
O desporto, muitas vezes, é mais do que competição: é transformação. A atleta de boxe e kickboxing do Boavista, Maria Gamboa, teve a sua vida retratada no documentário A Minha Primeira Luta Foi Contra Mim, uma obra que já recebeu distinções internacionais e que revela não só a atleta, mas também a mulher por detrás das luvas. Em entrevista, Maria fala sobre a surpresa do convite, a emoção de ver a sua história no ecrã e a importância do boxe na sua vida pessoal e profissional.

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FightNews: Como recebeu o convite para ter a sua vida retratada no documentário A Minha Primeira Luta Foi Contra Mim?
Maria Gamboa: Recebi o convite com muita surpresa e também com gratidão. Nunca pensei que a minha história pudesse ser transformada em documentário. Sempre vivi o desporto de forma muito intensa e pessoal, como um desafio diário comigo mesma. Quando fui abordada com a proposta, percebi que esta era uma oportunidade de mostrar não só as minhas vitórias dentro do ringue, mas principalmente a minha primeira e maior luta: aquela contra mim mesma, contra as dificuldades e limitações que enfrentei no início do meu percurso. Aceitei de imediato porque acredito que a minha história pode inspirar outras pessoas a nunca desistirem de si próprias.

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FightNews: Que sentimentos teve ao ver a sua história projetada no ecrã e partilhada com o público?
Maria Gamboa: Foi uma experiência muito especial e até difícil de descrever. Senti um grande orgulho, mas também uma certa vulnerabilidade, porque ver a minha história projetada no ecrã é reviver momentos muito pessoais. Houve emoção, alguma nostalgia e também um enorme sentido de responsabilidade, porque percebi que o público não estava apenas a ver uma atleta, mas uma pessoa que enfrentou lutas internas e externas. Acima de tudo, senti-me grata por poder partilhar esta jornada e talvez inspirar alguém a acreditar que também é capaz.
FightNews:O documentário mostra não só a atleta, mas também a mulher fora do ringue. Qual foi a parte mais difícil de revisitar nesta narrativa?
Maria Gamboa: A parte mais difícil foi reviver a fase da minha vida em que lutava contra mim mesma, antes de chegar ao desporto. Recordar o tempo em que carregava o peso — não só físico, mas também emocional — de não me sentir bem comigo foi doloroso. Foi um período de insegurança e de isolamento, e voltar a esses momentos fez-me reviver sentimentos que pensei já ter deixado para trás. Mas ao mesmo tempo, foi importante, porque é aí que está a raiz da minha força e da atleta que me tornei.

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FightNews:O filme já recebeu distinções internacionais. O que significa para si esse reconhecimento além-fronteiras?
Maria Gamboa: Receber distinções internacionais é algo que me enche de orgulho. Mais do que uma conquista pessoal, sinto que é o reconhecimento de uma história de superação que pode inspirar pessoas em qualquer parte do mundo. Perceber que alguém noutro país se identifica com a minha luta, com os meus sacrifícios e com a mensagem do documentário, dá-me a certeza de que valeu a pena expor a minha vida de forma tão autêntica. Para mim, demonstrou que o desporto e a resiliência não têm fronteiras.

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FightNews:Como descreveria a importância do boxe na sua vida pessoal e no seu crescimento enquanto mulher e desportista?
Maria Gamboa: O kickboxing e o boxe foram muito mais do que desportos para mim, foram transformadores. Deram-me disciplina, força e coragem para enfrentar não só os adversários no ringue, mas também os desafios da vida. Ajudaram-me a ganhar confiança, a superar complexos que tinha em relação ao corpo e a acreditar nas minhas capacidades. Como mulher, sinto que me tornei mais independente, resiliente e determinada. Como atleta, ensinaram-me que cada conquista exige sacrifício, foco e consistência. São pilares da pessoa que sou hoje.
FightNews: Que conselho daria a jovens, especialmente mulheres, que pensam em começar a praticar boxe?
Maria Gamboa: O meu conselho é: não tenham medo de dar o primeiro passo. Muitas vezes pensamos que o boxe é um desporto demasiado duro ou só para homens, mas isso não é verdade. O ringue ensina-nos sobre respeito, disciplina e autoconfiança. Para as mulheres em especial, é uma forma poderosa de ganhar voz, força e segurança. Vão existir dias difíceis, mas cada treino é uma vitória sobre vocês próprias. Se têm vontade, experimentem — pode mudar a vossa vida, tal como mudou a minha.


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FightNews: Por fim, a sua história inspira muitas pessoas, dentro e fora do desporto. Que mensagem gostaria de deixar a quem enfrenta lutas pessoais e procura força para seguir em frente?
Maria Gamboa: A vida de cada pessoa é feita de lutas — umas visíveis, outras silenciosas. A minha primeira luta foi contra mim mesma, e aprendi que a maior vitória não é no ringue, mas dentro de nós. Quero que as pessoas percebam que, por mais difícil que pareça, nunca é tarde para mudar, recomeçar ou acreditar em si próprias. A força não está em nunca cair, mas em levantar-se todas as vezes. Se eu consegui transformar a minha maior fragilidade em motivação, qualquer pessoa pode encontrar dentro de si a coragem para seguir em frente.

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