
Depois de conquistar o ouro na sua categoria e no absoluto no Pan-Americano da SJJSAF, no Rio de Janeiro, Brasil, o atleta de Jiu-Jitsu Manel Bonneville, da Gracie Barra Carnaxide e Queijas, falou ao nossa redação sobre a experiência no Brasil, os desafios enfrentados e os próximos passos na sua carreira.
FightNews: Como foi a experiência de competir no Pan-Americano da SJJSAF?
Manel Bonneville: Lutei na categoria de mais de 100 kg com “apenas” 103 kg, portanto, enfrentei adversários bastante mais altos, mais pesados e mais jovens. Apesar de ser Master, lutei na categoria adulto e tive de impor o meu jogo para conseguir travar estes jovens. Penso que a minha resiliência me salvou. A final durou 16 minutos, quando uma luta da IBJJF tem apenas 6. Nunca tinha lutado mais de 6 minutos. Pensei em desistir devido à exaustão, mas, graças a Deus, fui buscar forças a algum lado.

FightNews: Venceste tanto na tua categoria como no absoluto. O que significa para ti trazer estas medalhas para Portugal e para a tua equipa, a Gracie Barra Carnaxide e Queijas?
Manel Bonneville: Estou a ter uma época muito boa, quase só com vitórias há mais de um ano. Sagrei-me campeão nacional na categoria e absoluto, e campeão europeu na categoria, em janeiro. Agora segue-se o European Masters, em Barcelona, e, claro, o Mundial de Masters no fim do verão, em Las Vegas.
FightNews: Que aspetos do teu jogo sentes que foram fundamentais para este desempenho dominante?
Manel Bonneville: Penso que a minha resiliência foi o mais importante. Tive de impor o meu jogo mesmo contra adversários mais fortes fisicamente. A capacidade de não desistir e continuar a pressionar fez a diferença, sobretudo numa final tão longa.

FightNews: Quais são os próximos objetivos para a tua carreira no Jiu-Jitsu? Há novas competições no horizonte em 2025?
Manel Bonneville: Sim, como disse, o European Masters em Barcelona e o Mundial de Masters em Las Vegas são os grandes objetivos. Quero continuar a competir e a evoluir.

FightNews: Como avalias o nível técnico do campeonato?
Manel Bonneville: Apesar de estarmos na capital do jiu-jitsu, acho que o nível em Portugal está muito alto, fruto do muito bom trabalho que todas as equipas estão a desenvolver. Penso que o nível deste campeonato não era diferente de um Nacional Open em Portugal.
FightNews: Quais foram os maiores desafios que enfrentaste no evento, tanto na tua categoria como no absoluto?
Manel Bonneville: Eu cheguei ao Brasil sozinho, com alguns contactos para treinar, mas, na prática, estava sozinho. Fiz a minha preparação a treinar sempre em academias diferentes. No dia da competição, achei que não iria ter coach, até o meu amigo e faixa preta Diego Barrozo, da Pirâmide Grappling, se ter disponibilizado para ser o meu coach. Trouxe a família toda para me apoiar, e isso tornou tudo muito mais fácil. Muito obrigado a ele e a toda a família: mulher, sogra e filha pequena!

FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos teus treinadores, colegas de equipa e apoiantes que te acompanham nesta jornada?
Manel Bonneville: Gostaria apenas de agradecer todo o apoio que senti. Foi incrível acabar a primeira luta e ver, se calhar, dezenas de mensagens de pessoas que estavam a ver o stream em Portugal! Senti-me muito apoiado, e isso faz tudo valer a pena. É um orgulho enorme lutar com a bandeira de Portugal no quimono, mesmo sem qualquer apoio do Estado — para já.
Espero que a minha paixão pelo jiu-jitsu inspire outros a começar ou, quem já pratica, a levar um pouco mais a sério. Tenho a perfeita noção de que ainda sou um “bosta”, como o meu professor me diz carinhosamente, mas lá vou fazendo uma gracinha ou outra! Prometo só parar de treinar quando o corpo não me deixar mais! Obrigado!
