
Nos últimos anos, o jiu-jitsu feminino tem conquistado cada vez mais espaço e reconhecimento, com um aumento significativo na participação de mulheres em competições e academias. No entanto, ainda há desafios a superar. Para compreender melhor esta realidade, conversámos com Beatriz Borges, atleta de jiu-jitsu, que ganhou recentemente o título de campeã europeia 2025 e que partilhou a sua experiência na modalidade, os desafios enfrentados e a sua visão para o futuro do desporto.
FightNews: Como é a tua experiência no jiu-jitsu, uma modalidade que, historicamente, tem sido mais dominada por homens? Já encontraste dificuldades por seres mulher no desporto?
Beatriz Borges: A minha experiência no jiu-jitsu tem sido desafiadora, mas muito gratificante. Sendo um desporto historicamente dominado por homens, já enfrentei alguns preconceitos e a necessidade de provar o meu valor, mas nunca deixei que isso me limitasse. Pelo contrário, cada obstáculo tornou-me mais forte. Felizmente, o cenário tem vindo a mudar, e as mulheres estão a conquistar cada vez mais espaço e respeito no tatami. No fim de contas, o jiu-jitsu não é uma questão de género, mas sim de técnica, dedicação e superação.

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FightNews: Sentes que existe algum tipo de preconceito ou estigma dentro do mundo do jiu-jitsu em relação às mulheres que competem? Como lidas com isso no teu dia a dia?
Beatriz Borges: O preconceito ainda existe, mas tem vindo a diminuir à medida que mais mulheres se destacam no jiu-jitsu. Ainda há quem subestime ou questione a nossa presença, mas acredito que a melhor resposta está no desempenho dentro do tatami. No dia a dia, lido com isso mantendo o foco no meu treino, superando desafios e deixando que os resultados falem por si. O mais importante é continuar a provar, com atitude, dedicação e conquistas, que o jiu-jitsu não tem género – é para quem se entrega de verdade.

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FightNews: Como vês o crescimento do jiu-jitsu feminino em Portugal? Acreditas que as mulheres têm mais oportunidades hoje em dia do que há alguns anos?
Beatriz Borges: O jiu-jitsu feminino em Portugal tem crescido de forma notável, com cada vez mais mulheres a aderirem à modalidade, tanto a nível recreativo como competitivo. Hoje em dia, há mais academias a incentivar a participação feminina, mais competições com categorias bem estruturadas e uma maior representatividade no desporto. Comparando com há alguns anos, as oportunidades são muito maiores, seja em termos de formação, patrocínios ou visibilidade. Ainda há caminho a percorrer, mas é inspirador ver o progresso e saber que as próximas gerações terão um percurso mais acessível e com ainda mais reconhecimento.
FightNews: Em termos de estereótipos, ainda há muita resistência à ideia de mulheres praticando e competindo no jiu-jitsu? Quais são os maiores desafios que as mulheres enfrentam na modalidade?
Beatriz Borges: Embora o jiu-jitsu feminino tenha vindo a crescer, ainda existem estereótipos e uma certa resistência à ideia de mulheres praticando e competindo. Muitos ainda veem o desporto como algo “masculino” ou “agressivo”, o que pode criar obstáculos, especialmente no que diz respeito à aceitação plena da nossa presença.
Os maiores desafios enfrentados pelas mulheres no jiu-jitsu passam pela falta de oportunidades iguais em algumas competições, pela menor visibilidade na mídia e pela dificuldade em conseguir o mesmo reconhecimento que os homens. No entanto, as mulheres têm mostrado que, com talento e determinação, o jiu-jitsu é um desporto para todos.

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FightNews: Como se pode combater a ideia de que o jiu-jitsu é um desporto "para homens"? Quais as mudanças que gostarias de ver no futuro para garantir mais inclusão e igualdade no desporto?
Beatriz Borges: Para acabar com a ideia de que o jiu-jitsu é um desporto “para homens”, é essencial mudar a mentalidade dentro e fora dos tatames. As academias podem ter um papel fundamental ao criar ambientes mais inclusivos, onde as mulheres sintam que têm as mesmas oportunidades de crescimento que os homens. Além disso, dar mais destaque às conquistas femininas no desporto, tanto nas competições como nos media, ajuda a normalizar a presença das mulheres e a atrair mais praticantes.

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FightNews: Para finalizar, o que dirias a outras meninas que têm vontade de começar a treinar jiu-jitsu, mas ainda se sentem inseguras ou não sabem por onde começar?
Beatriz Borges: Diria a essas meninas para não deixarem o medo ou a insegurança as travarem. O jiu-jitsu é para todos, independentemente do género, e o mais importante é dar o primeiro passo. Procurem uma academia que seja acolhedora e que incentive o treino feminino, e lembrem-se de que todas começam do zero, seja homem ou mulher. O importante é focar-se no próprio progresso, na técnica e na diversão. Com o tempo, a confiança vai aumentar e, com ela, a sensação de pertencimento. Acreditem em vocês mesmas, porque o jiu-jitsu tem muito a oferecer, e podem conquistar tudo o que desejarem.