
A nova época desportiva marca também um novo capítulo para a Associação de Kempo Nascemos Guerreiros (AKNG). Jovem, mas já com uma identidade própria, a equipa liderada pelo treinador e fundador Nuno Grilo aposta num crescimento sustentado, tendo como pilares a disciplina, o respeito, a união, a superação e o espírito de família.
Em entrevista à Fight News Portugal, Nuno Grilo aborda as expectativas para a nova temporada, os objetivos da AKNG na formação e na competição, o crescimento do Kempo em Portugal e os desafios que a modalidade ainda enfrenta para conquistar maior reconhecimento e apoio.
O treinador destaca também a importância das artes marciais na formação dos mais jovens e acredita que a nova geração de atletas portugueses tem capacidade para levar o nome do Kempo cada vez mais longe a nível internacional.

FightNews: Nuno, uma nova época está a começar. Quais são as principais expectativas da Associação de Kempo Nascemos Guerreiros para esta nova temporada?
As expectativas da Associação de Kempo Nascemos Guerreiros para esta nova temporada são enormes, não apenas do ponto de vista desportivo, mas sobretudo no que diz respeito ao nosso crescimento, à nossa consolidação e à construção de uma associação cada vez mais sólida e estruturada.
A AKNG é uma associação jovem, mas nasceu com uma identidade muito forte, assente em valores como o respeito, a disciplina, a união, a superação e o espírito de família. O nosso principal objetivo é continuar a crescer de forma sustentada, criando bases cada vez mais firmes para o futuro e garantindo que a nossa associação se torna uma referência na formação desportiva e humana dos nossos atletas.
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FightNews: Que objetivos concretos estão definidos para a AKNG a nível de formação e competição, tanto para os atletas mais experientes como para aqueles que estão agora a dar os primeiros passos no Kempo?
Na AKNG, temos objetivos muito claros, mas acreditamos que cada atleta tem o seu próprio ritmo e o seu próprio caminho.
O nosso principal objetivo é proporcionar crescimento individual e coletivo, sempre assente nos valores que queremos transmitir através do Kempo: respeito, disciplina, humildade, responsabilidade, espírito de equipa e superação.
Para os atletas mais experientes, queremos continuar a elevar o nível técnico e competitivo, preparando-os para desafios cada vez maiores e dando-lhes condições para evoluírem dentro das diferentes vertentes do Kempo.
Queremos que procurem resultados e conquistas, mas sem nunca esquecerem que uma medalha é apenas uma parte do percurso.
O verdadeiro crescimento está na dedicação, na capacidade de ultrapassar dificuldades e na forma como representam a sua equipa e os seus valores.
Para quem está agora a dar os primeiros passos, o objetivo é completamente diferente: queremos que descubram o prazer de treinar, ganhem confiança, aprendam a trabalhar em equipa e, acima de tudo, percebam que não precisam de ser os melhores para fazer parte desta família. Cada pequeno progresso é uma vitória.
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FightNews:Como tens acompanhado o desenvolvimento do Kempo em Portugal nos últimos anos? Sentes que a modalidade está a conquistar cada vez mais espaço e reconhecimento?
O desenvolvimento do Kempo tem sido grandioso. Nestes últimos anos, juntaram-se a nós várias equipas que não só trazem mais atletas, como se têm juntado com a intenção de crescerem dentro de uma família em que, acima de tudo, imperam o fair play e o respeito pelo próximo.
Esta modalidade tem crescido imenso, não só pela qualidade da competição, como também por ser uma modalidade eclética.

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FightNews:Na tua perspetiva, quais são atualmente os principais desafios que o Kempo enfrenta em Portugal para continuar a crescer?
Na minha perspetiva, um dos maiores desafios que as artes marciais enfrentam atualmente em Portugal é conseguir o reconhecimento e o apoio necessário para crescer de uma forma verdadeiramente sustentada.
Somos uma modalidade que trabalha muito mais do que a componente desportiva.
O Kempo transmite disciplina, respeito, autocontrolo, responsabilidade, espírito de sacrifício e capacidade de superação.
Trabalhamos com crianças, jovens e adultos, tentando sempre ajudar a construir a confiança, hábitos saudáveis e valores que vão muito para além do tatami.
No entanto, continuamos a sentir muitas dificuldades no acesso a apoios públicos e também no envolvimento das pequenas e grandes empresas.
Muitas associações lutam diariamente para pagar instalações, equipamentos, inscrições, deslocações e toda a logística necessária para colocar os atletas a competir. E, muitas vezes, fazemos tudo isto com recursos muito limitados.
É também importante perceber que o Kempo é uma modalidade que não treina com uma bola. Não temos a mesma visibilidade mediática de outras modalidades e, consequentemente, muitas vezes torna-se mais difícil conseguir patrocínios, apoios empresariais ou até a atenção necessária para mostrar aquilo que fazemos.
E isto não significa que o Kempo queira tirar espaço a outras modalidades.
O que defendemos é que as artes marciais também merecem ser vistas como uma ferramenta de formação desportiva, humana e social.
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FightNews: Portugal tem vindo a apresentar atletas e equipas com resultados relevantes. Consideras que existe hoje uma nova geração capaz de levar o nome do Kempo português ainda mais longe internacionalmente?
Sem dúvida alguma.
Esta nova geração de atletas tem demonstrado empenho, dedicação e muita garra, tornando esta uma geração diferente, uma geração de continuidade, evolução e ambição.
Os resultados que temos alcançado no Kempo internacionalmente são o reflexo de muito trabalho, disciplina e, acima de tudo, da consistência de quem escolhe treinar todos os dias para ser melhor do que foi ontem.
E é precisamente essa continuidade que nos permite olhar para o futuro com confiança.
O objetivo não é apenas conquistar medalhas, mas construir atletas capazes de levar o nome do Kempo e de Portugal cada vez mais longe.
Num futuro próximo, acredito que teremos cada vez mais atletas preparados para se afirmarem e serem reconhecidos internacionalmente, representando o nosso país com orgulho, respeito e espírito de um verdadeiro guerreiro.
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FightNews:O Kempo é muitas vezes apresentado não apenas como uma modalidade de combate, mas também como uma ferramenta de formação. Que importância tem esta dimensão no trabalho que desenvolves diariamente?
Para mim, essa é uma das partes mais importantes do Kempo.
Mais do que formar atletas, procuro formar pessoas: com disciplina, respeito, confiança, responsabilidade e capacidade de superar dificuldades.
O combate é apenas uma ferramenta; o verdadeiro objetivo é ajudar cada atleta a sair da zona de conforto, a tornar-se uma pessoa mais confiante e a acreditar mais em si, dentro e fora do tatami.
FightNews:De que forma acreditas que a prática do Kempo pode contribuir para formar cidadãos mais disciplinados, responsáveis, resilientes e preparados para enfrentar os desafios da vida?
Acredito que o Kempo ensina muito mais do que combater.
Ensina a respeitar, a ter disciplina, a assumir responsabilidades e, sobretudo, a levantar-se sempre que a vida nos derruba.
É essa força interior que queremos levar para fora do tatami e para a vida.
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FightNews: Num momento em que muitos jovens estão cada vez mais expostos a desafios relacionados com a falta de disciplina, isolamento ou ausência de referências, pode o desporto de combate assumir um papel ainda mais importante na sua formação?
Sem dúvida.
O Kempo pode ter um papel muito importante, porque os treinos em sala são muito mais do que aprendizagem técnica ou combate.
São um espaço onde os jovens aprendem disciplina, respeito, responsabilidade e entreajuda, mas também encontram referências, orientação e um sentimento de pertença.
Cada treino é uma oportunidade para os ajudar a crescer, não apenas como atletas, mas sobretudo como pessoas.
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FightNews: Quando olhas para os próximos cinco anos, como gostarias de ver a AKNG e o Kempo em Portugal? E que sonho ainda gostarias de concretizar enquanto treinador e líder da Nascemos Guerreiros?
A minha intenção, enquanto treinador principal e fundador da AKNG, é fazer com que esta associação se mantenha leal a si mesma, transmitindo os mesmos valores que nos definem enquanto uma associação de artes marciais.
Espero que o crescimento seja gradual e que os resultados apareçam de forma natural com os ensinamentos que são transmitidos em sala.
Portanto, estamos a crescer e a mostrar que o futuro é risonho.
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FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a todos os atletas, treinadores, dirigentes, famílias e clubes que fazem parte da comunidade do Kempo em Portugal?
A todos os atletas, treinadores, dirigentes, famílias e clubes que fazem parte desta grande família do Kempo em Portugal, deixo uma mensagem simples: nunca deixem de acreditar, de trabalhar e de evoluir.
Aos atletas, continuem a treinar com humildade e coragem. Aos treinadores, continuem a formar pessoas antes de formar campeões. Às famílias e dirigentes, obrigado por todo o apoio e por acreditarem nos nossos atletas.
Que possamos continuar unidos, com respeito, espírito de entreajuda e paixão pelo Kempo, levando cada vez mais longe o nome da nossa modalidade.
Porque quando treinamos juntos, crescemos juntos. E quando caminhamos juntos, o Kempo torna-se ainda mais forte.
Por fim, e nunca em último lugar, quero deixar uma palavra muito especial de reconhecimento e profundo apreço ao Professor Bruno Rebelo, pelo trabalho e dedicação que tem demonstrado em prol de todos os clubes associados à Federação Portuguesa de Lohan Tao Kempo.
Obrigado por nos proporcionar excelentes campeonatos, formações e torneios, criando oportunidades para que atletas, treinadores e clubes possam evoluir, aprender e crescer juntos.
O crescimento do Kempo faz-se com pessoas que acreditam, trabalham e criam oportunidades para os outros. E por isso, Professor Bruno Rebelo, o nosso muito obrigado por tudo o que tem feito pela nossa modalidade e por todos nós.

Ao longo da entrevista, Nuno Grilo deixa clara a visão que está na base do projeto da Associação de Kempo Nascemos Guerreiros: crescer de forma sustentada, sem abdicar dos valores que estiveram na origem da equipa.
Entre a competição, a formação e a dimensão humana das artes marciais, o treinador acredita que o futuro do Kempo em Portugal passa também pela capacidade de criar condições para que os atletas possam evoluir dentro e fora do tatami.
Para a AKNG, a nova época representa, assim, mais uma etapa de um caminho que pretende conjugar resultados desportivos com a formação de pessoas, mantendo a identidade de uma associação que, nas palavras de Nuno Grilo, quer continuar a “crescer e a mostrar que o futuro é risonho”.