Boxe Marcia Lomardo
A Primeira Mulher Árbitra do Boxe Brasileiro Leva sua Experiência aos Ringues de Portugal
Marcia Lomardo, pioneira no boxe brasileiro, continua a fazer história ao arbitrar grandes eventos em Portugal, partilhando sua trajetória de mais de três décadas no desporto.
12/12/2024 17h26 Atualizada há 2 anos
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
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Marcia Lomardo fez história no boxe ao ser a primeira mulher árbitra da modalidade no Brasil, rompendo barreiras num desporto tradicionalmente masculino. Atualmente a viver em Cascais, Portugal, Marcia continua a exercer a arbitragem e trazer sua experiência de 32 anos de Boxe e 27 anos de arbitragem para a Associação de Boxe de Lisboa. Nesta entrevista, desvendamos a trajetória inspiradora de Marcia Lomardo: os desafios pioneiros que enfrentou, as suas perspetivas sobre o crescimento do boxe feminino no Brasil e em Portugal, e as lições valiosas que acumulou ao longo do caminho.

FightNews: Marcia, você foi a primeira árbitra feminina de boxe no Brasil e hoje vive em Portugal, onde continua a arbitrar grandes eventos. Como começou a sua jornada no mundo dos desportos de combate e o que a motivou a seguir o caminho de árbitra?

Marcia Lomardo: A minha jornada começou na Capoeira. Paralelamente, treinei Jiu-Jitsu, Boxe e Ruas Vale Tudo (o atual MMA). Quanto à arbitragem de boxe, na verdade foi mais uma transição que aconteceu naturalmente: de atleta, formei-me como treinadora e depois como árbitra.

Imagem acervo pessoal Marcia Lomardo

FightNews: Ser árbitra de boxe, especialmente sendo mulher, num ambiente tradicionalmente masculino, trouxe-lhe desafios específicos? Já sentiu algum tipo de preconceito ou obstáculo ao longo da sua carreira?

Marcia Lomardo: Nunca senti nenhum tipo de preconceito, pelo contrário, sempre tive o incentivo do universo masculino. Creio que isso se deve a terem acompanhado a minha trajetória desde o início, desde os tempos de atleta, e depois ao testemunhar o nível dos meus alunos, enquanto treinadora. Sempre me deram muito apoio, inclusive fui premiada no Brasil por contribuição ao desporto. Todo esse incentivo foi absolutamente importante, pois eu era uma pioneira em algumas modalidades das artes marciais no país.

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FightNews: O que acha da atual evolução do boxe feminino tanto no Brasil como em Portugal? Acredita que as mulheres estão a ganhar mais espaço e reconhecimento neste desporto?

Marcia Lomardo: As mulheres estão a ganhar cada vez mais espaço devido à sua perseverança e mérito, mas ainda esbarram em algumas dificuldades nesse processo: muitas vezes há falta de adversárias, falta de patrocínios e falta de divulgação do seu trabalho. Nesse sentido, destaco a importante iniciativa da página Fight News nessa incansável divulgação.

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FightNews: Ao longo da sua carreira, já teve que tomar alguma decisão controversa num combate? Como lida com a pressão e as críticas em momentos delicados como esses?

Marcia Lomardo: A controvérsia nas decisões acontece porque todos os treinadores querem que os seus atletas sejam os vencedores e, muitas vezes, não conhecem algumas sutilezas das regras. Mas, nas poucas ocasiões em que surgiram dúvidas, bastou que consultassem os vídeos do combate ou o regulamento para confirmar a veracidade e rigor das minhas decisões.

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FightNews: O que a faz continuar interessada na arbitragem de boxe depois de tantos anos? Qual é o aspecto mais gratificante dessa profissão para si?

Marcia Lomardo: Na verdade, o meu interesse vem da consciência de possuir o conhecimento e a experiência que podem proteger e preservar um atleta durante um combate. Eu sinto-me imbuída dessa missão.

Imagem acervo pessoal Marcia Lomardo

FightNews: Há algum árbitro ou árbitra que tenha sido uma inspiração para si, ou que tenha ajudado a moldar a sua forma de atuar nos ringues?

Marcia Lomardo: Existiu um árbitro chamado Mills Lane, que, devido à sua experiência, trabalhou em muitos dos combates considerados os mais importantes da história do desporto. Era admirável assisti-lo em cima do ringue, em lutas com Muhammad Ali, Mike Tyson, Holyfield, Lennox Lewis, por exemplo. Apesar da baixa estatura, sempre foi muito respeitado e fazia valer a sua autoridade.

Imagem acervo pessoal Marcia Lomardo

FightNews: Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar para as mulheres que desejam seguir uma carreira na arbitragem ou no boxe, e também para os seus colegas de profissão que partilham consigo essa paixão pelos desportos de combate?

Marcia Lomardo: Penso que, para desenvolver-se em qualquer atividade, é preciso haver paixão, pois sem ela não existe a constância e a perseverança necessárias à evolução. E a quem deseje ser árbitro, aconselho que pratique o desporto, para que haja domínio do espaço do ringue e intimidade com a movimentação decorrente do combate.