Antes achava que, quando os treinos ou os combates não corriam como queria, a solução era treinar mais. Repetir as mesmas técnicas uma e outra vez.
Sou a Bárbara. Sê bem-vindo ao meu canto.
Imagem cedida Bárbara Silva
Há uma frase de que gosto muito: treina para resolver problemas, não para repetir técnicas.
Porque, às vezes, o problema nunca foi a técnica. Foi tudo o que faltava para ela acontecer.
À primeira vista, até pode parecer que a frase desvaloriza a repetição. Mas não é isso.
A repetição é uma das bases da evolução. Um jab, um uppercut, uma esquiva ou um movimento de pés só se tornam naturais porque os repetimos centenas, milhares de vezes.
O problema surge quando repetimos sem perceber se estamos a atacar a verdadeira causa das nossas dificuldades.
Depois de um combate, tenha sido uma vitória ou uma derrota, há sempre uma análise a fazer. Há momentos que correram bem, outros menos bem, e existe quase sempre uma pequena lacuna que fez toda a diferença.
Imagina um atleta que passou a luta inteira sem conseguir encontrar o uppercut. A solução será repetir mais mil uppercuts para melhorar a técnica desse movimento?
Talvez não.
Talvez o problema nunca tenha sido o uppercut. Talvez tenha faltado o timing para o criar. Talvez tenha faltado uma esquiva que abrisse o ângulo certo para o fazer. Ou talvez a distância nunca tenha sido a correta, ou mesmo a leitura que fizemos do adversário tenha falhado.
Enquanto continuarmos apenas a repetir o golpe, vamos estar a trabalhar a consequência e não a causa.
Imagem cedida Bárbara Silva
É curioso como, muitas vezes, voltamos ao treino exatamente da mesma forma como treinávamos antes do combate.
Repetimos as mesmas sequências, os mesmos exercícios, a mesma rotina. E, sem nos apercebermos, deixamos por trabalhar aquilo que realmente nos limitou.
E é aí que acredito que acontece a maior evolução.
Quando deixamos de perguntar: “O que é que devo repetir hoje?” e começamos a perguntar: “O que é que preciso de resolver?”.
Porque, às vezes, uma luta não é decidida por dez grandes erros.
É decidida por uma pequena lacuna que nunca recebeu a atenção que merecia.
No desporto, como na vida, nem sempre precisamos de fazer mais do mesmo.
Às vezes, precisamos apenas de encontrar o problema certo para resolver.
— No Meu Canto