
Maurice Tillet (1903-1954) foi um dos lutadores mais famosos da América na década de 1940. Wrestler profissional consagrado e campeão dos pesos-pesados pela American Wrestling Association, era conhecido como o “Anjo Francês”.
Nascido na Rússia, filho de pais franceses, Tillet era dotado de um alto nível de inteligência e era muito amado pelo público devido às suas qualidades excepcionais como lutador, além das suas características pessoais que iam muito além do ringue: educação, gentileza, sensibilidade, cultura e bom humor. Falava 14 (catorze!) idiomas, escrevia poesias e também era actor. Teve pequenas participações em filmes de Hollywood, inclusive ao lado de Joséphine Baker e outras estrelas do cinema da época.
Apesar de ser pouco lembrado actualmente pelos amantes das artes marciais, o grande lutador Maurice Tillet teve a sua carreira minuciosamente documentada pelos jornais da época, já que era uma grande celebridade tanto nos Estados Unidos como na Europa.

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O que torna a sua história particularmente impressionante é o facto de que, aos 17 anos, foi diagnosticado com uma doença rara chamada acromegalia. Esta doença provoca um crescimento desordenado e contínuo dos ossos das extremidades do corpo. O seu rosto e corpo foram-se deformando, chamando a atenção dos cientistas de Harvard, que o estudaram por anos. Apesar de ter sofrido muito com esta doença, Maurice manteve sempre, em público, o seu bom humor, alegria e um comportamento cortês com os fãs e com a imprensa.
É sabido e amplamente divulgado na indústria cinematográfica que as características físicas e biográficas de Maurice Tillet inspiraram a criação do carismático personagem Shrek. Algumas referências foram claramente incorporadas: Maurice rugia ao subir no ringue, e o público vibrava. Após cada luta, abria sempre um sorriso meio desajeitado que cativava a todos, incluindo as crianças, que não se amedrontavam com a sua aparência intimidante. Estes detalhes foram integrados ao personagem, juntamente com outras características como o seu bom coração, a sua imensa capacidade de superação, a sua sensibilidade e o sofrimento pela sua aparência física.
Em 1950, Maurice autorizou que fosse feito um molde do seu rosto para a posteridade. Este molde encontra-se actualmente exposto no Museu Internacional de Ciência Cirúrgica, em Chicago.

Texto: Márcia Lomardo