
Fight News entrevista Carlos Cobrinha, faixa preta de Jiu-Jitsu e fundador da Academia Carlos Cobrinha BJJ em Vila Nova de Gaia, no Porto.
Com mais de 30 anos de experiência nos tatames, Carlos Cobrinha coleciona um vasto currículo de competições no tatame e experiência no mercado jornalístico e televisivo dos desportos de combate.
FightNews: Fala um pouco de si, sua formação acadêmica, profissional e pessoal.
Carlos Cobrinha: Sou formado em comunicação social e pós graduado em Marketing. Foram muitos anos trabalhando com jornalismo, assessoria de imprensa e marketing e comunicação voltado as lutas, seus maiores atletas e eventos.
FightNews: Como o Jiu Jitsu entrou na sua vida?
Carlos Cobrinha: Na verdade, acho que por ser do Rio de Janeiro, sempre ouvi sobre Jiu-Jitsu e a família Gracie. Meu pai ainda novo chegou a ter aulas com os Gracie. Meu primeiro contato em prática foi no início dos anos 90. Mas foi em 1994 quando realmente iniciei e nunca mais parei, aos 17 anos. Então foram 12 anos até a faixa preta e já são mais de 30 anos nos tatames ativamente. Antes disso lutei judô, taekwondo, boxe, kickboxing… mas Jiu-Jitsu me pegou de jeito!

FightNews: Fale sobre sua trajetória em Portugal, como surgiu a ideia de montar sua própria academia, empreender, ter sua própria equipe e alunos?
Carlos Cobrinha: Depois de ter uma experiência muito grande em competições de Jiu-Jitsu e também dando aulas - já ajudava nas aulas ainda na faixa azul - me dediquei a luta de uma forma diferente. Através do jornalismo e marketing, quando trabalhei com muitos atletas de renome e também em empresas como Graciemag, InPress, UFC e TV Globo, além de ter tido meu próprio website sobre lutas. Ou seja, minha vida nunca esteve afastada dessa essência que envolve as artes marciais.

Acho que voltar a dar aulas, a competir e abrir a própria academia veio de um desejo de mudar completamente meu estilo de vida. Sair do escritório e ter mais tempo em coisas saudáveis para a mente e para o corpo. Estar mais próximo da família. Me alimentar melhor. Enfim, viver de alma o que aprendi desde cedo na fonte: o Jiu-Jitsu lifestile que aprendi através da cultura difundida pela família Gracie. Após uma reviravolta na vida tinha uma proposta de ir trabalhar em São Paulo, o que me afastaria disso tudo, ou seguir em frente com esse sonho que muitos acharam ser uma maluquice. E foi assim que o destino me trouxe a Portugal, mais precisamente em Vila Nova de Gaia, onde abri minha academia e segui vivendo do que mais me identifico: as artes marciais.
Depois de dificuldades no início, principalmente durante a pandemia do COVID 19, as coisas evoluíram de uma forma muito satisfatória. Mas mesmo nos momentos mais difíceis, me fortaleceu a alegria de trabalhar com uma coisa que amo tanto. Por isso sabia que daria certo.
FightNews: Fale um pouco sobre a Cobrinha BJJ? Como funciona o espaço?
Carlos Cobrinha: Temos treinos de segunda a sábado. Aulas Kids 1, Kids 2, adolescentes e adultos. Também temos alguns treinos exclusivos para as meninas. Então temos hoje praticando homens e mulheres que vão dos 4 anos a mais de 60 anos. O Jiu-Jitsu é para todos. Tudo isso em duas áreas de tatame, uma de 120m2 e outra de 80m2. Aos poucos consegui evoluir nossa estrutura e ainda espero melhorar muito. Temos turmas em vários horários, de manhã cedo, pela manhã, a tarde, a noite… tentamos atender os alunos da melhor forma.

FightNews: Jiu Jitsu esportivo e Jiu Jitsu de competição, Qual sua visão sobre isso, considerando os diferentes perfis de alunos que procuram sua academia?
Carlos Cobrinha: Eu identifico vários motivos e perfis que levam a pessoa a minha academia. Um quer socializar, outro quer perder peso e ter uma vida mais saudável, alguns querem aprender a se defender… enfim, a minoria chega na nossa porta desejando competir e este não é nunca nosso primeiro foco. Porém, depois que começam a praticar, os limites do praticante se ampliam bastante. E muitas vezes vem a confiança e vontade de se testar nas competições. Resumindo, eu não obrigo nenhum aluno a competir e nem coloco como meta. Mas quando eles vêm até a mim e dizem que querem se testar, eu os incentivo imediatamente. E, claro, os preparo da melhor forma. Muito do bom que o Jiu-Jitsu traz, principalmente na parte mental, na competição isso pode ser potencializado amplamente. É uma excelente experiência para a vida. E apesar de não ser nosso foco inicial, hoje tenho orgulho de ter muitos alunos campeões nos principais eventos. Vamos sempre bem nas competições.
FightNews: Como você vê hoje o Jiu Jitsu em Portugal? O crescimento, número de atletas e competições, qual sua leitura do atual momento do Jiu Jitsu por aqui?
Carlos Cobrinha: O Jiu-Jitsu já vinha bem em Portugal mas percebi um crescimento muito acelerado nesse “pós-pandemia”. Ha opções de competições quase que todas as semanas, sempre cheias e com Jiu-Jitsu de alto nível. Os atletas portugueses hoje na minha opinião estão entre os top 3 da Europa e muitos já se destacam mundialmente. Por exemplo, tivemos dois portugueses campeões do Mundial da AJP na principal categoria em disputa. Tendo como referência o volume de atletas nas competições e a quantidade de academias e praticantes nelas, me arrisco a dizer com segurança que hoje o Jiu-Jitsu já é de longe a arte marcial mais praticada neste país.

FightNews: Em termos de competição, vê muita diferença com relação ao Brasil ? Estrutura, nível técnico? Como você vê os eventos na Europa e Portugal comparados ao Brasil?
Eu percebia uma diferença muito grande em quantidade de competições. E nas que tinham muitas ainda não tinham um padrão dos melhores em termos de estrutura. Mas percebo uma aceleração muito positiva neste quesito. Como adiantei na resposta anterior, hoje há uma quantidade de competições muito satisfatória. A ponto de termos que optar entre quais serão nossas prioridades. Além disso, muitas com estrutura muito boa. Além dos eventos da FPJJB, ligada a IBJJF, e os eventos da AJP, que sempre têm alto nível, já contamos com outras federações como a ISBJJA, do Gavazza , com etapas numa estrutura linda em Coimbra, e eventos paralelos como o Grande Premio Cidade da Maia, produzida pelo Thiago Andrade, que foi muito bem organizado. Acho que tendo a Europa como referência, o praticante em Portugal está com ótimas opções. Não quero ser injusto, porque também há muitos outros eventos no país que são bem organizados e estão evoluindo a cada ano.
FightNews: Para finalizar, manda um recado para a malta que ainda não conhece ou pratica o Jiu Jitsu.
Carlos Cobrinha: O que posso dizer é que o Jiu-Jitsu mudou a minha vida e já vi em mais de 30 anos transformar muitas pessoas de forma positiva. Ele me fez acreditar que posso ter sucesso em tudo que eu quiser. E também que se num primeiro momento e não conseguir esse sucesso, eu vou me levantar e seguir em frente ainda mais forte. Ou seja, na minha vida foi muito mais que uma excelente forma de defesa pessoal. O Jiu-Jitsu potencializou tudo que eu tenho de melhor. Acho que todos deveriam experimentar esse bem! E, claro, nossa academia está de portas abertas para levar esse bem a você!







