited leve consigo a certeza de que, não só o Jiu-Jitsu, mas tambem o MMA, o kickboxing, o boxe, o JKDU…etc. Não foi apenas uma prática física, mas uma ferramenta de transformação. O legado que quero deixar é o de formar seres humanos melhores, fortes no corpo, tranquilos na mente e justos no coração.
Se cada aluno sair da academia Unlimited levando esses valores, então o meu trabalho como professor terá valido a pena.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: O que te motiva a continuar este trabalho?

Rui Silva: A maior motivação que eu possa ter é assistir à evolução real das pessoas, ver o aluno tímido ganhar confiança, o inseguro aprender a acreditar em si, e o ansioso encontrar equilíbrio. O que me motiva é ver o Jiu-Jitsu transformar vidas, inclusive a minha, todos os dias.
É saber que, através de cada treino, cada conversa e cada lição, estou a ajudar a construir pessoas mais fortes, mais conscientes e mais humanas. E temos muitos bons exemplos na Academia.

Imagem cedida Rui Silva

FightNews: Mensagem final aos alunos e à comunidade do Jiu-Jitsu em Portugal:

Rui Silva: Aos meus alunos digo para que eles tenham orgulho do vosso progresso, mesmo quando ele parece pequeno. A verdadeira conquista não está apenas na medalha ou na faixa, mas na pessoa que vocês se tornam em cada treino. A todos os atletas da Unlimited, o meu respeito e admiração. Vocês são o reflexo do espírito desta equipa, comprometimento, amizade e paixão. Que nunca se esqueçam que representar uma academia é também representar valores: respeito, disciplina e união. E à comunidade do Jiu-Jitsu em Portugal, o meu reconhecimento. Somos parte de algo maior, uma família que cresce a cada dia, que eleva o nome do Jiu-Jitsu e inspira novas gerações a acreditarem na força do trabalho, da humildade e da superação. Um agradecimento especial aos meus colegas professores e treinadores. Devido á minha profissão, muitas vezes não consigo estar tão presente como gostaria e são eles, com o vosso trabalho, dedicação e amor pelo ensino são o coração pulsante desta academia.
Cada um de vocês contribui de forma única para o crescimento dos nossos alunos e para o fortalecimento da nossa família Unlimited.
Juntos, provamos que ensinar Jiu-Jitsu é muito mais do que transmitir técnica — é formar pessoas, inspirar valores e construir uma comunidade. Não vou dizer nomes, eles sabem quem são…Obrigado

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