Desde os primeiros treinos na Zona Oeste do Rio de Janeiro até à construção de um projecto com presença no Brasil e no estrangeiro, Clayton Mangueira construiu um percurso profundamente ligado ao Muay Thai, mas também a outras disciplinas das artes marciais, como a Luta Livre, Boxe, Jiu-Jitsu, Luta Olímpica e MMA.
Mestre reconhecido pela CBMT – Confederação Brasileira de Muay Thai, Delegado da entidade e fundador da CMT12, Clayton Mangueira dedicou mais de três décadas à modalidade, procurando utilizar o desporto não apenas como ferramenta de competição, mas sobretudo como instrumento de transformação social.
Foi nesse contexto que nasceu o projecto “A oportunidade faz o campeão”, destinado a proporcionar o acesso ao Muay Thai a crianças e jovens desfavorecidos. Um trabalho que, segundo o próprio, ultrapassou as fronteiras do Brasil e chegou também a Portugal, onde a CMT12 está representada na cidade do Porto.
Em entrevista à Fight News, Clayton Mangueira recorda o início da sua caminhada, fala sobre a responsabilidade de ser Mestre, o trabalho desenvolvido na formação de atletas e deixa uma mensagem baseada em quatro palavras que definem a sua filosofia: ajudar, fazer, construir e transformar.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Clayton, antes de falarmos do teu trabalho enquanto Mestre e responsável pela CMT12, como começou a tua ligação ao Muay Thai e o que te levou a dedicar grande parte da tua vida a esta modalidade?
Eu cresci a assistir a filmes de lutas e logo me identifiquei.
Então, ainda jovem, iniciei os meus treinos na Zona Oeste do Rio, mas trabalhava na Zona Norte. Então, migrei para a Academia Budokam, sob o comando do Grão-Mestre Alex Gazé, discípulo directo do fundador da CBMT, Luis Alves, in memoriam.
Foi lá que conquistei o grau de faixa preta, em 1998.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Ao longo dos anos construíste um percurso que te levou ao reconhecimento como Mestre pela CBMT. O que representa para ti esse reconhecimento e o que significa carregar o título de Mestre no Muay Thai?
Desde 1990 eu carrego o Muay Thai como um estilo de vida, onde pude ter disciplina e respeito pelas pessoas à minha volta.
Ter o título de Mestre é muito gratificante, pois eu sempre tratei o Muay Thai com muita responsabilidade.
Já são mais de três décadas a ministrar aulas e a formar professores e cidadãos de bem.
O meu propósito é ajudar a CBMT a ficar cada vez mais forte, para conseguirmos dar mais oportunidades a todos.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Actualmente desempenhas também funções como Delegado da CBMT. Quais são as principais responsabilidades associadas a essa função e qual é a importância de contribuir para o desenvolvimento e organização do Muay Thai brasileiro?
Através do trabalho e dos resultados que venho obtendo na minha equipa, tenho oportunidade de falar um pouco da importância e do reconhecimento mundial que a CBMT vem tendo ao longo dos anos.
Com isso, novos adeptos vêm-se filiando na CBMT, pois reconhecem que a entidade faz um trabalho sério, onde atletas já conseguem receber apoio do Governo através do Bolsa Atleta.
Com isso, o Muay Thai ficará cada vez mais em alta, fazendo com que vários professores consigam sustentar-se através da modalidade.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Foste também responsável pela criação da CMT12. Como nasceu este projecto e qual foi a visão que tiveste quando decidiste formar a tua própria academia?
A CMT12 surgiu através da necessidade de criar oportunidades para os jovens desfavorecidos terem acesso ao Muay Thai.
Então, iniciei o projecto “A oportunidade faz o campeão” na Associação de Moradores na comunidade da Mangueira e também em Bangu.
Tenho muito orgulho desta iniciativa, pois consegui, através do Muay Thai, criar ferramentas para formar cidadãos de bem e campeões dos ringues e da vida.
Hoje estamos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Inclusive, em Portugal, na cidade do Porto, com o professor Maurício Reis.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Que valores procuras transmitir aos atletas que treinam na CMT12 e o que consideras mais importante na formação de um praticante de Muay Thai?
A nossa metodologia consiste em usar o Muay Thai como ferramenta de transformação, para que crianças e jovens possam ter disciplina, respeito e responsabilidades.
São inúmeros os resultados positivos.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Além do Muay Thai, também tens trabalhos desenvolvidos no MMA e no No-Gi. O que te levou a entrar neste universo e o que te fascina particularmente nestas vertentes dos desportos de combate?
Na verdade, em paralelo ao Muay Thai, ingressei na Luta Livre Esportiva e também me apaixonei pelo Vale-Tudo, que logo passou a ser reconhecido como MMA.
Então, na minha academia, o aluno logo vai perceber que terá oportunidades em outras modalidades, como a Luta Olímpica, Luta Livre, Boxe, Jiu-Jitsu e MMA.
Como ainda estou na activa, eles acabam por se espelhar no Mestre.
Estamos com um aluno que, em breve, vai disputar o Contender do UFC, entre outros que estão a destacar-se em vários eventos no Brasil e no exterior.
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Quando olhares para trás daqui a muitos anos, o que gostarias que os teus atletas e a comunidade do Muay Thai dissessem sobre o trabalho que desenvolveste enquanto Mestre e fundador da CMT12?
A maioria fala em deixar legado, mas a verdade é que sempre fiz com o propósito de um chamado de Deus.
Então, gostaria que os alunos que tiveram contacto comigo ao longo do tempo pudessem carregar a mesma essência.
Que é:
– Ajudar
– Fazer
– Construir
– Transformar
Imagem cedida Clayton Mangueira
FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a todos os praticantes de Muay Thai, aos teus atletas, aos que acompanham o teu trabalho e a todos aqueles que estão agora a dar os primeiros passos na modalidade?
Agradecer todos os esforços do Grão-Mestre Artur Mariano, que sempre deu o máximo para ver o crescimento da modalidade.
Imagem cedida Clayton Mangueira
Aos meus Mestres que me iniciaram na modalidade: Luiz Otávio e Alex Gazé.
A todos os alunos que sempre acreditaram no meu trabalho.
Aos professores e instrutores formados por mim.
E aos que estão a iniciar, uma dica:
“A oportunidade faz o campeão.”
Imagem cedida Clayton Mangueira
A história de Clayton Mangueira está intimamente ligada ao crescimento do Muay Thai e à formação de novas gerações através das artes marciais. Mais de três décadas depois de ter iniciado o seu percurso, o Mestre continua a defender uma visão em que a modalidade ultrapassa a competição e assume um papel na construção de pessoas.
Através da CMT12, o trabalho desenvolvido procura levar disciplina, respeito e responsabilidade a crianças e jovens, criando oportunidades para aqueles que, de outra forma, poderiam não ter acesso aos desportos de combate.
Da Mangueira e Bangu ao Brasil e a Portugal, o projecto ganhou novas dimensões e mantém a mesma filosofia que Clayton resume em quatro palavras: ajudar, fazer, construir e transformar.
Imagem cedida Clayton Mangueira
E é precisamente essa mensagem que encerra uma conversa sobre Muay Thai, formação, liderança, CMT12 e o papel das artes marciais na transformação social.
Para Clayton Mangueira, o verdadeiro campeão não é apenas aquele que vence no ringue. É também aquele que aproveita a oportunidade, constrói o seu caminho e usa aquilo que aprendeu para transformar a vida de outros.