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Ricardo Fernandes: 'Fechei o ciclo como atleta, agora o foco é formar campeões'

O ex-atleta fala sobre a transição para treinador, os desafios da carreira e a sua visão para o futuro dos seus atletas

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
28/02/2025 às 10h44 Atualizada em 28/02/2025 às 11h21
Ricardo Fernandes: 'Fechei o ciclo como atleta, agora o foco é formar campeões'
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Ricardo Fernandes, ex atleta de kickboxing, tomou a decisão de pendurar as luvas há cerca de três anos para se dedicar exclusivamente à formação de novos talentos na sua academia. Com uma trajetória marcada por conquistas, desafios e aprendizagens, o agora treinador fala sobre a transição da carreira, os valores que procura transmitir e o legado que deseja deixar no desporto.

FightNews: Há mais ou menos três anos tomou a decisão de deixar os ringues como atleta. O que o levou a tomar essa decisão e como foi o processo de adaptação a essa nova fase da sua vida?

Ricardo Fernandes: Bem, sim. Foi uma decisão difícil e decidi acabar a carreira porque tinha muitas responsabilidades extra, para além do kickboxing. Era diretor de segurança de um clube de futebol profissional, tinha a academia enquanto treinador... E eu, enquanto treinador, acho que o treinador-atleta é algo que não funciona, porque não conseguimos priorizar os atletas, que são quem mais precisa de nós. Eles confiam em nós cegamente e temos de dar tudo para merecer essa confiança.

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Não foi fácil adaptar-me à vida sem competição. Fiz isso durante 20 anos e fui um felizardo por fazer aquilo que mais amo. Mas tudo tem um ciclo e o meu fechou. Agora vejo-me como treinador, a construir uma equipa muito engraçada. E não haverá um regresso. Foi uma vez e acabou-se.

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FightNews: Qual foi o momento mais difícil nesta transição de atleta para treinador?

Ricardo Fernandes: Não houve nenhum momento difícil. Foi tudo muito natural. Preparei a minha saída da carreira muito antes de terminar. Iniciei a academia como queria, fui montando as coisas e, para mim, foi um processo fluido. Como atleta foi muito divertido, e agora como treinador está a ser muito desafiante.

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FightNews: Como treinador, quais são as principais lições que procura transmitir aos seus atletas, baseando-se na sua própria experiência como competidor?

Ricardo Fernandes: O mais importante é que se divirtam. Ninguém é melhor do que eles. Se ganharem um combate, isso não os torna os melhores do mundo, tal como se perderem, não os torna os piores. Se encararem a competição com esta leveza e quiserem mais do que os outros, vão conseguir. Eu venci muitos atletas melhores do que eu, simplesmente porque queria mais do que eles.

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FightNews: Olhar para trás e perceber que teve ao seu lado os melhores é um privilégio raro. Quem foram as figuras que mais marcaram a sua carreira e porquê?

Ricardo Fernandes: Fui um felizardo. Tive ao meu lado o Mestre Ramos, Mestre Vasco, José Reis, Luís Reis. Tive a sorte de começar a carreira com o meu pai e depois mudei para um sistema de jogo completamente diferente.

A minha maior frustração é não ter sabido que estava a fazer o meu último treino com o Mestre Ramos e o Mestre Vasco. Se soubesse, teria aproveitado cada segundo de forma diferente.

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FightNews: Agora que vê o desporto do ponto de vista de treinador, como mudou a sua perceção sobre o que é necessário para formar um atleta de sucesso?

Ricardo Fernandes: Agora percebo que o essencial é dar boas bases. Construir um sistema de jogo sólido e evitar que os meus atletas cometam os mesmos erros que eu cometi. Aprendi muita coisa da forma mais dura, mas não há necessidade de eles passarem pelo mesmo.

FightNews: Que tipo de legado gostaria de deixar como treinador, tendo já um legado tão forte como atleta?

Ricardo Fernandes: O meu legado como treinador é semelhante ao que fiz como atleta: jogar com qualquer um e contra todos. Quero construir uma equipa forte em Portugal e depois começar a conquistar os palcos internacionais com os meus atletas.

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Sou muito protecionista com os meus atletas. O Tomás Varela, por exemplo, noutra academia já teria estreado como classe B muito antes. Se calhar foi um erro atrasar isso, mas prefiro protegê-los ao máximo e garantir que estão prontos. Quero que se afirmem primeiro no panorama nacional antes de enfrentarem desafios internacionais.

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FightNews: Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar aos jovens atletas que estão a iniciar a sua caminhada nos ringues?

Ricardo Fernandes: Que se divirtam! Não coloquem um peso enorme nos ombros nem encarem o desporto como uma obrigação de vencer. Quem se consegue descontrair no ringue e aproveitar o privilégio de estar lá, tem um passo de vantagem para se tornar campeão.

Muito obrigado pela entrevista.

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