Entrevista com Roberto Serra, líder da Carlson Gracie Cascais, que fala sobre a nova época, objetivos e o impacto do jiu-jitsu no crescimento das crianças
Com o início de uma nova época, a academia Carlson Gracie Cascais prepara-se para mais um ano repleto de desafios e crescimento. O líder da equipa falou connosco sobre as suas expectativas, os objetivos para a época e a importância do jiu-jitsu no desenvolvimento físico e emocional dos alunos, especialmente das crianças.
FightNews: Quais são as suas principais expectativas para a nova época na Carlson Gracie Cascais?
Roberto Serra: Bem, é sempre um período muito animado aqui, com o pessoal a voltar, novos alunos a chegar, e a reorganização das turmas. Por exemplo, as crianças que sobem para o grupo mais avançado precisam de se adaptar, e isso traz muita excitação e ansiedade. Este ano, contamos com o retorno dos grandes campeonatos a Lisboa, o que é fantástico para a nossa academia, pois podemos recebemos alunos e pessoas da Carlson Gracie de outros locais. A previsão para esta época é muito positiva, e estamos felizes e motivados para encarar os desafios. Ainda mais com o Europeu Kids em outubro e o Europeu de adultos em janeiro.
FightNews: O jiu-jitsu é uma modalidade para todos. Como a Carlson Gracie Cascais promove a inclusão de pessoas de diferentes idades, géneros, níveis e perfis?
Roberto Serra: A questão da inclusão faz parte do nosso ADN. Vindo da escola Carlson Gracie, isso é algo intrínseco para mim. O Carlson foi o primeiro a abrir as portas a todos e a tornar o jiu-jitsu mais democrático. Nós continuamos esse trabalho. A inclusão é o ponto de partida da academia: recebemos pessoas de todos os perfis, e todos conseguem beneficiar do jiu-jitsu. A academia é um lugar de aperfeiçoamento pessoal, então as pessoas, independentemente das suas diferenças, vão usar o jiu-jitsu para se conhecerem melhor, melhorar a saúde, ganhar confiança. Mais do que apenas ensinar a lutar, o meu objetivo é ajudar os alunos a crescerem e se superarem.
FightNews: Quais são os principais valores que a academia Carlson Gracie Cascais ensina, além das técnicas de combate? Como a disciplina no tatame se reflete na vida fora da academia?
Roberto Serra: O jiu-jitsu não se resume apenas às técnicas de luta. Se um aluno meu se focar apenas em aprender a lutar, sem cuidar da parte psicológica ou pessoal, isso não basta. O que eu quero é formar verdadeiros 'lutadores' em todos os sentidos da palavra. Um lutador é alguém que corre atrás dos seus objetivos, que enfrenta as dificuldades de frente. Aqui, procuramos formar pessoas que, quando confrontadas com dificuldades, seguram a pressão e depois superam. Não estamos apenas a criar lutadores no tatami, estamos a criar pessoas resilientes e confiantes, que levam essa confiança para todas as áreas da vida. No final, o que vendemos é confiança e o respeito.
FightNews: Que mensagem gostaria de deixar aos jovens que estão curiosos para começar a praticar jiu-jitsu? Que benefícios a modalidade pode trazer para a vida pessoal e física?
Roberto Serra: A minha mensagem para quem quer começar é simples: venham treinar. O passo mais difícil é, muitas vezes, entrar pela primeira vez numa aula. Passar aquela ansiedade inicial de entrar numa academia nova é o mais complicado, mas depois disso tudo se torna mais fácil. A cada aula, a cada mês, vão ficando mais confortáveis, vai ganhando mais confiança. Eu já pratico jiu-jitsu há quase 30 anos e continuo a evoluir e a aprender sempre. Os benefícios são enormes, tanto na parte física — como perda de peso, ganho de forma física —, como na parte emocional, ao ajudar a acalmar, se concentrar e a gastar energia, o que nos deixa mais felizes e tranquilos. Treinar jiu-jitsu é, sem dúvida, uma grande mais-valia para todos.