Manel Bonneville conquistou o título de Campeão do Mundo de Jiu Jitsu da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), na categoria Master 1, faixa roxa, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Uma conquista que representa o reconhecimento de anos de dedicação à modalidade e que o atleta atribui não apenas ao seu trabalho individual, mas também ao contributo dos treinadores, dos colegas de equipa e de todos os que o acompanharam ao longo da preparação.
Depois de ter participado na edição de 2025 sem conseguir alcançar o resultado pretendido, Manel Bonneville regressou à competição mundial determinado a dar o seu melhor. Com uma abordagem centrada no que podia controlar, desde o treino à alimentação, passando pela preparação física e pela recuperação, o atleta conseguiu superar quatro combates exigentes e chegar ao lugar mais alto do pódio.
Em entrevista à Fight News Portugal, o campeão mundial fala sobre o significado desta conquista, o percurso que iniciou há pouco mais de quatro anos, os desafios de competir ao mais alto nível e a importância do trabalho coletivo. Manel Bonneville deixa ainda uma mensagem de gratidão aos treinadores, colegas de treino, familiares e patrocinadores que contribuíram para tornar este objetivo possível.
Fight News Portugal: Manel, sagraste-te Campeão Mundial da IBJJF, em Las Vegas, na categoria Master 1, faixa roxa. Que significado tem esta conquista para ti, tanto a nível pessoal como desportivo?
Manel Bonneville: É um enorme orgulho para mim ganhar este campeonato. Acho que atesta a minha dedicação e resiliência. Voltar para ganhar depois de, em 2025, ter regressado de mãos a abanar é ainda melhor e está alinhado com uma frase de que gosto muito: “Keep showing up”. Não que o trabalho seja validado só por resultados, mas mostra também que, na GB Carnaxide e Queijas, estamos a fazer um ótimo trabalho sob a orientação do professor Rui Oliveira.
Fight News Portugal: Quando começaste a praticar Jiu Jitsu, imaginavas que um dia poderias chegar ao título de Campeão do Mundo? Como tem sido o teu percurso até alcançares este objetivo?
Manel Bonneville: Estaria a mentir se dissesse que achei que seria uma possibilidade. Comecei no Jiu Jitsu meio por acaso, há pouco mais de quatro anos, mas, desde o primeiro treino, que me apaixonei pela arte. Acho que o meu progresso se deve essencialmente ao facto de ter ficado viciado no processo e de ter tido a sorte de encontrar bons professores e colegas de treino.
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Fight News Portugal: A preparação para um Campeonato do Mundo exige muito trabalho, disciplina e sacrifício. Como foi a tua preparação para esta competição e quais foram os maiores desafios que enfrentaste até chegares a Las Vegas?
Manel Bonneville: Este ano, encarei a preparação com outro mindset. Foquei-me apenas no que podia controlar: no meu treino, na minha dieta, na preparação física e na recuperação. Tentei ignorar todos os outros fatores externos, reduzi ao nível mínimo o estudo dos adversários e, acima de tudo, tirei pressão de mim mesmo. No ano passado, fui lá e voltei sem nada. Este ano, o pior que podia acontecer era isso mesmo e fui com a certeza de que, ganhando tudo ou perdendo na primeira, nada mudaria e, na segunda-feira, haveria sempre treino.
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Fight News Portugal:Competir num Mundial da IBJJF significa enfrentar alguns dos melhores atletas do mundo. Como avalias o nível competitivo que encontraste e o grau de dificuldade dos combates que disputaste?
Manel Bonneville: Mundial é Mundial e, à medida que a cor da faixa vai mudando, vai sendo muito mais raro apanhar adversários que não sejam extremamente competentes. Tive quatro lutas, todas muito duras. A primeira luta foi um bom exemplo, em que, até 19 segundos do final, estava tudo empatado. Num Mundial da IBJJF, o espaço para errar é quase nulo. Tive de jogar um jogo seguro e conservador e capitalizar nos poucos momentos em que tive oportunidade para isso.
Fight News Portugal: Que aspetos do teu jogo consideras terem sido determinantes para conquistares o título mundial? Houve alguma estratégia específica que tenha feito a diferença nos combates?
Manel Bonneville: Como disse há pouco, este ano foquei-me no que podia controlar. Tinha um plano de jogo definido e pouco me interessava qual era o tipo de jogo dos meus adversários. Sabia o que queria fazer, que, no meu caso, era jogar por baixo, e em todas as lutas consegui, em poucos segundos, chegar onde queria. O meu estilo de jogo implica muita paciência e capacidade de sofrimento. Talvez por ter passado centenas de horas naquela posição, já sei identificar quando estou em perigo ou quando uma situação é simplesmente desconfortável. Se identifico que ali não estou em perigo, então é hora de ignorar esse desconforto e tentar provocar erros.
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Fight News Portugal: Representaste a Gracie Barra Carnaxide e Queijas nesta competição internacional. O que significa para ti levar o nome da tua equipa ao mais alto nível do Jiu Jitsu mundial?
Manel Bonneville: Somos uma academia relativamente nova, que ainda nem tem dois anos de existência, por isso é um orgulho poder ver o nome da academia no maior palco do mundo para atletas Master. Enche-me de orgulho ver que o Jiu Jitsu que ali praticamos, sob a direção do professor Rui Oliveira, é de qualidade. Espero que esta vitória sirva também para inspirar os meus colegas de treino, uma vez que esta vitória não é minha, é nossa!
Fight News Portugal: Qual foi a importância dos teus treinadores e dos teus colegas de equipa ao longo da preparação para este campeonato? A quem gostarias de dedicar esta conquista?
Manel Bonneville: Apesar de, no papel, representar só a GB Carnaxide e Queijas, esta preparação foi feita em mais sítios. Gostava de agradecer a três escolas que me ajudaram muito: a GB Paço de Arcos, onde comecei a treinar e que visitei semanalmente para treinar com os professores Fábio Vilar e Diogo Valença; a GB Cascais, que tem o já mítico caldeirão e hoje tem a melhor equipa de competição em Portugal, comandada pelo professor Pedro Coelho; e também agradecer muito à GB Braço de Prata, que me recebeu sempre de braços abertos nos seus treinos de competição, liderados pelo professor Pedro Gonzalez.
A todos os companheiros de treino que me ajudaram diariamente em todas estas academias, que são demasiados para nomear, todos, sem exceção, da branca à preta, foram essenciais para esta preparação. Obrigado!
Fight News Portugal: Para terminar, que palavras gostarias de deixar aos teus familiares, treinadores, colegas de equipa e a todos os que te apoiaram nesta caminhada até ao título mundial?
Manel Bonneville: Mais uma vez, as palavras que tenho são de gratidão. Penso que já deixei claro o meu sentimento em relação aos professores e colegas nas perguntas anteriores, por isso, nesta, aproveito para agradecer à minha família, em especial à minha namorada Grace, por me aturar com os meus nervos e por não se queixar dos meus horários, por me deixar o jantar à espera quando chego às 23h00 a casa depois de duas horas de porrada no caldeirão!
E também agradecer a quem me ajuda em forma de patrocínio: Lisbon Strong, SporFisio, Unleash, Manique Car, Watch TM, New Face Creative, XImpact e Rui Amaro Nutricionista. Num desporto amador em que contamos com zero apoios públicos, este tipo de patrocínios, mesmo que não sejam em dinheiro, são muitas vezes a diferença entre poder competir ou não.
O título mundial conquistado por Manel Bonneville em Las Vegas é o resultado de uma caminhada marcada pela persistência, pela disciplina e pela capacidade de aprender com as experiências anteriores. Depois de uma participação sem medalhas em 2025, o atleta regressou ao Mundial com uma mentalidade renovada e demonstrou que a consistência e o compromisso com o processo podem fazer a diferença nos momentos decisivos.
Ao destacar o contributo da Gracie Barra Carnaxide e Queijas, da GB Paço de Arcos, da GB Cascais e da GB Braço de Prata, Manel deixa também uma mensagem importante para a comunidade do Jiu Jitsu em Portugal: as grandes conquistas individuais são, muitas vezes, construídas através do esforço coletivo.
A sua vitória na categoria Master 1, faixa roxa, da IBJJF representa não só um marco pessoal, mas também um motivo de orgulho para as equipas e para todos os que contribuíram para esta caminhada. Como o próprio campeão resume, a vitória não é apenas sua: “Esta vitória não é minha, é nossa!”