Há cerca de quatro anos, a EBJJ Portugal chegava à região de Seia e Oliveira do Hospital, numa altura em que o Jiu-Jitsu ainda era uma modalidade pouco conhecida localmente. Desde então, o projecto liderado por Josiane Silva foi crescendo de forma gradual, conquistando praticantes, formando atletas e, sobretudo, criando uma comunidade unida em torno dos valores da modalidade.
Faixa preta de Jiu-Jitsu, mestre, professora e líder da equipa, Josiane Silva assumiu também um papel de referência para outras mulheres que encontram na modalidade um espaço de aprendizagem, confiança e superação.
Nesta entrevista, fala sobre os desafios dos primeiros anos, a evolução da EBJJ Portugal, o crescimento do Jiu-Jitsu feminino em Portugal e a transformação que a própria modalidade provocou no seu percurso pessoal e profissional.
FightNews: Josiane, há cerca de quatro anos, quando a EBJJ Portugal chegou à região de Seia e Oliveira do Hospital, o Jiu-Jitsu era praticamente desconhecido por aqui. O que a levou a acreditar que havia espaço para esta modalidade na região?
Quando a EBJJ Portugal chegou à região, apesar de o Jiu-Jitsu ainda ser pouco conhecido, acreditei que havia espaço para a modalidade. Muito também por incentivo do meu amigo Pedro Veloso, que me desafiou a acreditar neste projeto. Sempre vi no Jiu-Jitsu muito mais do que um desporto: disciplina, respeito, confiança e uma grande comunidade. Sabia que seria um desafio, mas acreditámos que, com trabalho e dedicação, conseguiríamos conquistar o nosso espaço.
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FightNews: Como foi começar praticamente do zero numa zona onde não existia uma comunidade de Jiu-Jitsu consolidada? Quais foram as principais dificuldades que encontrou nessa fase inicial?
Foi um grande desafio, principalmente dar a conhecer uma modalidade que, para muitas pessoas, era completamente nova. No início, a maior dificuldade foi conseguir atrair alunos e criar uma comunidade. Foi preciso muito trabalho, persistência e paciência. Mas, aos poucos, através do boca a boca e dos resultados dos próprios alunos, fomos crescendo e ganhando o nosso espaço na região.
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FightNews: Em que momento percebeu que a EBJJ Portugal já não era apenas um projecto, mas que estava a nascer verdadeiramente uma comunidade de Jiu-Jitsu na região?
Acho que percebi isso quando começámos a ver os alunos a trazer amigos e familiares para a academia e, principalmente, quando o espírito de entreajuda e amizade começou a acontecer naturalmente entre todos.
Deixou de ser apenas um grupo de pessoas que treinava Jiu-Jitsu e passou a ser uma verdadeira família, dentro e fora do tatami. Foi aí que senti que estávamos a criar uma comunidade.
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FightNews:O que representa para si a EBJJ Portugal e qual é a filosofia que procura transmitir aos seus alunos dentro e fora do tatami?
A EBJJ Portugal representa um projeto de vida e uma família que fomos construindo ao longo destes anos. A filosofia que procuro transmitir é simples: disciplina, respeito, humildade e superação. Quero que os alunos evoluam no tatami, mas que levem esses valores para a escola, o trabalho e para a vida.
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FightNews: Quais foram as principais etapas de crescimento da escola ao longo destes quatro anos? Qual é actualmente o maior desafio para continuar a fazer crescer a EBJJ Portugal na região?
Ao longo destes quatro anos, fomos crescendo de forma gradual, começando com poucos alunos e, aos poucos, criando uma comunidade cada vez maior e mais unida. A participação em competições e a evolução dos nossos atletas também foram etapas importantes nesse crescimento.
Hoje, o maior desafio é continuar a dar a conhecer o Jiu-Jitsu na região e manter a qualidade do trabalho enquanto chegamos a cada vez mais pessoas.
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FightNews: O Jiu-Jitsu feminino tem crescido bastante em Portugal. Como vê actualmente a evolução das mulheres dentro da modalidade?
Vejo essa evolução com muito orgulho. Cada vez mais mulheres estão a descobrir o Jiu-Jitsu, a ganhar confiança e a perceber que é uma modalidade para todos. Ainda há caminho a percorrer, mas sinto que o Jiu-Jitsu feminino está a crescer bastante e que as mulheres têm hoje cada vez mais espaço e representatividade dentro da modalidade.
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FightNews: Acredita que a existência de professoras, treinadoras e faixas pretas mulheres pode ajudar a aproximar mais mulheres do Jiu-Jitsu?
Sem dúvida. Ter mulheres como professoras, treinadoras e faixas pretas ajuda a criar identificação e confiança, principalmente para quem está a ter o primeiro contacto com o Jiu-Jitsu.
Ver outras mulheres a treinar, ensinar e evoluir dentro da modalidade mostra que este é um espaço onde todas podem sentir-se representadas e conquistar o seu lugar.
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FightNews: Ser faixa preta já representa uma enorme conquista. Ser simultaneamente mulher, faixa preta, mestre, fundadora e líder de uma equipa acrescenta uma responsabilidade diferente? E alguma vez sentiu que teve de provar mais enquanto mulher para conquistar o mesmo respeito dentro do Jiu-Jitsu?
Ser mulher, faixa preta, mestre e líder de uma equipa traz uma responsabilidade acrescida, porque sei que também estou a representar outras mulheres dentro da modalidade.
Ao longo do caminho, senti algumas vezes que tive de provar o meu valor, mas encarei isso como motivação para trabalhar ainda mais. Hoje, acredito que o respeito se conquista pelo trabalho, pela dedicação e pela forma como tratamos os nossos alunos e a nossa equipa.
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FightNews: Olhando para a Josiane que começou no Jiu-Jitsu e para a mulher que hoje lidera uma equipa, o que mudou mais: a atleta ou a pessoa?
Acho que mudou mais a pessoa. Quando comecei no Jiu-Jitsu, o meu objetivo era ser competidora e vivi alguns anos muito focada nisso.
Com o tempo, fui percebendo que o Jiu-Jitsu tinha muito mais para me oferecer. Hoje já não sou uma atleta de competição, sou professora, e vejo a modalidade de uma forma diferente, através do ensino, da evolução dos meus alunos e da oportunidade de contribuir para o crescimento deles.
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FightNews: Para terminar, que mensagem deixa a toda a comunidade do Jiu-Jitsu em Portugal, desde os atletas e professores até aos praticantes que estão agora a dar os primeiros passos?
A minha mensagem é para que nunca deixem de acreditar no processo. Para quem está a começar, tenham paciência e aproveitem cada etapa. Para os atletas e professores, continuem a trabalhar, a aprender e a partilhar o conhecimento.
O Jiu-Jitsu é uma caminhada longa, com altos e baixos, mas é isso que o torna tão especial. Acima de tudo, que continuemos a crescer juntos, com respeito, humildade e espírito de comunidade.
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A história da EBJJ Portugal na região de Seia e Oliveira do Hospital é, nas palavras de Josiane Silva, a história de um projecto que nasceu perante um desafio e que foi conquistando o seu espaço através do trabalho, da persistência e da dedicação.
Quatro anos depois, o objectivo deixou de ser apenas dar a conhecer o Jiu-Jitsu. A ambição passa agora por continuar a fazer crescer uma comunidade onde disciplina, respeito, humildade, confiança e espírito de entreajuda sejam tão importantes como a evolução técnica.
Para Josiane Silva, a faixa preta representa hoje muito mais do que uma conquista individual. É também uma responsabilidade enquanto professora e líder, mas sobretudo uma oportunidade para transmitir conhecimento, formar praticantes e contribuir para o crescimento do Jiu-Jitsu em Portugal.
E é precisamente nessa perspectiva que termina a sua mensagem: acreditar no processo, respeitar cada etapa e continuar a crescer em conjunto. Porque, para quem vive o Jiu-Jitsu para além da competição, a verdadeira caminhada não termina quando se alcança a faixa preta — é aí que começa uma nova forma de servir a modalidade e a comunidade.