
A redação FightNews entrevistou Rivaldo Pereira, mais conhecido como Don Pepas, lutador de MMA profissional e que nos contou sobre sua trajetória nas artes marciais, seus planos de carreira e sua última vitória no Puria Fight Night 12, em Alemanha.
FightNews: Pode-nos contar um pouco sobre a sua trajetória no mundo das artes marciais?
Don Pepas: Bom, resumindo a minha história brevemente, eu nasci e cresci em Guiné até os meus 11 anos, e nós, quando éramos crianças, lembro-me de ter lutado muito, na rua, a brincar na escola, a nossa brincadeira no recreio sempre foi envolvida com a brincadeira de lutar.
Fui para Portugal também com os meus 11 anos, um país diferente, a mentalidade é diferente, então, aquele clima de brigas na rua, das crianças, para nós era mais brincadeira que algo sério, algo pessoal. E ao chegar em Portugal, tinha muita gente também que gostava de testar um calor novo, na escola nova, me lembro de ter tido um episódio chegando na escola que não conhecia ninguém, e alguém veio me testar e queria brigar comigo. Como eu não conhecia ninguém, fiquei tímido, não queria, até ele dar o primeiro soco, aí brigamos e consegui ganhar dele. A partir daí, comecei a ter aquele aspecto na escola e já não pensava duas vezes antes de brigar.
Em Portugal, fiquei sete anos, experimentei fazer aulas de boxe, lá em Corroios, no ano passado fizeram lá o torneio nacional de MMA, no pavilhão de Corroios, mas durante os dois meses em que lá estive eu não fiz Sparring, fui lá para aprender a lutar e fazer sparring, toda pessoa que gosta de treinar quer fazer sparring, e durante esses dois meses não me deixaram fazer sparring, eram só exercícios, técnicas, então eu disse, não é isso que eu quero, parei, passei a não gostar do boxe por causa desse episódio, e depois, quando vim para Luxemburgo, aqui também a mentalidade é outra, o país é diferente, então, já não se pode lutar na rua, já não se pode lutar na escola, porque as consequências são graves. Então, como sempre tive aquela vibe, e tenho muita energia no corpo, fiquei muito entediado aqui em Luxemburgo. Mas quando estabilizei, mais ou menos, eu disse, ok, está na hora de fazer alguma coisa, então decidi fazer artes marciais, e o que eu vi que era mais parecido do jeito que eu cresci, era o MMA. Pesquisei e o Jiu Jitsu e me parecia a melhor modalidade para começar, por muitas das brigas acabarem no chão, seja por finalização, ou a luta de solo mesmo.
E assim comecei no Jiu Jitsu, a primeira semana eu detestei, mas vi que as chaves funcionavam. Eu não conhecia o Jiu Jitsu, tinha um amigo que treinava Jiu Jitsu, e tinha outro que já tinha conhecimento sobre o Jiu Jitsu, e fui ver, e vendo o Jiu Jitsu pela primeira vez, quem gosta de dar soco e pontapé, acha aquilo muito estranho, então achei o esporte muito estranho, mas depois quando começaram a me dar as chaves, os armlocks, os triângulos, aí eu disse, é estranho mas é eficaz, eu posso dormir, eu posso partir o meu braço, eu posso partir o meu pé, o meu joelho pode ser arrancado, o meu ombro deslocado, eu disse ok, é um esporte muito estranho para mim, mas é muito eficaz, então comecei a treinar o Jiu Jitsu, foi a sério, nos primeiro dois meses, já estava com uma boa base, também por ter aquela raça, de ter luta de briga, não querer desistir, não querer bater fácil, e ter aquele coração de guerreiro, me dediquei a fundo. Trabalhava, saía do trabalho às sete, e o treino começava às sete, então chegava sempre atrasado, treinava três vezes por semana, e os outros dias que não tinha treino, ia fazer a preparação física. Depois de dois meses a treinar, houve uma competição, e o meu mestre perguntou-me se eu queria experimentar, eu disse sim. Fui e ganhei, fui campeão no Gi, e eu disse ok, se me dedicar a 100% a isso, treinar mais vezes por dia, mais horas por dia, talvez isso possa dar certo, e aí, continuei a treinar duro, e resumidamente, ganhei muitas competições, fui campeão europeu na faixa branca da IBJJF, e fui competindo até a faixa roxa. (sic)

Foto: primeiro campeonato de Jiu Jitsu
O meu mestre disse que ia estrear o soco aqui em Luxemburgo, tem um evento de MMA aí, tu queres fazer? Lhe disse que por acaso, comecei a treinar Jiu Jitsu por causa do MMA, então se der para fazer, vamos fazer, e eu tinha zero strike, o strike que toda gente nasce, que é dar soco, todo mundo sabe dar soco, daquele jeito, tipo estar nadando, aí o mestre disse ok, já estás com uma boa base de Jiu Jitsu, então vamos tentar, e aí quando confirmou a luta, comecei a treinar a parte em pé, que era o boxe, e um pouco de Muay Thai. No espaço de um mês, fui e lutei, ganhei por finalização, acho que foi no segundo round, por um triângulo. Eu disse ok, minha primeira luta de MMA, se eu me dedicar a isso, pode dar certo também no mundo do MMA, ganhei minhas três primeiras lutas, por finalizações. (sic)

Foto: primeiro torneio MMA
Resumidamente, tudo o que estou a fazer é virado para o MMA, o desporto que sempre quis fazer, desde o início. Continuo a treinar Jiu Jitsu, já estou a treinar oficialmente Muay Thai também. Então estou a fazer esses três tipos de treinos, Jiu Jitsu, MMA e Muay Thai, e foi isso que me levou a ter a luta no Puria Fight Night 12.
FightNews: Você foi chamado na última hora para substituir uma desistência, comenta essa experiência de aceitar a luta sem uma preparação minima e vencer o combate? O que achou da luta?
Don Pepas: Sobre a luta de ontem, vamos resumir desde a minha estreia no MMA profissional. Estreiei no MMA profissional no dia 4 de maio e tinham três lutas marcadas já. Uma que fiz, que foi a minha estreia e tinham mais outras duas.
A segunda foi cancelada e a terceira o evento foi adiado. Então eu estava preparado para fazer essas lutas e como uma foi cancelada e a outra também foi adiada, fiquei sem lutas.
Fiquei à procura de lutas. O meu coach de Muay Thai disse que tinha uma luta na semana passada, que era no dia 15 de junho e que eu estava bem preparado, mas era um evento de Muay Thai que eu pratico só para completar meus treinos de MMA. Aí eu disse, eu vou ter que fazer a perda de peso de novo, mas eu quero lutar, quero me divertir, vamos a isso.
A luta em si foi muito boa. No primeiro round, o meu adversário estava a vir muito agressivo. No segundo round também eu fui a fundo, os dez últimos segundos eu aportei muito e no terceiro round a equipa dele viu que o nível era muito diferente, porque eu estou com dois anos de treino de Muay Thai, dois, quase três anos de treino de Muay Thai, e ele já treinava há mais tempo, só que eu treino constantemente, treino todos os dias, treino várias artes e também quero lutar o máximo possível.
Aí como eles viram que a intensidade mudou, eles abandonaram, disseram para cancelar a luta, deitaram a bandeira branca, e a luta ficou aí no segundo round, nem deu para me divertir como deve ser.
Eu vou tentar sempre finalizar as minhas lutas antes que acabem.

Foto: Última vitória Puria Fight Night em Alemanha
FightNews: Para finalizar manda um recado para os seus fãs e as pessoas que acompanham seu trabalho?
Don Pepas: Tenho muito apoio, tenho vários amigos, vários conhecidos que apoiam, que compartilham os resultados das minhas lutas e que me dão muita força, e isso eu agradeço muito.
E sobre fãs, eu acho que ainda é muito cedo para eu usar essa palavra, mas caso eu tenha fãs, agradeço também muito por estarem a gostar do meu trabalho, apesar que ainda é o início do meu caminho.
O objetivo final ainda está longe, mas já está visível. É só continuar a trabalhar duro, ganhando as lutas, treinando forte, fazer o meu máximo possível, que vou chegar lá com o vosso apoio.

E também se alguém tiver algum objetivo, algum sonho, em qualquer área na vida, é só mentalizar na cabeça, ver o resultado final e ir etapa a etapa, até conseguir chegar lá, porque nada é impossível. Tudo na vida é possível. (sic)