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Pedro Carvalho: A Jornada de um Guerreiro do MMA Português

Pedro Carvalho reflete sobre o crescimento do MMA em Portugal e o que ainda falta para o desporto explodir no país

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
22/09/2024 às 13h26 Atualizada em 05/10/2024 às 13h17
Pedro Carvalho: A Jornada de um Guerreiro do MMA Português
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Pedro Carvalho, um dos maiores lutadores de MMA de Portugal, falou com a redação da Fightnews sobre a sua carreira, as motivações que o guiaram ao longo da jornada e os desafios futuros. 

FightNews: Pedro, mencionaste numa entrevista que te apaixonaste pelo MMA logo na primeira vez que o viste na televisão. O que, especificamente, naquela primeira experiência visual despertou tanto o teu interesse e te fez seguir por esse caminho?

Pedro Carvalho: Para mim, sem dúvida alguma, foi a ideia de ser um lutador perfeito, numa luta perfeita, entre aspas. Uma pessoa não pode ser só boa numa coisa, tem que ser boa em tudo. Essa ideia apaixonou-me. Até então, eu sempre gostei de desportos de combate, mas nunca fui fã, nunca segui com muita atenção. O MMA despertou em mim essa paixão, sem dúvida alguma, pela ideia de lutar uma luta perfeita e tentar ser um lutador perfeito.

FightNews: Como começou a tua jornada no MMA, num cenário em que o desporto ainda não estava tão desenvolvido em Portugal? O que te motivou a continuar apesar das dificuldades e da falta de infraestrutura na altura?

Pedro Carvalho: A minha jornada começou por acaso. Liguei a um amigo e perguntei o que ele estava a fazer. Normalmente é aquela pessoa que está sempre ligada ao futebol, mas ele disse-me que estava a treinar. Eu perguntei-lhe em que clube. Ele disse-me que estava a treinar  MMA, em Guimarães, que é na minha cidade. E eu lembro que tudo parou. Lembro que isso foi uma quarta-feira. Ao sábado eu já estava a fazer inscrição.

Em relação à motivação, sempre soube que ia seguir este caminho. Não sabia como ou quando, mas sabia que ia dar certo de alguma forma. E foi nisso em que me segurei muito, de uma forma quase como se fosse real à minha frente.

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FightNews: Já disseste que 80% da luta é psicológica. Que estratégias mentais utilizas antes e durante as lutas para manter o foco e a calma perante a pressão?

Pedro Carvalho: O trabalho psicológico é tão importante quanto o físico. Durante o treino de preparação, faço muito trabalho de introspeção, colocando-me mentalmente nas situações que sei que vão ser difíceis, como quando chamam para ir para a arena ou quando estou no backstage à espera. Tentar familiarizar-me com essas sensações ajuda-me a estar mais preparado quando esses momentos chegam. E depois, quando eu estou lá, na altura, quando estou fisicamente a passar por esses momentos, simplesmente relembro-me... de o quão preparado eu estou, de o quão eu trabalhei para isto, o quão bom eu sou e acredito ser, e que tudo vai correr bem. Só tenho que ser paciente lá dentro e deixar a coisa correr bem.

Na jaula, o foco já é natural, mas lidamos com várias nuances psicológicas, como dar a volta quando o combate não está a correr bem. A gente tem que dar a volta àquilo. Mas isso já faz parte do treino, em colocar-nos muitas vezes em situações difíceis no treino. Quanto mais vezes a gente passar por isso, melhor se vai resolver no combate. É por isso que, durante o treinamento, é importante passar por situações de mal-estar, para nos prepararmos para essas adversidades.

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FightNews: A tua mudança para a Irlanda, para treinar com a equipa SBG, foi um ponto de viragem na tua carreira. O que aprendeste nessa transição e como isso impactou o teu estilo e evolução como lutador?

Pedro Carvalho: Tecnicamente, aprendi muito com os excelentes treinadores da SBG. Mas, para mim, o mais importante foi estar num ambiente com colegas que têm o mesmo sonho e ambição. Cheio de pessoas como eu, com o mesmo sonho, com a vontade de treinar e de alcançar isso. E isso é uma grande parte daquilo que um atleta precisa, é de perceberes que muitos atletas ali querem o mesmo que tu, e eles vão tirar o melhor de ti em todos os treinos, porque eles estão a treinar para o mesmo objetivo. O facto de ter chegado a um sítio com parceiros de treino, com classe mundial, qualidade, que lutavam nos melhores eventos do mundo foi determinante. E para mim, é claro, foi tudo novo. Foi tudo novo, estar a treinar com aqueles tubarões todos e eu acho que o facto de eu também me querer destacar, isso tudo junto, fez com que houvesse uma evolução muito grande e tivesse chegado ao nível onde cheguei.

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FightNews: No Bellator, construíste um currículo impressionante, com vitórias notáveis. Qual foi o momento mais marcante da tua trajetória na organização?

Pedro Carvalho: Se tivesse que escolher um momento, seria o meu primeiro combate no Bellator. Na altura, quando esse combate me foi oferecido, foi um combate, um contrato de apenas uma luta. Basicamente, eu só fui lá para o rapaz fazer a festa, mas isso não me interessava porque eu sabia que aquela era a minha melhor oportunidade. Finalmente aquela era a minha oportunidade. A única coisa que eu tinha que fazer era trabalhar, chegar lá e ganhar. E o resto aparecia. Por isso, sem dúvida, foi o momento mais marcante no Bellator.

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FightNews: Ao longo da tua carreira, conquistaste vitórias tanto por submissão como por nocaute. Tens preferência por algum tipo de finalização ou procuras ser o mais versátil possível no octógono?

Pedro Carvalho: Não, não tenho preferência. Para mim é ganhar. É essa a minha preferência, ganhar. Agora, como? Não me interessa como. Seja por submissão, K.O., decisão... Agora, como é óbvio, eu não posso mentir que para quem assiste, para quem está a fazer, para quem está a lutar, é claro que o KO é uma explosão de emoção muito grande, porque é algo que acontece de repente. Não de repente, pois às vezes é por volume, mas é diferente. Mas a sensação, no final de contas, é a mesma. Aquela sensação boa de dever cumprido, de ver o trabalho bem feito, e isso realmente é o que destaca.

FightNews: Como tem sido a tua experiência na PFL até agora e o que mais valorizas nas oportunidades e desafios que esta nova organização tem oferecido para a tua evolução como lutador?

Pedro Carvalho: Minha experiência no PFL é um bocado agridoce. Gosto muito de toda a gente. É uma companhia que trabalha muito bem, mas, por outro lado, tive uns combates que não foram propriamente justos da maneira que foram. Mas isso também não interessa. Mas sim, eu prefiro ver as coisas de um lado positivo e a minha experiência até então foi mais positiva do que negativa. Pelo menos eu gosto de ver as coisas dessa forma. E foram oportunidades muito boas para eu evoluir, para eu me mostrar e para destacar a minha carreira. 

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FightNews: Em relação ao MMA, como avalias o crescimento do desporto em Portugal nos últimos anos? O que achas que ainda falta para que o MMA ganhe mais popularidade e estrutura? No cenário global, qual acreditas que é o teu papel na popularização da modalidade em Portugal?

Pedro Carvalho: O MMA em Portugal está a crescer, mas de forma lenta. O que falta, e acredito que acontecerá nos próximos anos, é termos mais atletas em grandes eventos a brilhar e a vencer. Quando isso acontecer, o desporto terá um "boom" de popularidade. Não só chegar lá, mas fazer boas performances e ganhar combates. E, claro, uma coisa segue à outra.

Eu tive a experiência do sucesso das minhas vitórias. Acabaram por me guiar a um título do mundo e tudo isso gerou algum barulho. Eu acho que é muito por aí. É pelo sucesso dos atletas, porque infelizmente em Portugal não podemos estar à espera de apoios antecipados. Mas eu acredito, primeiramente pela qualidade que vejo, que nós já temos atletas portugueses em eventos grandes, mas eu acredito que numa questão de dois, três anos, iremos ter mais, e depois claro, à medida que vamos tendo mais atletas, as probabilidades de termos atletas que sejam bem-sucedidos também irão ser maiores. E depois, claro, se entretanto houver um grande evento, como a PFL ou a UFC a fazer, ou em Portugal, ou em Espanha, será assim, sem dúvida alguma, um marco no desporto.

FightNews: Que mensagem gostarias de deixar aos lutadores em Portugal, especialmente àqueles que veem na luta uma oportunidade de ascensão profissional?

A única coisa que posso dizer é o básico, mas é o básico que faz a diferença: acreditar e trabalhar. Trabalhar muito, ter espírito de sacrifício e estar disposto a passar por dificuldades. Quando as prioridades estão alinhadas e sabemos o que queremos, o trabalho duro acaba por dar frutos.

Pedro Carvalho continua a inspirar uma nova geração de lutadores, e a sua determinação e visão para o futuro do MMA em Portugal são uma prova de que o sucesso vem com trabalho árduo e perseverança.

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