Kempo KEMPO PORTUGAL
Treinar para resolver problemas, não para repetir técnicas.
A verdadeira evolução começa quando deixamos de repetir movimentos e passamos a identificar aquilo que realmente nos impede de crescer.
07/08/2026 15h01
Por: Redação Fonte: Bárbara Silva
Instagram

Antes achava que, quando os treinos ou os combates não corriam como queria, a solução era treinar mais. Repetir as mesmas técnicas uma e outra vez.

Sou a Bárbara. Sê bem-vindo ao meu canto.

Imagem cedida Bárbara Silva

Há uma frase de que gosto muito: treina para resolver problemas, não para repetir técnicas.

Porque, às vezes, o problema nunca foi a técnica. Foi tudo o que faltava para ela acontecer.

À primeira vista, até pode parecer que a frase desvaloriza a repetição. Mas não é isso.

A repetição é uma das bases da evolução. Um jab, um uppercut, uma esquiva ou um movimento de pés só se tornam naturais porque os repetimos centenas, milhares de vezes.

O problema surge quando repetimos sem perceber se estamos a atacar a verdadeira causa das nossas dificuldades.

Depois de um combate, tenha sido uma vitória ou uma derrota, há sempre uma análise a fazer. Há momentos que correram bem, outros menos bem, e existe quase sempre uma pequena lacuna que fez toda a diferença.

Imagina um atleta que passou a luta inteira sem conseguir encontrar o uppercut. A solução será repetir mais mil uppercuts para melhorar a técnica desse movimento?

Talvez não.

Talvez o problema nunca tenha sido o uppercut. Talvez tenha faltado o timing para o criar. Talvez tenha faltado uma esquiva que abrisse o ângulo certo para o fazer. Ou talvez a distância nunca tenha sido a correta, ou mesmo a leitura que fizemos do adversário tenha falhado.

Enquanto continuarmos apenas a repetir o golpe, vamos estar a trabalhar a consequência e não a causa.

Imagem cedida Bárbara Silva

É curioso como, muitas vezes, voltamos ao treino exatamente da mesma forma como treinávamos antes do combate.

Repetimos as mesmas sequências, os mesmos exercícios, a mesma rotina. E, sem nos apercebermos, deixamos por trabalhar aquilo que realmente nos limitou.

E é aí que acredito que acontece a maior evolução.

Quando deixamos de perguntar: “O que é que devo repetir hoje?” e começamos a perguntar: “O que é que preciso de resolver?”.

Porque, às vezes, uma luta não é decidida por dez grandes erros.

É decidida por uma pequena lacuna que nunca recebeu a atenção que merecia.

No desporto, como na vida, nem sempre precisamos de fazer mais do mesmo.

Às vezes, precisamos apenas de encontrar o problema certo para resolver.

— No Meu Canto