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Artes Marciais Ancestrais: Tradições de Combate e Cultura pelo Mundo
Técnicas e Tradições Ancestrais que Moldaram o Combate.
09/11/2024 22h14 Atualizada há 2 anos
Por: Redação Fonte: Marcia Lomardo
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Ao redor do mundo, as artes marciais representam não apenas uma forma de combate, mas também um reflexo das tradições e dos valores culturais de diferentes povos. Praticadas há séculos, estas lutas combinam técnica, espiritualidade e filosofia, com muitos estilos pouco conhecidos fora das regiões onde se originaram. Neste artigo, exploramos algumas dessas artes marciais únicas, vindas de lugares tão distintos quanto o Sri Lanka, o Brasil e a Turquia, e revelamos as histórias e os costumes que as mantêm vivas até aos dias de hoje.

ANGAMPORA
Origem: Sri Lanka. Esta milenar arte marcial praticada no Sri Lanka mistura técnicas de combate, defesa pessoal e meditação, incorporando combates armados e corpo a corpo. O objetivo final da luta é submeter o oponente de forma que este não consiga escapar, utilizando ataques pontuais de pressão que infligem grande dor ou golpeando de modo a paralisar temporariamente o adversário. Segundo o folclore local, a Angampora existe há mais de 30 mil anos.

BARTITSU
Origem: Inglaterra. Arte marcial criada pelo inglês Edward William Barton-Wright, que viveu três anos no Japão e, ao regressar, em 1898, anunciou a criação de “uma nova arte de defesa pessoal” que combinava, segundo ele, os melhores elementos de diferentes estilos de artes marciais. Nos clássicos livros de Sherlock Holmes, o autor Sir Arthur Conan Doyle referiu-se ao bartitsu no conto “A Casa Vazia”, de 1903, onde Sherlock Holmes relata que foi graças a essa técnica que conseguiu escapar do seu arqui-inimigo, Professor Moriarty. Apesar da notoriedade, deixou de ser praticada nos anos 1920. Em 2002, foi fundada a Bartitsu Society, com o objetivo de resgatar a técnica de combate criada por Barton-Wright.

DAMBE
Origem: Nigéria. É uma luta onde os oponentes se movem em círculos ao som de tambores, enquanto encaram e analisam o adversário. Um dos braços, chamado de “lança”, é envolvido por pedaços de corda. A mão livre, chamada de “escudo”, tem a função de bloquear os golpes do adversário, cujo objetivo é derrubar o oponente. Esta técnica era usada como preparação para a guerra, em que, além do braço, uma das pernas era envolvida por uma pesada corrente, desferindo golpes ainda mais potentes.

EVALA
Origem: Togo. É uma espécie de luta-livre praticada principalmente pelo povo Kabyé, do Togo, no oeste do continente africano, como parte de um rito de passagem que marca a entrada dos jovens na vida adulta. Antes de enfrentarem um oponente, os jovens passam por um treino intensivo, que inclui a tarefa (eliminatória) de escalar três montanhas; quem não for bem-sucedido não pode ser iniciado na maioridade. No “ringue”, ninguém é eliminado, mas a derrota é considerada uma grande vergonha para toda a família.

HUKA HUKA
Origem: Brasil. Luta tradicional dos povos indígenas do Xingu e dos índios Bakairi, do Mato Grosso. A huka-huka é praticada durante o Quarup, o ritual de homenagem aos mortos. A luta começa com os lutadores ajoelhados, girando em frente ao adversário até avançarem para a luta corporal. O objetivo é levantar o oponente e lançá-lo ao chão, e a vitória confere ao vencedor reconhecimento e respeito.

YAGLI GÜRES
Origem: Turquia. A yağlı güreş, ou “luta de azeite”, é o desporto nacional da Turquia. Os dois oponentes cobrem-se de óleo antes de se enfrentarem. O lutador que primeiro erguer o outro acima do seu corpo vence o combate. Devido ao excesso de oleosidade, que dificulta as pegas, os adversários podem colocar a mão dentro do calção de couro (kisbet) usado pelo oponente para aplicar golpes e erguê-lo acima da cabeça.

Texto: Marcia Lomardo