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As faltas no MMA: porque “vale tudo” é uma das maiores mentiras do desporto
Das infrações comportamentais aos golpes ilegais, conheça as regras que garantem a segurança dos atletas e podem determinar o desfecho de um combate.
19/07/2026 13h12 Atualizada há 1 dia
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
Imagem cedida João Vitor Costa

Uma das frases mais repetidas por quem não acompanha MMA é que, dentro do Octógono, "vale tudo". A expressão vem dos primórdios da modalidade, quando as regras ainda estavam em desenvolvimento, mas hoje está completamente desajustada da realidade. O MMA moderno é um dos desportos de combate mais regulamentados do mundo. Existem dezenas de ações proibidas, critérios de segurança rigorosos e uma estrutura de arbitragem preparada para identificar e penalizar qualquer infração.

No artigo anterior abordámos os diferentes tipos de vitória. Hoje vamos olhar para o outro lado da moeda: as faltas que podem mudar completamente o rumo de um combate.

As infrações podem ser divididas em três grandes grupos: comportamentais, físicas e ataques a um atleta em posição de grounded.

Faltas comportamentais

Nem todas as infrações envolvem golpes ilegais. Algumas estão relacionadas com a conduta dos atletas e das equipas. O uso de linguagem ofensiva ou inapropriada, atitudes antidesportivas que provoquem lesão no adversário, atacar antes do início do combate, durante uma pausa ou após o final da luta são exemplos claros de comportamentos proibidos.

Também constitui infração atacar um adversário que esteja sob a proteção do árbitro ou do médico, fugir deliberadamente ao combate (timidity), ignorar instruções do árbitro ou beneficiar da interferência dos treinadores e membros da equipa. Embora estas situações possam parecer raras, representam uma ameaça direta à integridade da competição e ao respeito pelas regras.

Imagem cedida João Vitor Costa

Faltas físicas

É neste grupo que encontramos as infrações mais conhecidas pelo público. São proibidas cabeçadas, ataques aos olhos, mordidas, cuspir no adversário, puxões de cabelo e o chamado fish hook, técnica que consiste em introduzir os dedos na boca ou noutras cavidades para controlar ou causar dor ao adversário.

Também são ilegais os ataques aos genitais, a manipulação das pequenas articulações, como os dedos das mãos e dos pés, a utilização de dedos esticados para medir a distância de forma perigosa, bem como atacar ou agarrar a garganta.

Outras ações proibidas incluem arranhar, beliscar ou torcer a pele, atacar diretamente a coluna vertebral ou a nuca e executar técnicas de spiking, nas quais o adversário é projetado de forma perigosa sobre a cabeça. Além disso, agarrar o equipamento do adversário, segurar a rede ou as cordas da área de combate também constitui infração.

Imagem cedida João Vitor Costa

Ataques a um atleta em posição de grounded

Uma das áreas mais debatidas no MMA moderno está relacionada com os atletas considerados grounded. Um atleta é considerado grounded quando tem qualquer parte do corpo em contacto com o solo, excetuando as mãos e os pés.

Nestas situações existem técnicas especificamente proibidas devido ao risco acrescido de lesão. Entre elas encontram-se os pontapés na cabeça, as joelhadas na cabeça e os pisões.

São precisamente estas regras que muitas vezes geram polémica entre atletas, treinadores e público, mas que têm como principal objetivo proteger a integridade física dos competidores.

O papel do árbitro

Nestes casos, o papel do árbitro vai muito além de identificar uma falta. O árbitro tem de avaliar a gravidade da infração, perceber se foi intencional ou acidental e decidir qual a sanção adequada.

Dependendo da situação, pode haver uma simples advertência verbal, dedução de pontos, desqualificação imediata ou até um No Contest. É uma responsabilidade enorme, tomada em segundos e sob enorme pressão.

A existência destas faltas demonstra uma realidade que muitos continuam a ignorar: o MMA não é um combate sem regras. É um desporto altamente regulamentado, onde a liberdade de competir termina no momento em que a segurança dos atletas é colocada em risco.

Imagem cedida João Vitor Costa

E fica a pergunta: se o MMA tem tantas regras, tantos critérios e tantas limitações técnicas, porque continua tanta gente a dizer que "vale tudo"?

No próximo artigo, iremos explorar em detalhe as diferenças regulamentares entre os vários escalões da modalidade, desde os Youth até ao nível profissional, e perceber como as regras evoluem em função da idade, da experiência e da responsabilidade exigida a cada atleta.